O que aprendi sobre blogging com o filme Julie & Julia

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Ontem vi pela primeira vez o filme Julie & Júlia de 2009, que cruza as vidas de Julia Child (Meryl Streep), autora de um livro de 500+ receitas de cozinha francesa, que teve o seu próprio programa de TV em 1949 (?), e de Julie Powell (Amy Adams), uma mulher “normal” e cuja história se passa em 2002/2003.

Estou (quase) uns quatro aninhos atrasada, eu sei…

Justifico este atraso de quase quatro anos com o facto de ter assumido prematuramente de que se tratava de um filme exclusivamente sobre culinária. Agora que o vi, acho que se tivesse tido conhecimento de que parte do filme era sobre blogging, já o teria visto há muito mais tempo. 

Onde entra o blogging em Julie & Julia?

 

Frustrada por um emprego aborrecido, mas ao mesmo tempo stressante, Julie decidiu, também por sugestão do marido, iniciar um blog dedicado àquilo que mais gosta de fazer- cozinhar!– como escape aos problemas do trabalho e da sua vida.


A inspiração de Julie

Mas Julie não começou o seu blog antes de pensar no tema que a motivaria a escrever durante os 365 dias que definiu para se própria em tom de desafio. Falar do trabalho como desabafo ficou, logo à partida, de lado. Porquê escrever sobre algo de que não gostamos quando é muito melhor escrever sobre coisas que nos deixam felizes e transmitem positividade a quem lê? 🙂
Mas a sua paixão pela cozinha foi, desde muito nova, inspirada por uma importante figura da área: Julia Child! E mais: durante os 365 do desafio, teria que cozinhar e colocar no blog as 524 receitas do livro de culinária de Julia Child. Uma loucura, principalmente para Julie, afamada por “nunca terminar nada”.


Alguém se identifica? 


O blog de Julie

Penso que qualquer uma de nós que tem um blog, consegue relacionar-se com o sentimento que afligiu Julie Powell quando começou a publicar os primeiros posts:

Estará alguém do outro lado a ler o que escrevo, ou estarei a enviar mensagens para um buraco negro? 
Nunca fizeram este pergunta a vocês próprias no inicio? Eu fiz. Por outro lado, ponderava também se queria realmente que me lessem, se isso teria assim tanta importância para mim. Seria o número de seguidores relevante? E o número de comentários? Se sim, porque? 
Será apenas por vaidade, por necessidade de atenção, ou por algo mais profundo? 
O que aprendi sobre blogging com Julie & Julia

O filme esta repleto de descobertas blogisticas e culinárias desta personagem. A outra que me chamou a atenção foi quando ela disse com uma cara que era um misto de entusiasmo e de recém-descoberta: 

Por cada comentador, deve haver muitos outros que não comentam, que lêem apenas.
Se esta questão vos incomodar de alguma forma devido à enorme curiosidade que desperta, têm bom remédio: criar uma conta no Google adwords para conhecerem de trás para a frente as estatísticas do vosso blog!
Mas acredito que não resulte muito bem em filme, por isso a Julie continuou sem saber.
No entanto, pouco mais tarde começaram a surgir mais e mais comentários aos seus posts- muito bem escritos e que misturavam os detalhes do seu desafio culinário com alguns pormenores da sua vida pessoal.
E era isso que os tornava deliciosos: as suas pequenas imperfeições e desabafos por, as vezes, tudo lhe correr mal, por ter deixado queimar o estufado, por ter feito uma enorme bagunça na cozinha, por ter tido um mau dia no trabalho, etc.
Conclusão

 Eu sei que o tema central do filme é a culinária, em particular a cozinha francesa, mas se o virem de uma óptica de blogger, vão conseguir apanhar uma mão-cheia de dicas e pequena lições sobre como ter um blog de sucesso. 

  • Pensar antes de escrever;
  • Pensar antes de publicar (se virem o filme, vão perceber melhor);
  • Escrever conteúdo de qualidade;
  • Escrever sobre o que nos apaixona, o que nos inspira;
  • Não “escrever por escrever”;
  • Ser humano; humanizar tudo o que escrevermos e não tentarmos dar a impressão de que somos perfeitos. Quem é que se identifica com isso? Pois, ninguém.
  • Apreciar o feedback dos leitores. Afinal, quem comentou perdeu algum tempo, não só a ler-nos, como a dar-nos a sua opinião;

Tudo isto me deixou pensativa sobre todas as coisas relacionadas com blogging: qual é a nossa motivação para expor tanto das nossas vidas na internet? O que esperamos que aconteça enteemos de retorno? Estou a ter para aqui umas ideias… 

Contem-me: porque escrevem num blog? 
P.S.- Quem disse que não se aprende nada durante momentos (prolongados) de procrastinação? 😉
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11 Comments

  1. Andreia Ferreira says:

    Às vezes também tenho a sensação de que estou a escrever para o “nada” o que me entristece. Mas depois penso, e se acabar com o blog onde vou partilhar aquilo que gosto? Então aí continuo e enquanto assim for o Sweet September continuará 🙂
    Gostei imenso do te post * Beijinhos

    1. Catarina says:

      É assim mesmo! 😀 Antes de mais nada, escrevemos porque sentimos essa necessidade, não é verdade? 🙂 Eu acho muito saudável termos vontade de escrever e de alimentar um espaço só nosso. :*

  2. Ju Figueiredo Silva says:

    Olha que maravilha.. eu também nunca vi o filme, nas sendo assim, parece-me muito engraçado!

    Olha, eu fiz blogue (não este, o primeiro!) também quando acabei os estudos e estava a procura de emprego..comecei a ler alguns, achei piada e pensei “porque não ter o meu?”, de facto, vi ali uma companhia, um passar do tempo… entretanto, senti necessidade de mudar, fazer algo novo, com posts mais pensados e com mais conteúdo, podia ter evoluído no meu, é um facto, mas não sei..quis mudar e de qualquer das formas o outro continua activo para eu poder visitar 😉
    Coincidentemente, ou não, menos de 1 mês depois de criar o happiness in the box fiquei sem emprego, portanto, volta a ser uma grande companhia! Adoro escrever lá, adoro o meu blogue, adoro ter visitas a crescer e ver comentários, mas sinceramente acho que o gozo ainda maior é poder visitar os meus blogues favoritos, perco horas nisso!! *

    1. Catarina says:

      Também iniciei este blog logo a seguir à minha licenciatura, numa altura em que estava meia perdida na vida, sem saber muito bem o que queria fazer ou que passo dar a seguir. No meio de tanta incerteza, ao menos o meu blog continuava cá. 🙂

      Eu também adoro visitar blogs de outras pessoas, tanto como escrever no meu. Há tanta coisa inspiradora por aí! Eu gosto muito de teu também, continua a escrever que eu vou sempre ler. :)*

  3. Carolina. says:

    Ainda não vi esse filme mas está na minha lista há séculos! Agora fiquei ainda com mais vontade :p

    1. Catarina says:

      Tens que ver! Acho que não há como não gostar, é tão fofinho. ^^

    1. Catarina says:

      Olá Sónia! Muito obrigada! <3*

  4. Lúcia says:

    🙂 Vi hoje o filme, gostei imenso.
    Gostei especialmente de viajarmos no tempo com uma e com outra, cada um com seu livro um ‘analógico’ e outro digital. Obrigada pela partilha. *

  5. Catarina says:

    Fiquei com tanta vontade de ver este filme agora! (pena já ser tãaaao tarde!). Mas realmente há uma coisa comum nisto de ter um blog: ninguém consegue manter um blog durante muito tempo se não escrever exactamente sobre aquilo que gosta 🙂 porque se escrevermos sobre o que gostamos vamos sempre encontrar a inspiração e motivação para fazer mais e melhor, e quem nos lê percebe isso e gosta, e fica. E assim acabámos de ganhar mais um seguidor, mais um ‘amigo’ 🙂 *

    http://day-dreamer.blogs.sapo.pt/

  6. Silvia says:

    Nunca assisti esse filme, mas sempre tive vontade de ver. Vou procurar assistir, pois depois desse post eu fiquei com ainda mais vontade!

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