Provincial life

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Acredito que quase toda a gente tem fantasias ou daydreams sobre mudar de vida. Eu bem sei que tenho. Há pessoas que sonham mudar de carreira, de lançar o próprio negócio e viver dele. Outras que sonham em viajar a tempo inteiro e como modo de vida.
Eu, por outro lado, dou por mim a sonhar acordada com uma vida mais… simples.

Guardemos as discussões que os meus amigos e namorado adoram, mais concretamente sobre se aguentaria uma vida assim ou não. A realidade não é para aqui chamada.

Acontece que, por vezes, imagino-me a mudar-me para uma casinha pitoresca numa aldeia, vila ou – vá – numa cidade mais pequena. A visão que tenho mais vezes é a de uma casa, com um lado e floresta à volta, em que os meus dias oscilariam entre o tempo que passaria a escrever os meus livros, a cuidar da minha loja de produtos naturais (sabonetes, cremes e óleos naturais extraídos das plantas locais, claro), o tempo a passear no meio da natureza e a falar com os locais, os meus vizinhos.

Sim, pronto, uma espécie de Shire, se precisarem de um auxílio visual para chegar mais ou menos à visão que tenho. É também um pouco como a Belle faz aqui:

Toda a gente se lembra desta cena d’A Bela e o Monstro? Eu sinto precisamente o contrário da Belle.

Há precisamente 8 anos passei uns dias com a minha mãe e o meu irmão em Chaves. Chaves, que nem é uma vilazinha. Mas houve algo tão… relaxante durante esses dias que nunca consegui esquecer essa sensação. Foi o mais próximo que me senti da vida que a Belle descreve na música acima, mas em bom.

Achei verdadeiramente que era capaz de viver assim, no centro de uma cidade como Chaves, ou até mesmo Ponte de Lima, que também já visitei tantas vezes.
Mas sei que, fosse onde fosse que vivesse, tinha que estar perto de:

  1. uma floresta
  2. montanhas
  3. um rio
  4. do mar

Adoro florestas, mas na verdade não sei como viveria uma vida inteira longe do mar. Ainda hoje sinto que vivo demasiado longe do mar quando estou em Lisboa. Engraçado que no Porto não sinto isso. Talvez porque lá, a minha casa fica perto da Foz e consigo ver o mar (ainda que de longe) pelas janelas.

A bem verdade, também não sei se conseguiria viver numa cidade calminha para sempre, mas durante uns tempos, tenho a certeza de que me saberia a mel.

Enfim, hoje deu-me para isto. Pronto, não foi só hoje, dá-me para isto muitas vezes. Também vos acontece? Já sentiram este desejo de fuga da vossa cidade rumo um estilo de vida mais calmo e pitoresco? 🙂

16 Comments

  1. Marta Chan says:

    Heeee acho que esse e mesmo o meu passatempo preferido, inventar novas realidades. Mas penso que vou acabar por comprar um terreno, construir a minha propria casa com materia organica, comer do que planto, assim pertinho do mar e de uma cidade com tudo o que preciso, incluindo workshops, formacoes e algumas festas.

    Por vezes tambem me imagino com o meu proprio negocio, ja pensei em mil coisas diferentes e quando estou no auge da minha criatividade acabo por meter tudo em papel, nunca se sabe ne? Hehe

    Quando crescemos habituadas a ver o mar com regularidade custa estar longe dele, nao achas?
    Adorei as fotos, nao tinha a nocao que Chaves era tao pitoresco =)

    1. joan of july says:

      Gosto desse teu plano de vida, Marta! E com as tuas viagens quase nem precisas de inventar nada, porque tens a oportunidade de experimentar várias realidades em primeira mãe, verdade? 🙂
      É mesmo assim como dizes: quando se cresce perto do mar, é tortura estar longe dele.

      Sim, Chaves é uma cidadezinha muito pitoresca e simpática. Quero muito voltar lá em breve, nem que seja um fim de semana.*

  2. Marta Chan says:

    * material organico

  3. Catarina says:

    Engraçado estar a ler este teu post e pensar que sítios desses para mim funcionariam na perfeição para férias, mas dificilmente me habituaria a um dia-a-dia mais prolongado numa realidade como a que aqui descreves. Preciso muito do rebuliço, de sentir que tenho muitas opções ao pé de mim (mesmo que acabe por pouco usufruir delas) e que está tudo à distância de uma viagem de metro ou autocarro… sou como a Bela, e prefiro o tal ‘mundo bem mais amplo’ 🙂

    1. joan of july says:

      Pois, eu também falo falo e também não sei se conseguiria viver assim para sempre. Na verdade, nunca vivi sem o rebuliço de que falas, por isso gostava tanto de ter uma base de comparação. Eu também estou muito mal habituada com esta vida de cidade em que tudo está aqui ao lado. Ia ser uma experiência gira viver num meio mais pequeno durante algum tempo, pelo menos para tirar teimas. 😛 Quem sabe, um dia 😉

  4. Inês Silva says:

    Gosto, sem dúvida, de fugir para um sítio desses (e ultimamente tem me apetecido imenso), mas nunca por muito tempo :p Gosto muito do Porto e do anonimato que uma cidade pode ter 🙂

    1. joan of july says:

      Também adoro o Porto (até porque é a minha cidade) e lá sinto-me mais sossegada do que em Lisboa, mas também porque não vivo ou trabalho lá, senão acho que era quase o mesmo, mas em ponto mais pequeno. 😛

  5. Analog Girl says:

    Epá, sempre!
    Uma das minhas fantasias é a cidadezinha do “Ghost whisperer”, consegue reunir quase todos os aspectos que adoraria numa small town life. E sim, acho que seria capaz de te ruma loja de antiguidades também. 🙂
    E também me apaixonei por Chaves quando lá fui, há algo de muito pacífico e tranquilo naquele ambiente (sem falar no castelo, claro!)

  6. Epiphanies on the way to Arthur's Seat, Edinburgh – personal / lifestyle /DIY says:

    […] É incrivelmente difícil para mim explicar o que senti. Foi um momento inesperado, mas que criou um impacto em mim que só posso descrever como “epifania”. Foi um momento “ah-ah!” em que senti aquilo que procurava quando escrevi este post. […]

  7. What I've learned from Disney songs as an adult says:

    […] ano escrevi um post que mencionava esta mesma […]

  8. Rita says:

    Quando olhei de repente achei que era Évora…mas é Chaves! É TÃO BONITO! Tenho mesmo de conhecer porque estas imagens estão tão bonitas!
    Eu também tenho esses desejos de sair da cidade mas em vez de ir para uma vilazinha tinha de ficar perto do Mar: ou na Ericeira, ou na costa vicentina 😀

    1. joan of july says:

      Chaves e Ponte de Lima, sim. 😀 Também adoro Arcos de Valdevez e Paredes de Coura, assim mais por aqueles lados.
      Eu amo o mar, mas perto dele já tenho um refúgio em Ferragudo, no Algarve. 😀
      Gosto muito da Ericeira também; a Costa Vincentina nunca explorei, o que é uma pena e tenho que mudar isso muito em breve!

  9. Vânia Duarte says:

    Oh e se eu te disser que o meu maior sonho é gerir uma pequena quinta biológica com 3-4 quartos no máximo onde o foco principal seria o mindfulness e a descoberta interior, com oferta de terapias, yoga e meditação? No fundo um daqueles sítios onde pudesses mesmo fazer um retiro. Há anos que penso nisto e este ano que passei a passagem de ano numa quinta perdida no gerês exactamente do tamanho que eu gostava ainda me aguçou mais a vontade. Quanto ao mar eu entendo-te e é exactamente a razão porque eu não vivo em Lisboa. Sempre que digo que moro na Parede a maior parte das pessoas pergunta-me porquê e se não gostava de morar em Lisboa, mas a verdade é que eu não sinto que esteja longe e nada paga o prazer de poder abrir a janela e ter o oceano mesmo em frente, de nunca ter problemas para estacionar, de poder treinar na praia e assistir a nasceres do sol incríveis e acima de tudo de sentir uma certa leveza que Lisboa não tem e nunca terá. Eu amo Lisboa mas dificilmente viveria nela 🙂

    1. joan of july says:

      Acredito que esse seja o teu sonho e acho que tem tudo a ver contigo, Vânia! 😀 Eu uma quinta não pedia (aliás, tenho uma no Norte também), mas queria uma casa de férias num destes sítios mais provinciais. 🙂
      E concordo com o que disseste sobre o mar. Mesmo vivendo em Lisboa, vivi ainda mais anos no Porto (a minha cidade-Natal), onde tinha o mar tão perto e visível da janelas de alguns dos quartos de casa da minha mãe. Não muito perto, mas perto o suficiente para se ver. Em minutos punha-me na praia/Foz. Saudades disso… Preciso tanto do mar às vezes!

      1. Vânia Duarte says:

        Sabes quando eu trabalhava em Lisboa uma das coisas que mais me dava prazer era o caminho pela marginal, o poder durante vários kms conduzir lado a lado com o mar e a verdade é que tirando um ou outro dia raramente apanhava trânsito caótico. Hoje em dia trabalhando perto de casa acabo por ter um prazer ainda maior ao viver nesta zona 🙂
        Vânia Duarte recently posted…28 Coisas Que Estou Grata em FevereiroMy Profile

        1. joan of july says:

          Eu gosto de morar em Lisboa, mas se morasse na Parede, Cascais, etc., acho que ia ser feliz na mesma, talvez mais até. Estar próximo do mar é realmente uma bênção.

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