Personal | Rebuilding burned bridges

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Ainda acho muita piada quando as pessoas me perguntam como é que consigo ter tempo para tudo e tantas coisas e como é que consigo conciliar tudo com a minha vida pessoal. Pelos vistos, há muita gente a achar que tenho tudo sob controlo e – confesso – por vezes até eu acredito que tenho. É só durante aqueles dez minutos, mesmo antes de adormecer após um dia preenchido, que sinto o peso das minhas falhas e ausências.

Mas este não é um post negativo sobre mim a cascar em mim mesma. Não é isso.
Sim, apercebi-me de coisas que não estão tão bem na minha vida, mas fico feliz. Porque é que fico feliz se há coisas que não estão bem? Ora, porque ao menos agora consegui identificar que coisas são essas, por isso em vez de ficar aqui a martirizar-me vou mas é corrigi-las!
E agora, um elogio de mim para mim, para não ser só bater no ceguinho: esta é uma das características que mais aprecio em mim, ou seja:

  1. conseguir identificar o que está mal/errado;
  2. não atribuir as culpas ao Universo, porque, vá, a culpa é só minha;
  3. não ficar a chorar ou amuar pelos cantos e segurar “o touro pelos cornos”.

O resultado da maior parte das minhas instrospecções é quase sempre o mesmo: nós somos quase sempre os causadores de 90 e muitos porcento dos nossos próprios problemas e, como tal, somos os únicos capazes de os resolver.

Vejamos:

Conquista: descobri que consigo fazer várias coisas ao mesmo tempo sem perder atenção e foco em nenhuma. Graças a essa descoberta, sinto que consigo literalmente alcançar tudo o que eu quiser (desde que seja minimamente realista, pronto).
Problema: por outro lado, negligencio o meu lado mais pessoal.

Passo a explicar.

A epifania surgiu esta semana, ao adormecer, como vos expliquei mais acima.
Subitamente apercebi-me de que:

  1. já nem me lembrava da última vez que tinha feito um post mais pessoal aqui no blog (talvez tenha sido este da faculdade). Não sou fã de expor toda a minha vida publicamente, mas bolas, sem falar um bocadinho do meu lado pessoal, este blog quase que podia pertencer a outra pessoa com os mesmos interesses que eu.
  2. ando a falhar imenso no que diz respeito a manter contacto com as “minhas pessoas” e, quando estabeleço o contacto, raramente dou pormenores sobre a minha vida. Não é por mal, nem sei porque é que o faço, só sei que cada vez me tenho fechado mais (tal como aqui no blog).

Em geral, as pessoas sabem que fui aqui e ali (porque vêem no blog), que fiz isto ou aquilo, mas a um nível mais pessoal não sabem nada. A culpa não é delas, mas sim minha que não conto nada. Parto sempre do princípio que já sabem tudo o que é importante saber sobre mim e pronto, deve chegar.

Mas não é verdade e é assim que uma relação de intimidade passa a ser uma de circunstância. Não é isso que quero, por isso fica aqui o início de algo, chamemos-lhe, o abrir das copas (em oposição ao “fechar-se em copas”, que foi o que eu fiz).

A partir de agora, vou tratar desta parte mais negligenciada da minha vida e das minhas relações pessoais. Falar mais com as pessoas sobre outros aspectos da minha vida. Aqui no blog, vou fazer um esforço semelhante, mas adequado à esfera pública, até porque há pessoas com quem falo através deste blog e que já sinto que conheço minimamente bem. Agora, gostava que sentissem o mesmo em relação a mim.
Traduzindo, podem esperar posts pessoais com maior frequência da minha parte. Não sei se é algo que vos interessa, mas é algo que sei que me vai fazer bem. 🙂

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5 Comments

  1. Laura Azevedo says:

    Reflectir é bom. Especialmente quando se chega a conclusões positivas, apesar de tudo — e não há nada de dramático neste “apesar de tudo”. Parabéns. E venham daí os posts mais pessoais. Beijinhos, Catarina

    1. joan of july says:

      Concordo, Laura! E só ao reflectir é que nos apercebemos de que existem arestas a limar, certo? Mesmo que não existam, é sempre um bom exercício de auto-reconhecimento. 🙂 Obrigada, querida. *

  2. Marta Chan says:

    Adoro! Adoro! Adoro! *aplausos* gosto do pensamento do saber que algo está errado e tentar arranjar soluções praticas. Vale a pena chorar pelos cantos e não fazer nada quanto ao assunto? Pior, fugir dele ao invés encarar de frente e lutar pela nossa felicidade?

    Toda a minha vida encarei os problemas como desafios. Por vezes acontecem nos coisas menos boas na vida que não estávamos a espera, por vezes até vem aos pares. No início há aquele mau estar, dor no peito e no coração para depois levantar a cabeca e ir a luta, mais ninguém fará isso por nos.

    E sim, não percas os laços afectivos com os teus amigos do coração, partilha a tua vida com eles, desabafa aqueles momentos difíceis, chora, RI e não te feches ao mundo, jamais. Venham daí esses posts pessoais! Já disse que adoro?

    1. joan of july says:

      És cá das minhas, Marta! E é como digo: a maior parte dos nossos problemas são facilmente resolvidos por nós (e causados também, às vezes), por isso temos mesmo que arranjar soluções práticas, porque mais ninguém as vai arranjar por nós. 😉

      Vêm mais posts, sim. 😉 E obrigada!! Fico super contente que alguém aprecie este tipo de posts por aqui. Eu, deste lado, adoro escrevê-los. 😀

  3. Inês Silva says:

    Eu acho que se consegue ser pessoal sem ser demasiado exposto 🙂 Acho que encontrarás esse equilíbrio! É complicado manter contacto e contar das nossas coisas a quem gostamos com regularidade e não ficar com a sensação que talvez estejamos a gastar muito tempo não sei :\

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