4 mudanças que comecei a empregar para dosear o acesso às redes sociais e reduzir a ansiedade

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Depois deste meu post em que tanto me “queixei” da má utilização que, muitas vezes, fazemos das redes sociais e da internet em geral, também não quero que fiquem a achar que me queixo sem fazer nada para mudar o panorama. Não posso mudar o mundo sozinha, mas na minha vida tenho toda a influência que eu quiser.
Desde que escrevi o post em questão, tenho estado a aplicar mudanças muito ligeiras na minha vida, porque:

a) não mudar algo que me causa desconforto está fora de questão;
b) às vezes são as coisas mais pequenas e ligeiras que acabam por fazer toda a diferença sem causar o stress da mudança.

A primeira mudança: o fim das notificações matinais

Comecei a aplicar esta primeira mudança de forma inconsciente, mas quando percebi o que estava a fazer fez-me todo o sentido e continuei a fazê-lo, agora, de forma plenamente consciente.
Antes, quando acordava e o telemóvel tocava, pegava nele para o desligar e, logo de seguida, voltava a ligar o Wifi (eu desligo-o quando vou dormir). O que acontecia era que começava o dia em stress a receber emails e notificações várias, acumuladas durante a noite. A ansiedade que começa a criar-se em consequência da necessidade de responder a toda a gente é extremamente paralisante, especialmente de manhã.

Portanto, agora acabou. Se houver alguma coisa urgente, o telefone ainda serve para telefonar, certo? Agora só ligo a net do telemóvel quando já estou na rua, na paragem do autocarro rumo ao trabalho e só a ligo aí porque preciso de música e do meu Spotify (das melhores coisas que a internet me trouxe). 🙂

A segunda mudança: desligar mais cedo

Já à noite, comecei a fazer algo parecido, desligando o WiFi do telemóvel bem antes de ir para cama. Até então, só desligava quando já estava com a cabeça na almofada, mas todos – literalmente TODOS – os artigos sobre dormir melhor e ter melhores noites de sono sugerem que o façamos muito antes de ir para a cama, pelo que achei que havia um fundo de verdade aqui. E tem, sem dúvida, porque tenho dormido muito melhor.
O ideal é mesmo complementar com algum tipo de leitura antes de dormir, quer seja um livro ou uma revista (a Flow ou a Oh Comely, no meu caso), mas há dias em que me fico pelas séries. Também dizem que faz mal, mas como em tudo, temos que ter em conta a nossa realidade e aquilo que funciona para nós. No meu caso, ver séries antes de ir para cama funciona como um soporífero: adormeço que é uma maravilha.

A terceira mudança: ver o exercício com uma finalidade diferente

Durante algum tempo andei sem vontade nenhuma de ir ao ginásio (desde Julho/Agosto). Não sei porquê, mas tenho várias fases assim, por isso não liguei nem me forcei muito a ir. Porém, face às várias semanas seguidas em que andei a dormir super mal, decidi voltar, mas com um objectivo diferente do perder peso/tonificar/ser saudável: dormir bem. Só isso. Cansar-me ao ponto de não ter pesadelos nem demorar séculos a adormecer. E, caraças, funciona! Por vezes, o que me faz não querer ir ao ginásio é a perda de foco e a ausência de um grande objectivo. Quando este existe, é sempre a andar a malhar. Ok, não sempre, mas apetece-me ir mais vezes e, sim, quando vou durmo melhor e sinto-me melhor também.

A quarta mudança: dizer que não

Sempre que estou a passar por um período particularmente turbulento e ansioso, tendo a ter uma conversa interior muito séria comigo mesmo em que me digo para ir em frente e fazer na mesma as coisas, mesmo que isso me traga muita ansiedade. Até agora, tenho lidado com isso do ponto de vista em que, se rejeitar coisas, serei fraca. E isso está errado, sei-o agora.
Claro que é excelente quando consigo trabalhos como freelancer, é sempre mais algum dinheiro a entrar, não é? Mas como tenho um trabalho a full-time, posso dar-me ao luxo de rejeitar trabalhos que:

  • não me desafiem;
  • não sejam assim tão lucrativos;
  • me deixem ansiosa por alguma razão;
  • estejam além das minhas capacidades (devemos ser capazes de reconhecer se estamos – ou não – à altura de um desafio sob pena de desiludirmos alguém);
  • me roubem tanto tempo que não possa dedicar-me como deve ser a outros trabalhos que tenho em mãos.

Aqui há uns meses rejeitei um trabalho muito “grande” de fotografia que ia inclusive render-me bastante dinheiro, mas sinto que tomei a decisão certa. Neste caso, o que iria acontecer era a última situação, pois já tinha outro grande trabalho em mãos. Para além disso, ao aceitá-lo ia ficar sem tempo livre até – provavelmente – ao início do próximo ano.

Esta é uma grande novidade para mim este ano: rejeitar trabalhos e outras coisas. Às vezes preciso mesmo de parar. O cansaço, por vezes, apanha-nos e não devemos continuar a dizer que sim só para não parecermos fracos e para não desiludir outras pessoas. Primeiro está a nossa saúde (física e mental, claro está).

Antes, cada email e cada mensagem que me chegavam a propor-me trabalho era imediatamente respondidos e aceites; hoje em dia já não é bem assim. Tudo agora é medido e pesado com todo o cuidado possível, analisando pros e contras.

Quando aceitava todos os trabalhos que me chegavam, a minha qualidade de sono era simplesmente deplorável. É que nem sequer trabalho apenas como freelancer! Ou seja, quando ia dormir não consegui não pensar que no dia seguinte também não ia conseguir descansar nada e assim sucessivamente. Era acordar, ir trabalhar (no meu trabalho a full-time), chegar a casa e trabalhar nos outros trabalhos como freelancer até ir dormir e nos dias seguintes o mesmo.
Chega.

Conclusão

Parece que estou – finalmente – a aprender a desacelerar e isso está a saber-me tão, mas tão bem. Não quero ser aquela pessoa que vive a vida agarrada ao telemóvel a fazer stories de cada coisinha que acontece na sua vida e que sente a necessidade de a partilhar com o mundo, nem quero ser uma pessoa que sofre de FOMO sempre que recebe algumas notificações.
O poder de mudar a maioria das coisas que nos impedem de sermos felizes e que ameaçam o nosso bem-estar é, quase sempre, nosso. Não se esqueçam disso. 🙂

Por aqui, todas estas pequenas mudanças estão a fazer maravilhas!

 

6 Comments

  1. Joaninha says:

    Fico tão tão tão feliz por ti, Catarina. Além disso, gostei mesmo muito de saber os teus “truques” e achei engraçado lê-los num dia em que decidi começar a implementar a rotina do sono saudável na minha vida, onde se inserem maioritariamente os truques que referes.
    Admiro-te imenso por teres a capacidade de já conseguir distinguir os trabalhos que podes mesmo aceitar e teres esse à vontade para te distanciares e dizeres “basta”. Fico mesmo contente por ti.
    Beijo enorme 🌻

  2. Sofia Garrido says:

    Como já tinha mencionado no outro post, já faço o mesmo com desligar as notificações há algum tempo, por isso percebo bem como sentes a diferença!
    Vejo isto em muita gente que conheço e acho que é um mal dos tempos modernos – sobrecarregamo-nos demais, muitas vezes e realmente há que saber dizer não e impormo-nos limites para priorizar mais o descanso! 🙂

  3. RITA says:

    A minha unica dica para não ligar tanto ao telemóvel é não andar com o Wifi e os dados móveis ligados (devo ser a única pessoa q faz isto no mundo, certamente!). No trabalho e no dia-a-dia só ligo os dados móveis quando quero postar alguma coisa ou ver o feedeback. Assim que acabo a minha “consulta”, desligo tudo e deixo estar. Todos os assuntos urgentes podem ser tratados por chamada ou SMS e para isso não preciso de estar ligada à rede. A bateria dura mais tempo, eu não estou constantemente ligada e assim tenho mais tempo para aproveitar outras coisas!

  4. Inês says:

    Excelentes dicas! 🙂
    Comecei a adoptar algumas destas mudanças recentemente, por achar que estava demasiado tempo ligada às redes sociais. Optei por dosear esse tempo e a ter o wi-fi desligado muito mais vezes do que dantes. E a verdade é que tenho conseguido descontrair e relaxar muito mais.

  5. Catia says:

    São óptimas dicas e óptimas formas parar vivermos de forma mais relaxada.

  6. Ines Serodio says:

    Parabéns, pelas dicas e por teres conseguido fazê-las. Acho que vou adoptar umas quantas, isto da ansiedade is a bitch.

    beijinho,
    Inês

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