O significado pagão do Dia da Espiga

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Quando cheguei a casa já eram quase sete da tarde e ramo do Dia da Espiga, nem vê-lo. Pode parecer tolinho, mas uma das minhas missões do dia era regressar a casa com um ramo do Dia da Espiga. É uma tradição que adoptei em 2012 e não queria quebrá-la justamente agora.

Então, numa última tentativa esperançada do dia, lá fui eu até ao metro do Campo Grande procurar por vendedoras destes raminhos. Este spot nunca me falha! Todos os anos (desde 2012) tenho encontrado lá sempre as senhoras, mas estava com medo que desta vez já fosse tarde.
Mas não era. E trouxe logo dois! Um aqui para casa e outro para levar à minha mãe quando for ao Porto amanhã.

A origem do Dia da Espiga

Não sei se conhecem bem esta tradição, mas como expliquei aqui:

«A origem festiva do Dia da Espiga, coincidente com a Quinta-Feira da Ascensão, é muito anterior à era cristã. Na verdade, este dia é um sucessor de rituais pagãos nos quais se celebrava a primavera e se consagrava a natureza que, após os meses frios, trazia a promessa e a esperança de novas colheitas.»

Qual o significado do ramo?

Cada planta do ramo tem um significado diferente.

  • espiga de trigo (ou outros cereais) = para que haja abundância de pão ao longo do ano.
  • ramo de oliveira = para que haja paz e que não falte o azeite.
  • malmequer = alegria, ouro e prata.
  • papoila = amor e vida
  • alecrim = saúde e força
  • folha de videira (apenas em algumas zonas do país) = para que não falte o vinho

O que fazer ao ramo

Após terem o ramo em casa, este deve ser pendurado algures dentro de casa. Há quem diga que deve ser atrás da porta principal da casa, mas as versões variam muito de acordo com as fontes. Eu ponho o meu na despensa para secar bem de um ano para o outro.

Depois, só se deve tirar o ramo no ano seguinte quando for substituído pelo ramo novo.

velhas-espigas

Eu hoje descobri que ainda tinha todos os ramos que já comprei na vida (que não foram muitos). Aqui estão os de 2012, 2013 e 2014. 😀 Acabei por me desfazer deles, mas achei querido ainda estarem cá guardados.

Neste momento, o ramo da foto mais acima encontra-se pendurado na minha despesa e só será substituído para o ano, outra vez no dia 14 de Maio.

Mesmo já tendo passado três anos que descobri esta tradição (no Porto nunca ouvi falar no Dia da Espiga), continuo fascinada pelo facto de algo tão antigo perdurar na nossa cultura de tradição e cultura cristãs. Sei perfeitamente que antes dos costumes cristãos existiam outros, associados a deuses e divindades pagãos. O que me espanta é que algo tão antigo tenha chegado “vivo” até aos dias de hoje.

E vocês, já conheciam o significado do dia e do ramo da espiga? Costumam comprar? 🙂

7 Comments

  1. Marta Chan says:

    O Dia da Espiga e tao importante no municipio de loule que e feriado. Lembro me de estar na univ em faro e ter de ir as aulas nesse dia pois la nao era feriado =p todos os anos ha cecelebracoes durante 3 dias em salir, com historias ligada a tematica, procisoes, concertos, barraquinhas tradicionais com comes e bebes, uma animacao! Hoje vou la dar uma checada 😉 mas nunca tive um ramo de espiga, acho pq os meus pais nunca me incentivaram e pra mim acabou por ser aquele dia sem aulas e a festarola em Salir hehe

    1. joan of july says:

      Há isso tudo ao pé de ti? Que giro e que sorte! 😀 Também deve ser por causa da outra celebração do dia de ontem (a cristã). Ontem também foi o Dia da Ascenção, por isso essas celebrações devem ser um misto destas duas coisas. Aproveita a festarola! 😀

  2. Ana Garcês says:

    A minha mãe, todos os anos, traz um raminho que um dos velhinhos que ela conhece lhe oferece. Nunca falha! Não conhecia o significado deles por isso adorei este post, Cat!

    Cá em casa pendura-se atrás da porta de entrada :p

  3. Inês Silva says:

    Olha acho que nunca ouvi falar nisso, cá no Porto há outro nome?

  4. Analog Girl says:

    Nunca consigo apanhar as espigas. É o mal de viver e trabalhar fora das zonas-chave em Lisboa. Acredito que em Oeiras também haverá algo, mas o dia escapa-me sempre e acabo por não o celebrar devidamente. Parece-me um óptimo dia para depois de pendurado o ramo, fazer uma boa reflexão sobre a nova estação, e a renovação que se pede à vida, não é à toa que isto acontece na primavera. 🙂
    Ver se para o ano estou mais atenta…

  5. Daniela says:

    Que giro! Hoje passei pela Cidade Universitária, pelo Hospital de Santa Maria e lá estavam as senhoras a venderem a espiga. Mas nunca tinha ouvido falar! Ainda bem que explicaste, eu já me esquecia de ir procurar o que era 🙂

  6. Elsa oliveira says:

    Olá Catarina acho muito interessante esta tradição . A minha avó fez desde sempre, eu adorava ir com ela pelos campos apanhar a espiga. Mas o que mais me fascinava era guardar o pão nesse dia e durar todo o ano até ao próximo dia de espiga sem se estragar e sem ficar com bolor, quando numa situação normal não chega a durar uma semana. Tenho 43 anos e ainda ontem fui apanhar a minha espiga com o meu marido e lembro-me sempre da minha avó. É uma sensação tão Boa percorrer os campos e reunir o raminho de espiga. Bem haja

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