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Agora que falas nisso: Ser mulher

Quando a Daniela me desafiou a escrever um post para a rubrica “Agora que falas nisso“, nem hesitei. Então quando me disse que o tema seria “Ser mulher”, ainda me fez mais sentido. Acho que a blogosfera precisa de mais desafios destes, de mais bloggers dispostos a escrever só por amor à causa, portanto… como recusar?
Agora que escrevo estas linhas quase me arrependo de não ter deixado este post – “Tentei pensar em 8 coisas boas em ser mulher, mas não me lembrei de nenhuma” – para hoje. Por outro lado, há tanto que ainda não disse sobre este tema…

Hoje vamos então falar sobre ser mulher e sobre a confiança.

Há relativamente pouco tempo li um livro – o Big Magic – no qual a autora, a Elizabeth Gilbert (também autora do bestseller internacional Eat, Pray, Love) fala a certa altura do perfeccionismo, uma característica mais feminina do que masculina. Não necessariamente no que diz respeito ao trabalho, mas definitivamente no que fiz respeito a nós mesmas. Somos tão mais duras connosco próprias do que os homens com eles mesmos… De acordo com a Elizabeth Gilbert, um homem é muito mais propenso a candidatar-se a empregos para os quais é apenas qualificado em 40% do que uma mulher candidatar-se quando é “apenas” 85% qualificada. Em contexto de entrevistas de trabalho, os homens tendem a compensar a falta de experiência com demonstração de confiança, enquanto as mulheres – mesmo quando têm mais experiência e qualificações – aparecem sempre mais nervosas e duvidosas das suas próprias capacidades.

 

Estou a generalizar, claro, mas tenho visto isto a acontecer, embora não haja nenhuma razão aparente para este comportamento. Mas não pensem que estou a condenar estas mulheres, porque eu também já fui assim. Caramba, eu às vezes ainda sou assim! Quando sou confrontada com uma oportunidade o meu primeiro instinto é, muitas vezes, questionar-me: “Será que consegues mesmo fazer isto? Não sei se consegues…”

E este diálogo interno tem que cessar. Este diálogo interno não pode ser o primeiro que temos connosco quando uma oportunidade muito boa se apresenta no nosso caminho. Mas porque é que isto acontece? E porque especialmente a mulheres?

Não sei se existe uma explicação biológica para isto, mas poderá existir outra.

Enquanto sociedade temos andado a tentar passar mensagens às camadas mais jovens de que “vocês são capazes” e “têm que ser confiantes”. Mas estas mensagens não são nunca direccionadas aos rapazes jovens. Enquanto sociedade, assumimos que os rapazes serão natural e automaticamente confiantes, mas as raparigas não e que, por isso, precisam de ajuda.

A general assumption about confidence is that women, particularly young women, will have very little of it, and girls will have zero of it. Just the attitude alone makes me sad: “We have to help our girls and teach them to be confident”. Well, guess what, young girls. You aren’t damsels in distress, You aren’t hostages to the words of your peers. You aren’t the victims that even your well-meaning teachers and advocates think you are.
– Mindy Kaling

Será que isto não nos prejudica no futuro? Será que ao ensinar-nos que devemos ser confiantes não nos estão também a convencer de que ser confiante é uma tarefa dificílima?

Mais uma vez, a minha melhor amiga platónica, a Mindy Kaling, concorda comigo:

I get worried that telling girls how difficult it is to be confident implies a tacit expectation that girls won’t be able to do it.
– Mindy Kaling

 

 Portanto, ser mulher não deveria ser diferente de ser homem no que diz respeito à confiança natural. E talvez esteja na altura de parar de dizer às raparigas e às mulheres para serem confiantes. Menos conversa e mais acção. Vamos mostrar o que é ser confiante em vez disso, que tal? Vamos descomplicar as coisas e não passar a mensagem de que ser confiante é algo difícil e característico dos homens, sim?

E agora vamos ver o que é que a Daniela teve a dizer sobre o tópico “Ser mulher” neste desafio “Agora que falas nisso“, shall we? 🙂

Nota: o meu relógio (para quem perguntou nas mensagens do Instagram é o Cluse La Boheme. Encomendei no site relogios.pt 🙂 O batom é o Zipper, da Colourpop, do qual falei aqui.)

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4 Comments

  • Reply
    RITA
    30/03/2017 at 12:21 PM

    Revejo-me tanto neste post, principalmente na parte do diálogo interno. Há tanta coisa que dizemos a nós próprias, sobre o que os outros vão pensar de nós, que nem corresponde à verdade, porque se calhar nem estão a pensar em nós!
    O pensamento da Mindy Kaling é, de facto, interessante. Mas penso que como passamos anos e anos a desmoralizar as mulheres – nós mulheres, nós entre todas e também a sociedade machista e as suas atitudes – que, mesmo parecendo estranho dizermos a raparigas mais novas que devem ter confiança, mesmo quando deveriam ter isso ao natural e isto tudo deveria ser um não assunto, acho que temos mesmo de reforçar o tema. Porque ainda não chegamos a essa fase de que as mulheres são naturalmente confiantes.
    Isto deveria ser um não assunto mas pelo facto de ainda não acontecer na sociedade então eu acho que temos de reforçar a mensagem. Temos de mostrar às jovens raparigas e mulheres que é normal ter confiança, fazendo reforços positivos todos os dias, para que cada vez mais jovens vivam num contexto social cheio de positividade e confiança. E que, quando estão numa situação em que as mulheres são descriminadas e rebaixadas, que percebem que essa não é a normalidade e que a combatam.

    Devo dizer que também tenho problemas com estes temas de “epa isto nem deveria ser tema de conversa”, mas se a sociedade na sua maioria como um todo ainda não entendeu estas questões, então temos de passar mais uns anos a reforçar os temas para que não se esqueçam deles, para que sim, um dia, os temas deixem de ser conversa.

  • Reply
    Joana Sousa
    30/03/2017 at 12:31 PM

    De facto, nunca tinha pensado nisto assim – e tens razão, é verdade: ao “mistificar” a coisa, estamos a torná-la num bicho de sete cabeças. Mas entra aqui a velha história do “quanto mais falares nisso, pior” vs “se não falarmos nisso, fica tudo na mesma”. Julgo que é preciso equilíbrio e uma dose de bom senso. Mostrar as nossas histórias pessoais, mostrar que é possível, é mais produtivo do que ter discursos motivacionais sem “prova dada”. E acho que é preciso falar, nisso, honestamente, mas sem aquela conversa do “girls can do everythiiiiing”, como se precisássemos de ser cheerleaders de nós mesmas. Não, não precisamos, precisamos é de nos aguentar como seres humanos que somos e de perceber que não há NENHUMA razão para falharmos, ao contrário do que a sociedade nos tentou convencer durante séculos.
    Joana Sousa recently posted…Outfit | Spring OrchidMy Profile

  • Reply
    Daniela
    30/03/2017 at 12:50 PM

    Obrigada Catarina por teres participado neste desafio! 😃 Adorei a tua interpretação do tema e realmente nunca tinha pensado nesse aspecto de podermos estar a aumentar o estigma ao partir logo do pressuposto que temos que ensinar as mulheres a ter confiança. A verdade é que alguns “preconceitos” baseiam-se em características que são mais comuns num certo grupo, porque somos mesmo diferentes (homens e a mulheres neste caso) é isso nem sempre é mau mas nunca podemos deixar que isso funcione como um motivo para deixar de dar oportunidades a uma pessoa antes de conhecermos realmente as suas capacidades.

    Obrigada mais uma vez Catarina <3

    http://letrad.blogspot.pt/

  • Reply
    Joana
    31/03/2017 at 8:50 AM

    Uma boa reflexão. Apesar de todos os direitos que adquirimos legalmente (pelos quais estou muito grata), ainda há muito por fazer na nossa sociedade e acredito que uma grande parte é educarmos as nossas meninas e meninos para a igualdade.

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