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Quando a nossa cidade muda sem que estejamos lá para ver (e sobre a resistência às mudanças)

Quando a nossa cidade-mãe muda algo nela sem que lá estejamos para ver ou, no mínimo, para dar a nossa opinião é um bocado como se alguém mudasse de sítio a nossa mobília de casa sem nos perguntar primeiro, porque acha que assim é que faz sentido segundo o Feng Shui.

O Porto possui uma magia especial, quase como se fosse uma terra encantada. Não vou dizer que é algo que só os habitantes e naturais da cidade conseguem ver, porque se isso fosse verdade a cidade não estaria repleta de turistas. Eu vejo-a de uma forma claríssima, ou não tivesse nascido e sido lá criada durante tantos anos, mas também consigo ver como tem mudado ao longo dos anos.

Sei que está na moda queixarmos-nos da enorme afluência de turistas em particular no Porto, em Lisboa e no Algarve, mas a verdade é que este novo fenómeno de turismo obrigou as cidades a adaptarem-se, a melhorar acessos, estruturas, transportes (ainda que não seja fã de Tuk-Tuks nem em Lisboa nem no Porto, mas entendo) e até o seu aspecto.

No fim de semana deste mês em que estive no Porto apercebi-me do quão diferente está em relação a como era quando o deixei para vir para Lisboa.
As mudanças não foram repentinas, mas forcei-me a comprar pela primeira vez o Porto de 2017 com o Porto de 2005 e a diferença é colossal. Para melhor.

Sim, é verdade que muitas lojas de rua fecharam ao longo destes anos, mas outras abriram. Houve uma altura em que ninguém fazia compras na rua, preferindo os centros comerciais, mas hoje o comércio local está a voltar, com especial ênfase no artesanato.
Outra coisa que mudou, foi que zonas da cidade que pareciam completamente negligenciadas, receberam agora nova vida com obras ou pequenas alterações, ainda que eu não consiga perceber bem quais.

Estes pensamentos sobre mudança não vieram do nada; No fim de semana de 12 e 13 de Maio, cheguei ao Porto numa sexta-feira à noite, mas o meu autocarro da Rede Expressos não seguiu para a garagem do costumo, mas antes para uma nova (ou renovada) no Campo 24 de Agosto (um desses sítios do Porto que tinha muito mau aspecto até há não muito tempo atrás).
Por um lado, a nova garagem tem muito melhor aspecto e é mais prática e moderna, para além de que gosteiPo de ver que o Campo 24 de Agosto tem todo um novo (e melhor) aspecto. Por outro lado, a parte de mim agarrada ao passado e resistente à mudança, pensa em tudo o que já viveu por intermédio da Garagem Atlântico (a que fechou); todos os encontros, o início da história com ele, quando ainda namorávamos à distância, as chegadas a casa depois de semanas cansativas em Lisboa,… Enfim, deixará várias e boas memórias.

Mas nem sempre o que é passado é melhor, não é verdade? Eu tenho uma enorme dificuldade em perceber se sou uma pessoa adversa a mudanças (exhibit A) ou se me adapto bem às mesmas, mas a única resposta que encontro é que sou um misto de ambas as reacções.

Em Agosto custou-me mudar de casa, mas a verdade é que, ainda que às vezes tenha saudades da casa “antiga”, estou melhor nesta, sem dúvida nenhuma. Custa-me pensar que há um ano atrás eu morava e trabalhava em sítios (geograficamente) diferentes. Custou-me mudar de local de trabalho (não de emprego, mas de local de trabalho) para mais longe, custou. Custou-me saber que nunca mais foi desembarcar na Garagem Atlântico.

Mas, no final, quando me apercebo que a mudança se traduz numa melhor qualidade de vida e que as mudanças estão sempre ligadas a outras alterações mais profundas, então fico bem. O problema é quando se sofre por antecipação, porque às vezes não conseguimos visualizar o benefício que uma mudança – por mais pequena que seja – trará à nossa vida. E isso é normal. Às vezes não dá mesmo para ver. Em vez disso, tem que se viver a mudança e deixá-la acontecer para que comecemos a sentir que esta valeu a pena e que só nos vai fazer bem.

 E vocês? São resistentes à mudança ou estão sempre prontos para o que der e vier? E – malta do Porto -, sentem o mesmo?

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7 Comments

  • Reply
    Filipa M.
    22/05/2017 at 12:34 PM

    Como te percebo, Catarina! Este Natal estive uma semana inteirinha de férias no Porto. Fiquei em casa de uma amiga mesmo na baixa e lembro-me que fui passear para a zona da Ribeira e vi aquilo repleto de turistas e comparei, dentro da minha cabeça, com a mesma semana de 2006, exatamente 10 anos antes, quando eu e o R. namorávamos há um mês, fomos para lá passear e apenas se via mais uma ou dias pessoas (literalmente) para além de nós. É mesmo muito estranho, mas até gostei de ver a cidade assim animada e cheia de movimento 🙂
    Filipa M. recently posted…Pós-graduação em Marketing Digital (Lisboa)My Profile

    • Reply
      Catarina Alves de Sousa
      22/05/2017 at 12:38 PM

      Que engraçado termos pensado no mesmo! Mas é inevitável, não é?
      Eu também adoro ver o Porto cheio de pessoas, especialmente à noite quando antigamente não se via praticamente ninguém! 🙂

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    Joana Sousa
    22/05/2017 at 12:45 PM

    Estou contigo! Estou tão contigo que na próxima publicação no blog também abordo ligeiramente este assunto – é daquelas coisas que me enche o coração, honestamente. Queixem-se quanto quiserem, mas ninguém me convence que a mudança não foi para melhor. A cidade estava a morrer, e agora está cheia de vida! E isso só pode ser bom, tanto a nível económico, como de segurança, como de vivência da própria cidade.
    Joana Sousa recently posted…Foodie | A Rota de Tapas está de volta!My Profile

    • Reply
      Catarina Alves de Sousa
      22/05/2017 at 12:52 PM

      Oh, a sério? Quero muito ler, especialmente porque será a perspectiva de alguém que efectivamente vive a cidade diariamente! 😀
      Ora, agora é que disseste tudo! A mudança foi para melhor e o ambiente é tão, mas tão melhor também. Sinto-me mais segura na cidade, sem dúvida nenhuma, e fico feliz da vida quando vejo que recuperaram edifícios e que agora são bares, restaurantes ou lojas.
      Há lá alguma coisa melhor que ver a nossa cidade a renascer? 🙂

  • Reply
    Ana
    22/05/2017 at 12:51 PM

    Não sou nativa do Porto, mas cheguei lá com 6 aninhos e só saí quase 10 anos depois. Há quase outros 10 anos que deixei de viver na cidade (volto lá com relativa frequência) e se há coisa que me impressiona é como a cidade mudou na última década. E é como dizes: mudou para melhor. A cidade ganhou uma vida incrível! Ainda que me chateie não poder entrar na Lello (onde antes ia com a minha mãe tantas vezes comprar livros) a não ser que queira enfrentar uma multidão de gente, entre outras pequenas coisas, fico feliz por ver um Porto tão colorido e cheio de gente. É que ainda me lembro do tempo em que tínhamos de ter cuidado se íamos para a Ribeira – e agora está com uma dinâmica indescritível! Não sou nativa nem tenho esse sentimento pelo Porto. Estive lá quase 10 anos da minha curta vida, mas nunca lhe chamei casa. No entanto, o carinho que tenho pela cidade faz com que fique feliz de cada vez que a vejo crescer e transformar-se em algo melhor 🙂
    Ana recently posted…Como encontrar alojamento barato no BookingMy Profile

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    Catarina Gralha
    23/05/2017 at 3:13 AM

    Sei que o Porto está diferente, mas nunca acompanhei de perto as mudanças. Fui lá algumas vezes, mas nunca estive tempo suficiente para me aperceber disso. No entanto, posso fazer um paralelo com Lisboa. Também ela está diferente, mudou um pouco ao longo dos anos, na maior parte dos casos para melhor. Noutros, nem tanto. Um exemplo disso é o mercado de arrendamento e o alojamento para turistas. Sim, os turistas são bons para a economia, mas não tanto para quem vive na cidade. Se queres viver no centro de Lisboa (e acredito que no Porto seja um pouco o mesmo), não podes porque 1) as rendas são estupidamente elevadas e 2) as casas que podiam estar para arrendar, são Airbnb ou hostels.

    Em relação às mudanças propriamente ditas, e já que fizeste a pergunta… No geral, estou pronta para o que der e vier 😀 Claro que há coisas que gostava que continuassem na mesma, mas se mudarem eu consigo-me adaptar facilmente.
    Catarina Gralha recently posted…Descobrir Listvyanka e o Lago Baikal, no sul da sibériaMy Profile

  • Reply
    Inês
    29/05/2017 at 11:22 AM

    A Garagem Atlântico fechou? Passei à frente daquilo anteontem e não vi?
    Custa-me um bocadinho estas coisas, e acredita que se passar duas semanas sem por pé na baixa noto logo, a velha chata em mim sai logo pra fora!

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