Os meus 8 momentos mais corajosos de 2017

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Este ano foi uma montanha russa de emoções. Umas boas, outras más, mas todas me ensinaram algo. Já estou profundamente em fase de balanços de 2017, por isso adianto-vos que este ano saí várias vezes da minha zona de conforto e tomei decisões conscientes de ir em frente apesar do medo que algumas situações me causaram. Neste post partilho com vocês os meus momentos mais corajosos de 2017.

Não nadei com tubarões, não domestiquei leões nem viajei sozinha para a Índia, mas considero-me agora uma pessoa mais corajosa e mais cheia de experiência(s) por ter passado pelos 8 momentos que vos enumero abaixo. 🙂

Escrevi, publiquei e apresentei um livro (duas vezes)

E que grande aventura que tem sido! A parte de escrever um livro, de começar a escrevê-lo efectivamente é sempre difícil. As ideias existem, mas tomar a decisão de as transformar um livro nem sempre vem com naturalidade. Já tinha sentido o desejo de escrever um livro inúmeras vezes, mas nunca tinha avançado com a ideia. Em Janeiro deste ano – lembro-me perfeitamente desse dia – senti algo que nunca tenha sentido antes; senti que sabia finalmente o que fazer com as (previamente) ideias soltas na minha cabeça; como que por magia (Big Magic?) soube como agrupá-las de modo a formarem palavras, frases, textos e capítulos. Uma possível estrutura de um possível livro desenhou-se e eu escrevi-a para não a esquecer e me guiar no processo de escrita.
Por falar em processo de escrita, escrevi um post sobre Como Escrever um Livro (dicas para quem quer escrever e publicar um livro) que vos aconselho se têm o mesmo objectivo que eu tinha.

Mas deixem-me que vos diga: a parte da escrita foi o mais fácil, ainda que exigente em termos de tempo e atenção da minha parte. O que custou mais foi ter que ir a apresentações (ai, como eu adoro falar em público!) e à tv em directo.
Não vou entrar em muitos detalhes aqui sobre o quanto estas situações me stressam (embora esteja infinitamente grata por elas!), porque já o fiz no post Ansiedade, Síndrome do Impostor e Medo de Falhar.

Fotografei um casamento sozinha

Provavelmente o meu maior acto de coragem do ano. Como podem imaginar, é preciso uma enorme dose de responsabilidade quando se fotografa um casamento. E se acontece alguma coisa ao cartão? E se não tivermos net para fazer o backup? E se as fotos ficam horríveis e os noivos odeiam o resultado final? Tanta coisa má que pode acontecer… especialmente quando se é o único fotógrafo do casamento! É verdade, não pude levar ninguém para me ajudar e fotografei tudo sozinha, sempre com medo de estragar tudo ou que tudo saísse mal. Foi uma experiência profissional extremamente exigente e que me ensinou muito sobre ética profissional, sobre fotografia (claro) e sobre as relações humanas. Se repetirei em 2018? Muito dificilmente, mas é sempre possível que mude de ideias. Neste momento, posso dizer-vos que não é algo que queira repetir tão cedo, pelo menos não sozinha.

Ultrapassei o meu receio da auto-estrada

Ah, é verdade. Para chegar aos locais no dia do casamento (a casa da noiva, a igreja e copo d’água) pedi o carro emprestado à minha mãe. A minha mãe mora no Porto e o casamento não era muito longe, o problema é que ganhei uma espécie de aversão à auto-estrada desde que tirei a carta. Juro que não sei a razão, mas é o que é. Ainda vi como se chegava lá de transportes, quanto custava chamar um táxi ou um Uber, mas no final cheguei à conclusão de que não compensava. Então pensei, fiz-me mulherzinha e fiz-me à estrada. Correu tudo lindamente, segui o GPS e não houve como dar errado. Não sou má condutora, atenção, o meu medo reside nos outros, não é em mim! Mas com esta experiência aumentei muito a confiança na minha condução e senti-me incrivelmente realizada no final do dia por ter fotografado o casamento sozinha e por ter levado e trazido o carro sem qualquer incidente.

Dei sangue (duas vezes)

Já tinha o desejo de dar sangue há anos! Porém, no passado, sempre que tentei, não aceitavam a minha dádiva porque tinha anemia. Isto passou-se algures durante os meus anos de faculdade, o que faz sentido porque, de facto, não me alimentava muito bem. No início deste ano, em Fevereiro, uma unidade móvel de recolha de sangue foi até ao jardim de Miraflores e ali ficou, mesmo ao lado do meu trabalho. Não perdi tempo e fui, convencida de que desta vez já estaria tudo bem e já poderia dar sangue.
E assim foi. Não só dei sangue, mas também me inscrevi como dadora de medula óssea.

No final do mês passado voltaram ao jardim de Miraflores e lá fui eu mais uma vez dar sangue, pois já passavam mais de 6 meses desde a última vez que tinha dado. A mim não me custa dar sangue e não me faz impressão, portanto se calhar até nem é grande feito corajoso da minha parte nesse aspecto.

Andei de funicular e teleférico na Suíça

Nem eu sabia que tinha um pavor tão grande de elevadores e equipamentos semelhantes em altura(s). Não tenho medo de alturas em si, mas sim de andar nestas engenhocas que nos transportam a milhares de metros acima do mar e do solo e que – na minha cabeça – podem falhar e deixar-nos cair a qualquer momento. Na Suíça tive alguns ataques de pânico em três situações distintas, sendo que a pior de todas foi dentro do funicular que nos levou ao Harder Kulm, um miradouro lindíssimo de onde vimos Interlaken de cima, bem como os Alpes por trás.
Sabia que, apesar do meu medo irracional, iria valer a pena, pois todas as fotos que vira tiradas de lá me convenceram disso, então decidi ir na mesma. Fui o caminho todo em pânico e a chorar de pânico silenciosamente, mas cheguei lá. E sim, valeu a pena. Para descer foi um filme mais pequeno, embora também não tenha sido fácil.

Conclusão: ter medo(s) é normal; o que não é normal é deixarmos que tomem conta de nós. Cada vez mais faço um esforço consciente por fazer as coisas mesmo que me assustem. Posso ir com medo, mas vou! Se quiserem ler o meu relato completo desta experiência podem lê-lo neste meu primeiro post sobre a viagem à Suíça.

Andei de caiaque

Andar de caiaque não foi uma coisa programada, mas assim que surgiu a ideia (peregrina) nas nossas férias no Algarve, aceitei-a muito bem. Não tinha medo de andar de caiaque em si, apenas de cenários em que iria contra rochas e – pior – encontrasse tubarões (tenho imenso medo de tubarões, já vos tinha dito aqui). E sim, existem tubarões no Algarve.
Esta experiência acabou por revelar-se incrível e uma das minhas melhores do ano. Saí completamente da minha zona de conforto; caí do caiaque, fui arrastada por uma onda, como resultado ia batendo a cabeça na parede de uma gruta e por uns momentos vi as coisas meias que a andarem para trás, mas sabem que mais? Aceitei a ajuda do instrutor, subi de novo para o caiaque e continuei. Pelo meio houve um ou dois momentos para além deste que fizeram soar o meu alarme interno de segurança; tive medo genuíno de me deixar novamente levar pelas ondas em direcção a duas rochas pelo meio das quais tinha que fazer passar o caiaque.
O melhor foi que com este perigo todo me esqueci completamente dos tubarões. 😛

Peguei em bichos esquisitos

Ainda na onda e no dia em que andei de caiaque no Algarve, toquei em bichos mega esquisitos. Isto não é nada típico meu e num contexto normal não me apanhariam nestes “preparos” a segurar pepinos do mar e estrelas do mar que acabaram por se reproduzir na minha mão.

Mas essa é também a beleza das coisas que acontecem quando estamos abertos a coisas que nunca experimentámos antes. Como abri a mente a experimentar andar de caiaque e a deixar-me estar no mar, bem longe da praia, achei que mal não ia fazer. Um dos nossos guias/instrutores de caiaque era também biólogo marinho e insistiu bastante que eu segurasse os bichinhos, portanto aceitei fazê-lo num completo e incaracterístico momento de “yolo”.

Despedi a minha empregada

Contei-vos a minha experiência completa neste post e expliquei bem o porquê de ter despedido a minha segunda empregada. A razão foi simples: suspeitava que fazia mal ao meu gato, pois estava sempre em posições esquisitas e a esconder-se quando ela chegava lá a casa, o que não é normal nele. Chegaram a sugerir-me se seria por medo ao aspirador, mas não. Ele não gosta particularmente do aspirador, mas nunca se esconde assim e não é por aspirarmos a casa que ele passa a ter medo de nós. Só mesmo dela.
Assim que tomámos a decisão de a despedir de vez, coube-me a mim a tarefa. Estava nervosa porque nunca tinha despedido ninguém na vida. Quando o momento chegou, às oito da manhã de uma terça-feira de Abril, tentei ser o mais tranquila possível a dar-lhe a notícia. Não disse que era por causa dos gatos, porque sabia que ela ia adoptar uma posição defensiva e negar que fazia alguma coisa ao Loki. Despedi-a só e pronto. E foi o melhor que podia ter feito pelos meus bebés peludos, especialmente pelo Loki que ficava em stress sempre que ela ia lá.

Estas são apenas 8 de várias situações em que tive que ser forte e corajosa este ano. Não são as únicas, mas são as que escolhi para partilhar convosco. Pelo meio ainda tive algumas (mais pessoais) que resolvi e que me fazem também sentir muito mais forte.

E vocês? Que balanço fazem deste ano? Foram corajosos? Qual foi a situação mais difícil que tiverem que ultrapassar com o máximo de coragem que conseguiram encontrar dentro de vocês?

5 Comments

  1. Catarina says:

    E ainda bem que escreveste o livro! Estou a acabar de o ler e já aprendi mais nele que numa cadeira sobre o mercado de trabalho na faculdade! Parabéns pelas tuas conquistas e que venham melhores em 2018! Beijinhos

    1. Catarina Alves de Sousa says:

      Oh, muito obrigada Catarina. É tão bom ler as tuas palavras, nem imaginas. No fim do dia, tudo valeu a pena, principalmente por saber que estou a transmitir algo que eu aprendi a outras pessoas. Obrigada, obrigada. <3
      E que 2018 te traga tudo o que desejas e muito sucesso! 😀

  2. RITA says:

    Esqueceste-te de colocar – mudei o layout do blog! É sempre uma dor de cabeça que realmente é necesssário muita coragem!!
    Tiveste um ano fantástico com muitos feitos, tanto profissionais como pessoais e é isso que faz sentido. Ainda não fiz a reflexão do meu ano mas sei que foi de IMENSA aprendizagem, não só interna como externa,, sobre o mundo e os outros. Um Feliz Natal e um optimo ano de 2018 😀

  3. vania duarte says:

    foi um ano em grande heim ? Foste uma mulher de verdadeiras armas e lançares o livro foi uma conquista que já merecias há muito tempo, afinal de contas tu nasceste para escrever ? O Funicular e o teleférico, medo, medo, medo, com o pânico de alturas que tenho acho que desmaiava. E a empregada fizeste muito bem, primeiro o bem estar dos patudos ? beijinhos Cat

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