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“Espelho meu, espelho meu, há alguém mais…

… millennial* do que eu?”

Lembro-me de ter sido a última pergunta que coloquei a mim mesma ontem, mesmo antes de adormecer. Tinha passado o dia a trabalhar (como era suposto), mas não deixei de o fazer quando cheguei a casa. Não.

Findo o meu trabalho “oficial”, abri o meu gestor de tarefas e pus mãos à obra.
Chegada a hora de ir dormir, dei por mim satisfeita por ter completado tudo o que me propus fazer nessa noite: tarefas relacionadas com o blog, com o meu projecto You Can DIY, com uma candidatura a um curso em que adorava ser aceite, com o número de páginas que consegui ler do Not that Kind of Girl, etc.

Rinse and repeat.

E é precisamente isso que estou a fazer hoje.
Riscar tarefas da lista tornou-se – mais do que algo produtivo – numa obsessão, um vício.
E se, por um lado, é verdade que acabo o dia com uma irresistível sensação de leveza, por outro…

… parecem cada vez brotar novas tarefas e a lista, em vez de diminuir, cresce. Acredito que isto se deve à constante estimulação do cérebro, que se torna uma máquina implacável de fabricação de tarefas.

… começo a esquecer-me de como é que se relaxa, porque nunca não tenho nada para fazer. Isto faz com que:

  • Não saiba o que fazer quando é suposto não fazer nada;
  • Me esqueça frequentemente de como é que as pessoas mais “normais” relaxam;
  • Sinta sempre alguma ansiedade, principalmente quando me lembro de coisas que tenho para fazer e que não sei se vou conseguir terminar no prazo estimado;
  • Sinta um extremo desconforto em certos contextos sociais em que, pelo volume da música, não consigo conversar, mas pelo estilo da mesma, também não posso/quero dançar. Sinto-me meia perdida, não sei o que fazer às mãos, aos olhos, às ideias. Fica mal estar a escrevinhar num caderno e a mexer constantemente no telemóvel. Em vez disso, aceito um estado de aprisionamento temporário na minha própria mente em que faço planos para pôr em prática assim que me possa libertar. Assim que chegar a casa e estar em total controlo de todos os meus recursos.

Triste, não é?

Não tenho o menor orgulho nisto.

Como é que tantas pessoas vivem desta forma, tentando tornar-se o mais completas, cultas, realizadas, perfeitas que conseguirem quando, na verdade, nunca ninguém viu nem testemunhou nada efectivamente perfeito?

Talvez seja essa a resposta: a perfeição não existe. O que existe e nos vai dando alento é a constante busca por algo que a sociedade nos diz diariamente que é real e, quando achamos que estamos quase a alcançá-la, ela torna a desaparecer e, logo depois, regressa aquele sentimento de  que temos que ter tudo e ser tudo.

Começo a concordar com muitas teorias que diagnosticam isto como sendo um problema geracional.

Alguém por aí se identifica com isto? Millennials, acusem-se! 🙂 dotted-line

* The millennials have grown up in a society that is very different than any group before them. They have been plugged into technology since they were babies, are a safe generation, are the first generation for which Hispanics/Latinos will be the largest minority group instead of African Americans and have the most educated mothers of any generation before them.  They are the most scheduled generation ever, are true multi-taskers, expect to have 6-8 careers in their lifetime and are attracted to diverse environments.

– source: Central Piedmont Community College 

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6 Comments

  • Reply
    Anita A
    21/01/2015 at 8:57 PM

    Identifiquei-me muito com o teu texto. Os dias a riscar coisas para fazer, o já não saber o que é não ter nada para fazer ou simplesmente relaxar…e odeio! Ando a tentar contrariar (e a conseguir em algumas coisas, como menos tempo nas redes sociais e coisas assim) mas mesmo assim a lista de coisas para fazer só aumenta!!!

    • Reply
      joan of july
      22/01/2015 at 11:01 PM

      E fazes tu muito bem, Anita! As redes sociais são muito giras, mas muito time-consuming.
      Obrigada, querida.*

  • Reply
    Krystel
    22/01/2015 at 12:42 AM

    Em outubro, o meu corpo deu-me sinais claros que algo não estava bem. Tive alguns problemas de saúde que os médicos apontaram para falta de calma. Mais do que stress ou pouco sono, apontaram o facto de querer fazer mil coisas por dia como causa dos meus problemas de saúde.
    Agora, apesar de sentir no final do dia que ficaram duas ou três coisas por fazer, consegui acalmar. Tiro pelo menos, 30 minutos à noite para ler um capítulo do meu livro de cabeceira, dedico 40 minutos por dia a cozinhar e em breve, vou tentar introduzir uma rotina de 30 minutos diários de exercícios. Tem sabido bem. Respirar, acalmar, e o que não se faz hoje, o dia de amanhã existirá para elas. O truque está criar uma lista de prioridades, ao invés da do to list 😉

    • Reply
      joan of july
      22/01/2015 at 10:50 PM

      Que história inspiradora, obrigada por partilhares aqui comigo, Krystel.
      Acredita que me deu muito em que pensar.
      Para mim, ler o meu livro antes de ir para a cama tem um efeito muito calmante em mim. Por vezes, é o único ritual de relaxamento que tenho no meu dia, mas torna-se mais precioso por isso mesmo.

      E vou fazer o mesmo que tu com o exercício.

      We’ve got this, girl! 😉

  • Reply
    Marta Chan
    22/01/2015 at 4:46 PM

    Post inspirador =) se conseguisses encontrar um equilibrio entre fazedora de listas e descanso seria otimo. Eu sou mais o contrario, decido passar a fazer listas para me organizar melhor e, embora nos primeiros dias esteja super motivada a riscar tarefas, passados 3 dias ja me fartei. Acho que prezo demasiado o meu tempo de relaxamento, nem que seja a cuidar de mim, ler, nadar na piscina. E quando ha dias com muitas tarefas, ai sim, volto a lista. Claro, isto quando nao estou a viajar, porque enquanto se viaja as minhas responsabilidades sao minimas e sinto me mais livre mas as vezes sinto a falta da excitacao de dias ocupados… enfim, o ser humano e um eterno insatisfeito. Eu acho que tas no ponto certo, porque ja te apercebeste que algo nao esta certo entao agora e partires para a accao =)

    • Reply
      joan of july
      22/01/2015 at 10:48 PM

      Obrigada, Marta! Deve ser muito libertador andar a viajar sem a preocupação da malfadada lista. 🙂
      E tens toda a razão; o ser humano é MESMO um eterno insatisfeito e eu insiro-me perfeitamente nesta categoria.

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