NOS Alive 2016: opinião sincera

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Ainda hoje, após já ter assistido a centenas de concertos ao longo da vida, fascina-me o poder que a música tem de levar multidões a um só espaço, onde sacrificam o próprio conforto e, por vezes, a saúde, pela oportunidade de ver ao vivo os seus ídolos. Mas valerá a pena? E será que a organização dos festivais faz os possíveis para diminuir o desconforto dos festivaleiros e melhorar a experiência dos seus clientes? Sim, que no fundo somos é clientes dos festivais, não é verdade?
Como sabem, assisti a três dias de concertos no NOS Alive nesta edição que marcou também o seu 10º aniversário e tenho algumas coisas a dizer sobre a experiência.

Para começar, devo constatar que esta foi a minha 4ª vez no Nos Alive, ou seja, conheço-o desde que de chamava Optimus Alive, tendo a minha primeira visita sido em 2007, quando a banda que mais queria ver era The Used. Bons tempos. 😀
Desde então já vi bandas como Pearl Jam, Metallica, Machine Head, Mastodon, Arctic Monkeys, Interpol e muitas outras pisar o palco do – agora – NOS Alive e digo-vos: em termos de cartaz o Alive não me tem decepcionado nadinha!

Mas… e quando apenas a qualidade das bandas não compensa o dinheiro dos bilhetes? Foi o que senti este ano. Mas vou ser sincera, o mais imparcial e justa possível nesta avaliação do NOS Alive 2016.

O melhor

O cartaz

De facto, a qualidade das bandas que têm vindo a convidar de ano para ano é indiscutível, quer se goste ou não. Este ano fui atraída pela presença dos Pixies, Radiohead, Tame Impala e Arcade Fire, acima de tudo. Pelo meio, tive grandes surpresas de bandas que fiquei a conhecer melhor e de outras que achava que nem seriam nada de especial ao vivo, mas que me provaram o contrário, como é o caso dos The Chemical Brothers.

mais áreas de entretenimento

Para além das bandas, constatei que houve um esforço por parte da organização para aumentar a área de conforto para as pessoas se sentarem com a adição de um tapete a fingir de relvado junto ao palco Heineken. Também é de louvar o facto de terem tentado dinamizar ainda mais o festival ao oferecer alternativas para os “tempos mortos” como comédia stand up e o EDP Fado Café. Ok, não são bem a minha praia, mas achei interessante terem criado estas alternativas e divertimentos à parte dos concertos mais esperados.

público diversificado

Outro ponto positivo – para mim – nesta 10ª edição do NOS Alive é o facto de terem misturado bem as bandas do palco principal em termos da faixa etária dos espectadores. Ou seja, ao contrário do que verifiquei noutras edições em que estive presente, não houve uma data de bandas “para pitas” assim seguidas no mesmo dia, o que resultou num público diversificado e equilibrado. Havia bandas para os pais, os filhos e todas as faixas etárias. 🙂

o tratamento a pessoas com necessidades especiais

Gosto muito do facto do festival disponibilizar áreas para que quem anda em cadeiras de rodas consiga ter visibilidade para o palco e louvo o facto de haver uma área para futuras mamãs. Contudo, e apesar disto tudo, fora do recinto a história pode ser outra se estas pessoas vindo de carro e deixado do outro lado da linha do comboio, uma vez que vão ter que passar pelo acesso da CRIL até aos carros na mesma (20-30 minutos).

O pior

Nem sei por onde começar… Ou melhor, até sei. Vou começar desde o momento antes de entrar no recinto.

a segurança… ou a falta dela

À luz de acontecimentos violentos um pouco por todo o mundo em situações e locais onde se agrupam milhares de pessoas (aka. atentados), é normal estar muito mais paranóica do que aquilo que estaria caso os mesmos não tivessem acontecido. Mas aconteceram e não há nada que o possa mudar. Agora, eu achava que a segurança ia ter isso em conta e revistar as pessoas como deve ser. Achei que iam estar lá cães e detectores de metais e não vi nada disso. A mim, pelo menos, nem sequer me revistaram fisicamente (não que goste nem que eu represente algum perigo, mas se não me revistaram a mim, certamente também não revistaram muita gente) e só no último dia é que realmente me revistaram a mochila que eu levava.

claramente venderam bilhetes a mais…

Nos alive festival was brilliant #portugal #nosalive #arcadefire #foals #chemicalbrothers

Uma foto publicada por Ry Ashworth (@ryanash9) a

Pensei que eu e o meu grupo é que tínhamos ficado com esta sensação, mas não. Ao ir ver a página do NOS Alive no Facebook, constatei que, de facto, muitas mais pessoas sentiram (e viram o mesmo). Eu senti-o especialmente quando, após concertos no palco principal, tentava deslocar-me para o palco Heineken. O mar de gente que se formava no caminho para lá era inacreditável. Cheguei a sentir-me claustrofóbica, eu que nem tenho problemas desse género. Horrível, simplesmente horrível. Perdi imensos concertos por não conseguir mexer-me sequer para me deslocar para outro palco. Isto é absolutamente bizarro para mim… Nunca tive uma experiência destas em mais nenhum festival mainstream como, por exemplo, o Sudoeste, Paredes de Coura ou sequer o Super Bock Super Bock.

a questão da água

Sim, é normal os preços da bebida e comida serem altamente inflacionados dentro dos recintos dos festivais. Já o sei há muitos anos e vou mental e financeiramente preparada para isso. Para isso e para o facto de não nos deixarem entrar com bebidas ou mesmo garrafas vazias. Também sei que retiram as tampas das garrafas quando as compramos no recinto. Para que conste, acho isso simplesmente cruel. Não só nos obriga a passar a vida a comprar bebidas por termos que as beber à pressa (já que não temos onde as guardar) antes dos concertos – que é o objectivo dos festivais e dos fornecedores -, como nos priva de um direito essencial.

o som

Glitter sky 🙌🏻🎉 @erinannie88 #tameimpala #nosalive #portugese👙

Uma foto publicada por Holly Marke (@hollymarke) a

Não foi a primeira vez que tive problemas com o som durante um concerto no Alive, mas este ano o problema foi mais duradouro. Pessoalmente, passei-me um bocado com o som terrível durante a actuação dos Pixies, mas concedo que parte do problema possa ter residido no vento forte desse dia. Porém, já muitas pessoas na página de Facebook do Alive se queixaram do mesmo problema do som durante muitos outros concertos no palco principal. Hmm… se calhar afinal grande parte do problema não é do vento.

os acessos após a saída do recinto

E não é que este ano se lembraram de fechar o túnel que faz o acesso por debaixo da linha do comboio? No primeiro dia não sabíamos disto, portanto fomos para o Alive felizes da vida por termos deixado o carro relativamente perto do recinto. Para lá, passámos pelo túnel na boa, agora o regresso… ui, no regresso já nos obrigaram a dar uma volta descomunal pela CRIL (20 a 30 minutos a pé numa marcha infernal de zombies-festivaleiros). Acham isto normal? Um percurso enorme após um dia duro de festival!
Compreendo que possam existir problemas de segurança durante a saída dos festivaleiros no túnel, mas porque não colocar polícia lá e deixar apenas passar as pessoas aos grupos para não se atropelarem? Aqui a crítica não deve ser bem para a organização do festival, mas sim para a PSP.

Conclusão: o Alive vale o preço?

O Alive já foi um grande festival, acreditem. Se, se formos a julgar apenas pelo lineup do festival, eu rapidamente diria que sim, que vale o investimento para ver tanta banda boa de uma só vez. Porém, tendo em conta tudo o que indiquei neste post, a resposta terá que ser alterada para um não, não se o puder evitar. Porquê se posso ver na mesma as bandas? Ora, porque tenho plena consciência de que não desfrutei tanto dos concertos como gostaria pelas condicionantes acima mencionadas. Sim, vi as bandas que queria, mas não sem – simultaneamente – me preocupar com a segurança e eventuais riscos, sem dar por mim desidratada e não sem estar preocupada com o facto das dores de pés e costas (normais durante os festivais, aqui não era uma crítica ao Alive, ok?) se irem intensificar durante a longa caminhada que teria de fazer até ao carro.

Não pensem que, por esta crítica, odiei completamente o festival, sim? Eu adorei a música, as bandas, o ambiente em geral e o convívio! Agora, tenho já ido a outros festivais, não considero que para condições destas sejam bem empregues os quase 120€ que paguei pelo passe dos três dias. E – muito sinceramente – estava à espera de bem melhor nesta edição que marcou os 10 anos do festival… Espero sinceramente que a organização do NOS Alive leia as críticas que estão a aparecer em massa no Facebook deles.

Outra conclusão a que chego é que gosto cada vez mais de festivais não mainstream. Meu rico Reverence Valada… ;_;

E vocês, estiveram no NOS Alive este ano? De que é que gostaram mais? E menos?

5 Comments

  1. Carolina Santiago says:

    A questão da água e da bebida em pacotes de cartão é das coisas que mais me revolta. Aconteceu-me o mesmo no sbsr e ontem deixei-lhes uma mensagem no facebook a pedir para deixarem os preços da água mais baratos ou então permitirem os pacotes de cartão. É vergonhoso não deixarem um bem essencial entrar e nem sequer sabem a necessidade que algumas pessoas, como eu, que tenho sempre a tensão baixa, precisam de açúcar e bebida para estarem bem… Mas pronto, é daquelas coisas que nunca vai mudar.

  2. Diana Lopes says:

    O ano passado também não percebi essa volta ridícula que tínhamos de fazer pela CRIL mas acho que como só aconteceu no dia de Muse (penso ter sido o primeiro dia) nem houve muitas queixas pelo menos que eu reparasse. É ridículo, mais o tempo de espera dos taxis! Este ano não fui, tenho pena mas mais virão.

    Beijinhos

  3. A Polegarzinha says:

    Um excelente resumo de opinião.
    No entanto, este ano fiquei com pena de não ter ido ao alive…
    Pelos Radiohead!

  4. Helena dos Santos Pereira says:

    Este foi o meu sexto ano consecutivo no Alive e concordo com algumas das coisas que disseste. O cartaz estava excelente, minha nossa! E penso que, tal como referiste, as bandas estavam bem distribuídas de forma a criar públicos diversificados.
    Quanto à relva: eu não achei piada. É verdade que é bom para sentar, mas logo no primeiro dia havia partes em que ela já estava enrolada e era uma excelente forma de dar um trambulhão.
    O preço das bebidas é mesmo caro, mas este ano eles estavam a deixar entrar com as garrafas de água (pelo menos ao meu grupo deixaram sempre), embora sem a tampa, claro (embora haja sempre forma de entrar com elas escondidas). E concordo que a segurança estava do pior que vi nestes 6 anos. No primeiro dia limitaram-se a perguntar se eu tinha alguma lata, eu disse que não, e mandaram seguir. Fiquei boquiaberta!
    Quanto ao número de pessoas: não venderam bilhetes a mais, simplesmente esquecem-se da quantidade de bilhetes que oferecem a marcas, bloggers, famosos, etc., e que conta para o nº de pessoas que se desloca. O número total de bilhetes vendidos dava 55 mil pessoas, bem menos do que quando, em 2011, vi os Coldplay, sendo que nesse ano puseram mais 10 mil bilhetes à venda e eram 65 mil pessoas.
    Achei que a nível de filas para concursos, comida e bebida este ano estava muito melhor. Lembro-me que em anos anteriores cheguei a passar mais de uma hora numa fila para pedir comida e este ano, pelo menos a mim, isso não aconteceu.
    A ida pela CRIL eles já fazem desde o ano passado. Por um lado percebam que o façam, mas não dá vontade nenhuma de subir aquilo tudo depois de estar imensas horas de pé. Mas também só o fazem em momentos mais críticos: no segundo dia saí de lá às 4 da manhã e deixaram passar pelo túnel sem problemas.
    Acho que o que este ano falhou redondamente foi mesmo os transportes. Havia muito menos autocarros do que nos anos anteriores e os que apareciam iam sempre para o mesmo sítio.
    Apesar de ter pontos negativos, continua a ser o meu festival preferido. Gosto imenso do ambiente, do local e o cartaz agrada-me sempre.

    Bem, desculpa lá este testamento, ahah. Mas gosto sempre de falar do Alive.

    Lena’s Petals xx
    Helena dos Santos Pereira recently posted…NOS Alive 2016My Profile

  5. Rick says:

    É sempre bom quando se tem um público diversificado. Isso gera oportunidades, tanto para as bandas de atingir um novo público, quanto para o público de apreciar novos sons!

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