Ingrid Goes West: um filme que todos os instagrammers/influencers deviam ver

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Quando vi este filme no sábado passado soube logo que iria querer falar sobre ele aqui no blog. Como não? Afinal, toca num assunto que nos é incrivelmente familiar: o mundo dos influenciadores-instagrammers.
Ingrid Goes West não é um filme muito mainstream, portanto é normal que nem toda a gente tenha ouvido falar dele, mas se o encontrarem por aí e forem influenciadores ou seguidores de influenciadores, por favor vejam-no. Vão ver que se vão identificar com muita coisa. 😉

Sem estragar a história e a experiência com spoilers, vou contar-vos a história muito por alto.

Ingrid Thorburn (Aubrey Plaza) é uma rapariga problemática e com tendências obsessivas relativamente a pessoas. A mãe faleceu há pouco tempo e, sem amigos, vê-se sugada pelo mundo do Instagram, chegando até a passar noites a fazer scroll e likes pelo Instagram em vez de – por exemplo – ver séries. Passa a vida naquilo, literalmente. Nesta fase do filme é mais que natural sentirmos pena dela. Todos nós o fazemos, mas duvido que mais alguém o faça daquela forma tão obsessiva. É mesmo essa a palavra, não há volta a dar.
Até que Ingrid se cruza com o Instagram de uma mega influencer chamada Taylor Sloane (Elizabeth Olsen), fica “apaixonada” pelo seu conteúdo e aparente estilo de vida.
Completamente vidrada e louca da vida, Ingrid muda-se para LA (onde mora a Taylor) com o dinheiro que recebeu após a morte da mãe (cerca de $60.000). Decidida a reproduzir para a sua a vida de Taylor, Ingrid começa a frequentar os sítios que a influencer frequenta em L.A.

Estão a ver aquelas fotos bonitas que os vossos instagrammers favoritos partilham quando vão ao brunch? Ingrid vê a localização das fotos e vai aos mesmos sítios, dizendo ao empregado que é amiga da Taylor Sloane, que esteve lá há pouco tempo. Depois, pergunta-lhe se se lembra daquilo que ela pediu para o brunch e pede a mesma coisa. A seguir, fotografa e troca comentários com a “amiga” a agradecer a sugestão de local e comida com expressões como “the best ever” (isto é importante no filme).

 

Enquanto frequenta os mesmos sítios que Taylor, Ingrid eventualmente cruza-se com ela numa loja, mas não lhe fala. Em vez disso, segue-a até casa.

A partir daí e porque não quero spoilar mais, digo apenas que elas se tornam amigas e – claro – a Taylor não faz ideia que a Ingrid é obcecada por ela de forma doentia.

Porque é que nós – bloggers, instagrammers, influencers e micro-influencers – devíamos ver este filme?

Em primeiro lugar por isto que eu disse acima. Para que saibamos que qualquer pessoa pode introduzir-se na nossa vida alegando saber coisas sobre nós que, devido àquilo que partilhamos nas redes sociais, qualquer pessoa pode saber, mas que se quiser pode extrapolar de forma muito pouco “normal”. Vão perceber o que estou a dizer mais facilmente quando e se virem o filme. 🙂

Mas sim, isto tudo para dizer que a nossa exposição pode um dia virar-se contra nós e ser potencialmente perigosa. Isto não é novidade, mas convém que seja um pensamento presente quando partilhamos conteúdos publicamente de forma intencional. Devemos partilhar o que quer que seja de forma sempre consciente, evitando, por exemplo, publicar fotos em que se veja a nossa localização em tempo real.

Em segundo lugar, deveríamos ver este filme, pois é um retrato fiel e actual da hipocrisia das redes sociais. Vejam o clip abaixo.

Em Ingrid Goes West apercebemo-nos facilmente das mentiras que se contam sob a forma de fotos bonitas e inspiradoras, mas que muitas vezes escondem ignorância, falta de cultura e até mesmo problemas numa relação. Há uma cena no filme em que a Taylor fotografa o seu “livro favorito”, mas que, na verdade, é o livro favorito do marido. Ficava bem na foto e quis passar uma imagem dela que não era real. Quando Ingrid lê o mesmo livro para ter tema de conversa com Taylor e tenta puxar o assunto com ela, percebe-se perfeitamente que esta não o leu, mas o marido confirma-o mais tarde.

Enfim. É só um dos milhares de exemplos possíveis e que ilustram a falsidade que se vê nas redes sociais.

Conclusão

Não quero dizer que não devemos seguir influenciadores nem nada do género no Instagram; apenas que devemos fazer um esforço para ter o discernimento suficiente para sabermos que nada é o que parece e que, por trás de uma foto “perfeita” ou “espontânea” no Instagram. 🙂

A propósito deste tema dos influenciadores, já agora, leiam também o meu post “Quando o poder dos influenciadores é usado para mudar o mundo (e como podemos fazê-lo também“. Foi um dos meus favoritos do ano passado!

Deixo-vos então o trailer oficial do filme.

E vocês, já viram Ingrid Goes West? Se não, ficaram com vontade de ver?

7 Comments

  1. vania duarte says:

    Não vi mas já vou querer ver. Na realidade acho mesmo importante falar-se sobre este tema dos influenciadores e mostrar que nem tudo é espectacular. Aliás a Kim Kardashian sofreu o assalto em Paris exactamente por se ter exposto demasiado. A dica que dás acima de não colocar a nossa localização em tempo real acho mesmo das mais importantes. Pessoalmente raramente coloco a minha localização mas se o fizer é sempre depois de lá ter estado. Obrigada pela dica do filme 🙂

    1. Catarina Alves de Sousa says:

      De nada! 😀 Acho que vais gostar, Vânia! Depois discutimos o filme! ehehehe
      Houve uma instagrammer americana que foi assassinada enquanto fazia jogging porque partilhou a localização em tempo real e estava sozinha. Eu levei isto muito a sério e nunca publico onde estou em tempo real.
      No ano passado tive um momento em que estava sozinha no Palácio de Cristal, no Porto e ia partilhar uma foto no Instagram, mas depois apercebi-me do que estava a fazer decidi só partilhar mais tarde, quando já não estivesse lá, porque pela foto – mesmo sem localização – dava para ver onde tinha sido tirada.
      Enfim, são pequenas coisas que podemos fazer para nos protegermos nas redes sociais. 🙂

  2. Joana Silva says:

    Olá Catarina 🙂

    Obrigada pela dica. Sem dúvida que vou ver. Sou muito ingénua nestas coisas, eu coloco sempre onde estou, a q horas estou e, de facto, com a quantidade de gente ‘doida’ que anda por aí devia mudar isto…

    beijinho

  3. Sara Trigo says:

    Já vi o filme há uns tempos e achei uma sátira muito acutilante da sociedade atual, que vive à volta das redes sociais. É importante que os miúdos e adolescentes tenham alguma formação antes de exporem a sua vida em público. os perigos estão sempre à espreita, embora não esperemos que nos acertem.

  4. Joaninha says:

    Uou. Fiquei mesmo interessada no filme. O tema sãs redes sociais e da verdade por trás delas é algo que realmente me interessa e que gosto de explorar. Quanta da informação que nos chega é verdade e até que ponto alguém não nos está só a vender aquilo que gostavam de fazer, mas, não diz nada com a realidade deles.
    Vou ver o filme ainda hoje, gosto mesmo de ver este tipo de filmes, principalmente, com a minha irmã ao lado, a ver se a chamo um bocado à vida real…
    Beijinhos 😘

    1. Joaninha says:

      Já vi o filme, é mesmo chocante, no sentido em que nos deixa a pensar e a pôr tudo em perspectiva. É tão importante discernir se uma informação é verdadeira ou não e, infelizmente, tomamos muitas vezes por garantida a total e absoluta segurança nas redes sociais. De qualquer forma, o final deixou-me bastante intrigada…
      Vou colocar a minha irmã a ver este filme, pode ser que lhe dê alguma atenção e a alerte um pouco.

  5. Rosarinho e Susana says:

    Olá Catarina! Já vi o filme e é um bom reminder dos perigos que as redes sociais podem representar. Como em tudo na vida existe um lado bom e um lado menos bom. É importante termos consciência de alguns limites que por vezes têm uma fronteira muito ténue. Como dizes, devemos de usar as redes sociais de forma consciente. Gostei do filme, vê-se bem e faz-nos refletir. Na verdade o lado bom da vida está do outro lado 😉 Eu gosto de usar as redes sociais para partilhar aquilo que podemos fazer fora delas 😉
    Um grande beijinho.
    Rosarinho

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