Chapters & Scenes #3: The Ladies of Grace Adieu

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Vai parecer meio estranho intitular este post de “Chapters & Scenes #3” porque nunca antes viram um post com o nome “Chapters & Scenes” por aqui, mas eu explico: há uns meses fui convidada pela Mariana para participar num desafio mensal em que – segundo um tema pré-definido – os bloggers participantes fazem uma review de livro ou filme.

Até agora ainda não tinha tido tempo para participar e submeter o meu post a tempo, mas decidi que deste mês não passava, pois a premissa do desafio é super interessante e tem tudo a ver comigo! Para além disso, já há algum tempo que não vos falava de um livro (para além do meu) aqui no blog.

Então, o tema do Chapters & Scenes deste mês (o terceiro do desafio e o meu primeiro) é “Contos / Short Stories“, que é a categoria onde se insere o livro “The Ladies of Grace Adieu” ou “As Senhoras de Grace Adieu“.

Porque tenho duas versões do mesmo livro?

Em 2010 cruzei-me com a versão em inglês deste livro na Fnac, em promoção. Era o dia do meu aniversário e pedi-o de prenda ao meu namorado. Pareceu-me exactamente o tipo de livro que eu iria adorar.
Um ano e alguns meses mais tarde, não tendo ainda lido o livro, cruzei-me novamente com ele em promoção na Fnac, mas desta vez em português, pelo que decidi comprá-lo, achando que estava a adiar a leitura porque o que eu tinha estava em inglês. Não era verdade, foi só uma desculpa para comprar outra edição lindíssima deste livro.
As ilustrações, também elas lindas, são da autoria de Charles Vess.

Acabei por – este ano – optar por ler a versão em português durante a minha commute diária casa-trabalho-casa.

Algures entre o mundo real e a magia

Depois do sucesso do seu bestseller “Jonathan Strange & Mr Norrell“, a escritora Susanna Clarke voltou a servir-se do mesmo mundo, algures entre o real e o mundo das fadas, numa Inglaterra do séc. XIX.

Nesta colecção de dez short stories focadas maioritariamente no poder feminino, sente-se que a magia voltou a Inglaterra, uma vez que em todas as histórias ambos os mundos (o real e o das fadas) se tocam e se interligam de alguma forma. É muito normal, tal como no folklore escocês, irlandês e do País de Gales, ter seres feéricos a interferir com o mundo dos humanos.

Essa interacção esta presente em todos os (dez) contos, mas especialmente nos meus dois favoritos: A Colina de Lickerish e A Sra. Mabb.

“The governess was not much liked in the village. She was too tall, too fond of books, too grave, and, a curious thing, never smiled unless there was something to smile at.”

― Susanna Clarke, The Ladies of Grace Adieu and Other Stories

A Colina de Lickerish (“On Lickerish Hill”)

Esta história é recontagem do conto de Rumplestiltskin. Narrado por Miranda Sowreston, uma noiva do séc. XVII de Suffolk, fala de como esta recorre à magia para gerar linho suficiente para satisfazer as demandas do marido. Pra evitar prisão, assassinato, desmembramento ou prisão sexual, Miranda tem que derrotar não só o seu captor, mas também o homem que tenta salvá-la (de novo a temática do poder feminino).

Curiosidade:
Em inglês, o texto apresenta algumas palavras em inglês arcaico, tais como “thing” em vez de thing – “a small black thinge” – e “hairue” em vez de hairy.

A Sra. Mabb (“Mrs. Mabb”)

   

Mrs. Mabb é uma história sobre uma mulher do séc. XIX, Venetia Moore, cujo noivo, o Capitão Fox, a deixa pela misteriosa Sra. Mabb (que se torna a rainha Mabb). Devastada, Venetia tenta recuperá-la. No processo, ela fica encantada (literalmente encantada, de encantamento, magia) e acaba a vaguear por um cemitério com os pés descalços e sangrentos, entre outras peripécias causas do encantamento.
As pessoas à sua volta assumem que está louca, provavelmente por ter perdido o noivo, um diagnóstico muitas vezes associado ao género feminino e descrito como “histeria”.

Não vos vou dizer como acaba a história e se Venetia consegue recuperar o noivo, para o caso de vos apetecer ler. 🙂

“She had been a comet; and her blazing descent through dark skies had been plain for all to see.”

― Susanna Clarke, The Ladies of Grace Adieu and Other Stories

Veredicto final

Se gostei do livro? Sou apaixonada por esta temática, tal como toda a gente que me conhece tão bem sabe, mas em termos de conteúdo e de escrita… não muito. Não sei bem o que foi, mas achei que uma das coisas que poderia ter sido melhor é o “sumo” de cada história. Também, como ainda não li a versão em inglês, não sei se foi algo que se perdeu com a tradução ou se é mesmo assim, mas da maioria das críticas que já li sobre The Ladies of Grace Adieu, fiquei com a impressão de que quem leu o bestseller “Jonathan Strange & Mr Norrell” gostou bem mais desse primeiro livro.

E é por isso que – apesar de tudo e da atracção pelo tema do livro – tive que listar este na minha lista de piores livros neste post que escrevi este ano no Dia do Livro.


Diria, em nota de conclusão, que a experiência de leitura é também ela como a Magia: volátil e imprevisível.

“Above all remember this: that magic belongs as much to the heart as to the head and everything which is done, should be done from love or joy or righteous anger.”

― Susanna Clarke, The Ladies of Grace Adieu and Other Stories

2 Comments

  1. Catia says:

    Tens alguns requisitos quando compras livros? Quais são?

    1. Catarina Alves de Sousa says:

      Tenho o mesmo que toda a gente, acho eu 😀 Tenho que ter vontade de o ler à partida, qualquer que seja o tema. Para me decidir a comprar ou não (se for um livro mais caro), costumo ir ler reviews no Goodreads. 🙂

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