O meu dia não tem mais horas do que o teu (e chega para tudo)

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Ora cá está algo que já não fazia há muito tempo neste blog: um desabafo. Parece que já nem sei como escrever um post mais pessoal, mas à medida que as letras vão enchendo esta página – outrora em branco -, a parte do meu cérebro que contém o tutorial de “como escrever posts pessoais” começa a desbloquear.

A razão que me leva a querer, ou melhor, a precisar de escrever este post é a maçã envenenada com que tanta gente me presenteia quando me dizem:

“Parabéns por […]! Também gostava tanto de fazer […] como tu. Se ao menos tivesse o teu tempo/vida…”

Normalmente dizem-me isto no chat do Facebook e a minha expressão é sempre, mas sempre esta:

Creio que não o fazem por mal (acho eu!), mas a verdade é que – migos e migas – pouca coisa me ofende mais que isto. Reduzir os meus sucessos ao encontrar explicação no meu suposto tempo livre é insultuoso e, lá está, redutor. Ainda para mais porque não sonham sequer como são os meus dias, quanto muito o tempo que tenho ou não disponível. E é daí que vem o título deste post: o meu dia não tem mais horas que o teu, sabias?

Vejamos:

    1. Tenho vida amorosa (há longos anos e going strong);
    2. Tenho vida social e familiar, que inclui saídas à noite, passeios, e até – às vezes – viagens;
    3. Vou ao ginásio (tento ir três vezes por semana; esta semana está a ser complicado, mas se só for duas também ninguém morre por isso);
    4. Tenho um trabalho a full-time;
    5. Trabalho no duro para fazer do Bloggers Camp um evento inesquecível e para se tornar em algo para além desse evento (novidades sobre isso ainda chegarão). Nesta tarefa não estou sozinha, o que ajuda bastante. Estou com a minha Ana e com a minha Cat, caso contrário seria impossível fazer isto sozinha neste momento;
    6. Continuo a marcar sessões fotográficas ocasionalmente para melhorar a minha fotografia;
    7. Tenho um projecto de escrita, o CPR – A Reanimação da Escrita que vai passar agora a ter mais encontros físicos;
    8. Continuo a trabalhar para a NatusPurus em moldes completamente diferentes este ano, no qual estamos a apostar forte e feio na legalização da nossa produção artesanal e estamos até a estudar a possibilidade de abrirmos uma loja física;
    9. Estou a fazer um curso de Escrita Criativa com a Helena e a apostar cada vez mais na minha escrita, mesmo fora do CPR;
    10. Tenho este blog no qual publico cerca de 4 a 5 vezes por semana;
    11. Vejo séries, filmes e até tenho ido mais ao cinema agora (e a concertos);
    12. Leio cerca de uma hora por dia, mesmo antes de dormir;
    13. Durmo cerca de 8h/7h30.

(ahahaha just kidding, but my love for Ms. Cookie Lyon is fo’ real)

E sim, o meu tempo chega para tudo. Se tenho segredos para conseguir encaixar tudo? Não, nada é segredo. Não é segredo que tenho empregada e que é logo uma grande ajuda, pois não tenho que me preocupar com muitas tarefas domésticas para além de cozinhar (às vezes é o meu namorado que cozinha) e de tratar da limpeza das caixas dos gatos (outra tarefa a meias). Também ainda não tenho filhos, mas também não seriam eles a tirar-me a ambição. Conheço imensas mães com vidas muito parecidas com a minha em termos de vida social e projectos/trabalho, por isso nem vamos por aí.
Se calhar tenho é o dom da gestão de tempo. Ahahah
Não, a sério, a gestão de tempo é TUDO. Eu não faço cada uma daquelas coisas da lista ali de cima TODOS OS SANTOS DIAS. Também não quero dar um maluca. Mas todas têm o seu tempo  na minha semana e há dias em que, à noite, depois do meu trabalho principal, me dedico a uma só coisa (mesmo quando vou ao ginásio): ou responder a emails e fazer conteúdos para o Bloggers Camp, ou a escrever aqui para o blog ou outra coisa qualquer.

Uma coisa que aprendi em relação ao blog foi a adiantar “trabalho”. É comum aos domingos preparar dois ou três posts para a semana, ainda que sejam apenas as fotos. Gasto bastante tempo a editar fotos, mas faz parte e eu adoro!

Outro “segredo” que não o é e que explica porque consigo fazer tudo é – simplesmente – porque adoro tudo o que faço. Porque me sinto mais desafiada, inspirada e cheia de vida. Quanto mais faço, mais energia tenho, faz sentido?

Não quero, com isto, “sacar” elogios de espécie alguma. Não sou inspiradora, nem corajosa nem nada disso. Tudo o que faço é normal, é para mim e só o faço porque gosto. Não quero elogios, quero que me respeitem e – como diz alguém muito sábio que conheço – me deixem viver. Se querem mesmo elogiar-me, façam-no sem aludir ao tempo livre que possam achar que eu tenho.

Entendido?

A gerência agradece e pede desculpa por qualquer coisinha se este post se tiver assemelhado a um “rant”. Mas sinto-me mais aliviada agora.

(junto à minha lista de tarefas de hoje: ir tratar de renovar o passe ASAP).

Ok, agora vamos lá trabalhar.

25 Comments

  1. Joana Sousa says:

    Oh pá que bom que é ler isto 😀 por acaso com essa do tempo ninguém me atira, provavelmente porque tenho tendência a ser muito rabugenta e a atirar com a minha to-do list para cima de quem tenta insinuar que tenho muito tempo livre ahah :p e deixa-te de coisas: és uma inspiração, sim, pela quantidade de ideias que percorrem essas veias e pela qualidade com que as pões em prática! Um dia quero ser tão boa gestora como tu 😀

    Jiji

  2. Daniela says:

    Definitivamente a gestão do tempo é a chave para tudo e então se trabalhares com paixão e motivação a coisa melhora substancialmente, infelizmente nem sempre o conseguimos fazer, mas é sempre possível!

    beijinhos,
    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

  3. somebodyelsa says:

    Percebo perfeitamente, também me acontece.
    Na verdade, trata-se só de definir prioridades. O típico “if it’s important you’ll find a way, if it’s not you’ll find an excuse”

  4. Raquel Silva says:

    Eu sou péssima em gestão de tempo e mesmo assim de vez em quando também me dizem essas barbaridades! Como sou péssima em gestão de tempo, às vezes lá me meto em embrulhadas mas com grande ginástica consigo resolver o assunto. De qualquer forma, acho que ainda não atingi o teu ponto de proatividade e adorava. Como passo a vida a dizer, parar é morrer 🙂

  5. Ana says:

    Oa aí está! Belo rant o teu, mas cheio de verdade! Também faço resmas de coisas (se bem que agora ando desorientada com tempo disponível a mais e por isso custa-me organizar mais) e os meus dias têm 24 horas! E tenho um filho e empregada! É tudo uma questão de organização! Beijinhos!

  6. Ana S. says:

    Percebo mesmo a tua frustração, a mim também me aborrece imenso quando me dizem esse tipo de coisas. Como se uma pessoa não tivesse de se esforçar para atingir determinados objectivos, como se fosse fácil. É que é mesmo isso, tudo uma questão de organização, gestão de tempo e empenho. Vontade de concretizar as coisas e ter prioridades – o que se aplica à gestão do tempo, do dinheiro e de tudo o resto na vida. Quem diz esse tipo de coisas deve ter é tempo livre a mais – e digo isto porque tenho andado com imenso tempo livre (desempregada) e tenho produzido muito menos do que produzia quando tinha 40mil coisas para fazer!
    Ana S. recently posted…O ano em que não viajei | ou, como saberes se tens um vício por viagensMy Profile

  7. Mundos Mudos says:

    Concordo com o teu texto em 200%! Quando gostamos realmente de uma coisa (ou de alguém) arranjamos sempre tempo e não há cá desculpas. Se nos organizarmos, se definirmos o nosso caminho e as nossas prioridades, tudo dá certo. E permite-me discordar quando dizes que não és corajosa! Somos todos muito corajosos por nos levantarmos cedo todos os dias, vestirmos as nossas capas de super homem/mulher e irmos trabalhar e lutar pelos nossos sonhos quando as nossas asas já foram cortadas tantas e tantas vezes.

  8. Ela e Ele, Ele e Ela says:

    O tempo do vizinho gere-se sempre melhor do que o nosso. Fazer-se de coitadinho é sempre melhor… Como te percebemos tããão bem!! Entre trabalhos (Sem folgas que coincidam!), vida em casal, vida de domésticos, mudanças de casa e blogue, sobra muito pouco. A verdade é que ultimamente tem sido cada vez mais difícil de gerir, mas a questão das listas é essencial sempre. Também adiantamos muito as publicações agendando para a semana, sempre que possível. Mas para os outros é tudo muito mais simples e nós estamos todo o dia de rabo metido no sofá em casa, onde tudo nos cai nas mãos, vindo do Céu!

  9. Vanessa says:

    ahahah adorei o texto! 😀
    Esse é aquele tipo de comentário que de vez em quando aparece e ficamos naquela “a sério, amigo/a?”. Já me aconteceu e por isso é que achei mais piada ao teu post. Dizes tim-tim por tim-tim tudo aquilo que algumas pessoas precisam “ouvir”.
    Um pouco de organização e de prazer no que se faz e há tempo para tudo. Confesso que me queixo do tempo livre, mas queixo-me do meu, não daquele que os outros têm, porque de tão pouco que era, só o conseguia aproveitar ao máximo junto daqueles que gosto e a fazer o que gosto. E é como dizes, as pessoas preferem “desvalorizar” o trabalho e dedicação dos outros com desculpas de “tempo livre” e “boa vida” para fazer essas coisas, do que pensar que a vida dos outros é como a nossa, cheia de altos e baixos.

    1. joan of july says:

      É isso mesmo, Vanessa, tu percebes-me! Esses comentários são pura e dura desvalorização…
      Obrigada, querida. :)*

  10. Sara Silva says:

    de facto pareces ter uma vida bastante ocupada, e consegues dar conta de tudo!
    penso que as pessoas que ficam impressionadas, não têm essa tua ambição e rendem-se à procrastinação – assim claro que fica difícil realizar as coisas!

    concordo contigo: uma boa gestão do tempo é a chave! 🙂

    beijinhos
    18 and a life ♡

    1. joan of july says:

      Tenho, mas também faço por tê-la. Se a tenho é por opção, porque gosto mesmo de estar envolvida em muitas coisas, mas não em tantas que comprometam o meu compromisso e dedicação para cada uma delas. Fez sentido? 😛
      Mas sim, gestão do tempo é, sem dúvida nenhuma, a chave de tudo! 😀

  11. Maria says:

    Tenho de começar por dizer que a tua escolha de gifs está fantástica. Apoio-te na fascinação pela Cookie Lyon – esta personagem é fantástica :p

    E realmente as pessoas gostam muito de falar daquilo que não sabem. É algo inato ao ser humano que eu nunca irei entender. É fácil de cairmos nesta armadilha, mas pelo menos devemos ter consciência do que estamos a dizer. Quer se façam só meia dúzia de coisas por semana ou uma centena delas, realmente a chave está na organização. Sem isto acredito que não vamos a lado nenhum. E até acho que seja óptimo estarmos envolvidos em tanta coisa/tarefa, uma vez que isso faz o nosso cérebro trabalhar e trabalhar, quando deve está claro porque o descanso também nos faz muito bem.

    1. joan of july says:

      Ai concordo plenamente, Maria! Com o facto do ser humano adorar falar do que não sabe e com o facto de tanta actividade ser super benéfica ao funcionamento do nosso cérebro! 😀

  12. Natália says:

    Eu sou daquelas que parece uma barata tonta a tentar acudir a tudo, porque faço uma péssima gestão do tempo, mas assumo isso. Um dia quando for “grande” adorava ser mais assim como tu. Uma beijoca.

    1. joan of july says:

      Tão querida, Natália, obrigada. :*
      Mas não passa disso mesmo: gestão de tempo. E é algo que se vai aprendendo e dominando, está – portanto – ao alcance de qualquer pessoa. Força! 😀

  13. Monica says:

    Adorei, adorei, adorei.
    E quando as pessoas dizem? “Tens um blog? Mas que paciência”, ou que todas as coisas que faço só consigo porque não tenho filhos. Quando estas observações são feitas por pessoas que conhecidas acabo por lhes reconhecer alguma frustração, quando são feitas por pessoas que não conheço limito me a responder à letra, apesar de achar que existe de facto frustração.

    1. joan of july says:

      E acho que fazes tu muito bem! Essa do blog é tão, mas tão verdade. E porque é que o “mas que paciência” parece sempre um insulto?… -_-
      Enfim, as pessoas têm mas é a mania de julgar. Eu cá sou muito feliz com o meu blog e tenho bastante paciência para ele, e quê? 😛

  14. Inês Silva says:

    Sempre gostei do teu blog (acho que se nota) e sempre percebi que isto era fruto de muito trabalho e organização 🙂 Parabéns não pelo teu ”tempo livre”, mas pela tua dedicação e motivação que, para mim, parecem ser essenciais.
    you da bomb gurl :3

  15. Ana Paula Cardoso says:

    Eu perguntei-me e perguntei-te imensas vezes como consegues. Não no mau sentido, mas como inspiração. Tenho melhorado bastante na gestão do meu tempo, mas muitas vezes sinto que me foge pelas mãos. Cada vez mais acho que é uma questão de prioridades 😉
    Ana Paula Cardoso recently posted…Objectivos 2016: Caminho percorrido #1My Profile

  16. Catarina says:

    A mim nunca me disseram que gostavam de ter o meu tempo, mas já mandaram a dica de que para fazer umas coisas tinha de fazer mal (ou não fazer de todo) as outras – especialmente colegas mal-dizentes que achavam que o blog era incompatível com o trabalho diário (yeah right!). Confesso que não faço metade das coisas que tu fazes :p e fiquei a achar que giro muito mal o meu tempo ahahahaha mas sinceramente, não tenho nada que invejar, só que aprender 🙂 (e tu sabes como me inspiras, não sabes? 🙂 ) Beijinhooos minha querida*

  17. Conciliar vida pessoal e blog (o nosso primeiro webinar!) says:

    […] é que nós, bloggers, conseguimos arranjar tempo para tudo. A Catarina S. até escreveu um artigo sobre os nossos dias não terem mais horas que os dos outros no Joan of July que temos a certeza que, caso não tenham lido, vão gostar muito de […]

  18. Webinar gratuito – Como conciliar a vida pessoal com o blog says:

    […] de ter falado acerca da gestão de tempo neste post? Não, não vou voltar ao mesmo assunto, mas eu, a Catarina e a Ana vamos abordar o tema “Como […]

  19. Cátia Marcelino says:

    Identifico-me tanto, quando ouves o “se eu tivesse a tua vida”… Claro, entre trabalho, família, amigos, yoga, voluntariado e hobbies, sobra-me tanto tempo que dá inveja!! As paixões são feitas destas coisas… dedicação. Agora só me falta mesmo ser mais organizada, obrigada pelas dicas :)))) Beijinhos

  20. Os 10 posts de 2016: os mais lidos e os meus favoritos says:

    […] 3. O meu dia não tem mais horas do que o teu (e chega para tudo) […]

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