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Ansiedade, Síndrome do Impostor e medo de falhar

Nunca vi ninguém que tenha escrito um livro preocupado com o dia da apresentação, pelo menos não mo confessam. Quando se escreve um livro não se fala de medo nem ansiedade, talvez por ser um momento de felicidade e realização pessoal para quem publica pelo que coisas com conotação negativa não são abordadas. Então, podem imaginar como me senti na semana passada quando estava ansiosíssima e nervosa, mas sem ver qualquer evidência de que mais alguém se sentia assim quando chegou a altura de apresentar o seu livro.

Em primeiro lugar devo fazer uma pequena nota: eu já fui à televisão, inclusivé a um programa em directo nas tardes da SIC e não estava quase nervosa. Já dei dezenas de workshops e já falei em público muitas vezes. Apresentar um livro, ainda por cima sem câmaras, não deveria ser nada de especial para mim.

Porém, no final do ano passado, tive duas crises de ansiedade e sinto que, desde então e de alguma maneira, nunca mais voltei 100% ao normal. Sinto que fiquei um pouco mais frágil desde então e que ganho ansiedade com pouco. Por outro lado, isso não me impede de fazer absolutamente nada, apenas passo mais tempo acordada e a preocupar-me com coisas que ainda não aconteceram e com outras que podem nem vir a acontecer.

Nesta fase, publicar um livro e ter que o apresentar despoleta alguns pensamentos desconfortáveis e o regresso da Síndrome do Impostor, especialmente estando a acontecer com tantas outras coisas em simultâneo. Tratando-se de algo tão público e que leva à minha exposição, deixa também espaço à crítica e ao julgamento, o que é normal, mas que como podem imaginar, traz algum desconforto.

Outra razão que contribui para este sentimento geral de nervosismo/ansiedade é o facto de, num momento destes, ter pouco controlo sobre algumas partes do processo, especialmente aquelas que dependem da agenda de outras pessoas. É natural e faz parte da vida, mas quando há algo que me causa desconforto, o facto de não poder controlar algo, só me faz sentir mais impotente e frustrada.

Mas o mundo continua a girar e nós temos é que nos mexer e continuar também com o que temos a fazer.

Isto para vos dizer que nada é perfeito. Tenho recebido tantas mensagens e palavras incríveis de encorajamento e até de admiração, que até fico envergonhada às vezes, mas muito feliz também. Só não quero é que pensem que as coisas são fáceis para mim, porque não são. Houve alguém que me disse no Instagram que o medo da crítica a estava a impedir de escrever o livro que sempre quis escrever e fiquei triste por sabê-lo.

Medo todos temos, lidar com a crítica não é fácil e muito menos agradável (quando se tratam de críticas negativas e pouco ou nada construtivas, claro), mas o medo é uma resposta natural ao desconhecido; o medo é que nos tomar medidas de segurança na nossa vida, mas não nos pode impedir de fazer nada. Não podemos deixá-lo. É nestas alturas em que queremos fazer algo, mas temos muito medo de seguir em frente com as nossas ideias, que devemos perguntar-nos:

O que de pior pode acontecer nesta situação?

No caso dos livros, se a resposta for “dizerem mal de mim e do meu trabalho”, então deixemo-nos de coisas e, por favor, comecemos a escrever!

O que responder às vozes da Síndrome do Impostor?

Para quem não sabe o que é, a Síndrome do Impostor é algo que nos impede – seja de forma temporária, frequente ou permanente – de reconhecermos os nossos feitos na vida, desvalorizando-os e atribuindo-os, por exemplo, à sorte ou ao acaso. Não importando o nível de sucesso alcançado ou quaisquer provas externas das nossas competências, permanecemos convencido de que não merecemos o sucesso que alcançamos e que, de facto, somos fraudes, porque as pessoas acreditam que somos algo que não somos.

Confesso que já por algumas vezes senti algo assim, que faz surgir vozes que perguntam “mas quem és tu para escrever seja o que for sobre qualquer assunto? Não sabes nada, Jon Snow.”

Não é fácil lidar com estes pensamentos, mas se os têm também em relação a várias áreas da vossa vida, o meu conselho não é que os ignorem, mas sim que lhes respondam. Isso mesmo, leram bem, respondam-lhes!

Por exemplo:

Síndrome do Impostor (SI): Quem és tu para escrever um livro sobre X?

Eu/nós: Sou uma pessoa tão válida como outra qualquer, já que ainda ninguém pegou neste tema/história… Está na altura de alguém o fazer.

SI: Vão odiar o teu trabalho e vão fartar-se de o criticar.

Eu/nós: Azar. Se faziam melhor porque é que não o fizeram?

O exercício é este, mas tudo para dentro, não digam nada disto em voz alta que vão parecer malucos e só dá para lidar com um problema de cada vez, ok? 😛
Ser internado num manicómio deve aumentar exponencialmente os níveis de ansiedade. Digo eu.

Eu fiz este exercício na semana passada sem saber que o estava a fazer, mas a verdade é que comecei esta semana muito mais relaxada e sem medos. Agora só resta o entusiasmo e os pensamentos positivos! 🙂

Já sentiram algo do género? O que fizeram para contrariar os pensamentos menos positivos? Qual é o vosso método?

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7 Comments

  • Reply
    Joana Sousa
    11/07/2017 at 12:32 PM

    Sofro um bocadinho disto – e também já tenho um rascunho para falar sobre este assunto no estaminé, mas nada ao nível da apresentação de um livro :p eu percebo-te. E consigo ver que tens que dar uma coça a esse SI, porque ele não tem razão de ser! É terrível. Mas faço mais ou menos o mesmo que tu. Respirar fundo, ter essa conversinha comigo mesma e dizer “que se f*da!”. Não podemos mesmo deixar que o medo nos bloqueie. No fim corre sempre tudo bem 🙂
    Joana Sousa recently posted…Personal + TAG | Quando eu era pequenina…My Profile

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    ritamartins
    11/07/2017 at 12:47 PM

    Acho que no início de carreira é muito fácil sentirmos síndrome de impostor e se trabalharmos com pessoas mais velhas. Sempre me senti a mais nova, a menos experiente, a pessoa que trabalhava muito mas não sabia bem o que estava a fazer, a pessoa que “sempre” ia ser vista como a pitinha. Com o tempo, aprendi que tenho grandes capacidades e que cada pessoa é única em termos profissionais e que a idade é só um número. Sinto que muitas pessoas ainda olham os jovens de lado como se não soubesse nada da vida e que têm muito a aprender. Acho que deviam perceber que nós também temos conhecimentos e experiência e que podemos acrescentar valor a muita coisa.

    Agora, mais perto dos 25, sinto-me muito mais confiante e segurança em mostrar as minhas capacidades e cada vez menos aparece o SI. E mesmo que evolua ou mude de área, acho que ele não vai aparecer tão intensamente como antigamente porque sei muito o que valho!
    ritamartins recently posted…NOS ALIVE: Um Avé à músicaMy Profile

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    Catarina
    11/07/2017 at 1:18 PM

    Acho que todos já passámos por momentos assim mas, só queria mesmo que soubesses que estou muito orgulhosa de ti! De teres escrito este livro antes de qualquer outra pessoa, de teres conseguido escrevê-lo mesmo quando as dúvidas surgiram ou as vozes do auto-boicote se começaram a ouvir e de ires apresentá-lo, finalmente, em frente de dezenas de pessoas que te acham o máximo! 😀 Eu acho, mas talvez a minha opinião esteja um pouco enviesada por gostar tanto de ti 🙂 E agora já sabes, dia 14, knock’em dead girl!! :*
    Catarina recently posted…Barcelona: uma viagem com sabor agridoceMy Profile

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    Ana
    11/07/2017 at 1:22 PM

    Acho sempre refrescante encontrar alguém a escrever de forma transparente sobre o que a aflige, que é ao mesmo tempo o que nos torna humanos. Um dos problemas que agrava o síndroma do impostor, ou eu pelo menos sinto que agrava no meu caso, é olhar à volta e achar que toda a gente está em cima do acontecimento, domina as suas emoções, e sabe perfeitamente o que anda a fazer. E se não? E se andamos todos a disfarçar com receio que nos descubram a careca? Não estaríamos todos muito melhor com nós mesmos e com os outros se nos deixássemos de m****s, e fossemos capazes de… ser humanos?

    Divaganços à parte, queria partilhar um podcast que ouvi ontem mesmo, e de que me lembrei à medida que ia lendo o teu texto. Uma das coisas de que fala é sobre o síndroma do impostor, e de como funciona um pouco como a história do sociopata e do psicopata. Se te questionas se és, então é porque não és. Quem não tem dúvidas e inseguranças? É sinal de que se é humano, e tenho cá para mim que a vulnerabilidade é um acto de coragem e de força, por mais que nos digam o contrário todos os dias. E assumi-lo é inspirador (também no sentido literal, em que nos enche o peito de ar e parece que facilita a respiração). As tuas palavras aqui são inspiradoras, e é como se dessem autorização a quem te lê para abraçar a sua própria vulnerabilidade e avançar mesmo assim. Quem sabe essa pessoa do Instagram não se inspira ao ler-te? E depois te dedica o seu primeiro livro? 🙂 <3

    http://meandorla.co.uk/podcast-10/

    "There is no greater agony than bearing an untold story inside you.", Maya Angelou

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    Inês Matos
    11/07/2017 at 2:48 PM

    Com a faculdade e com o apoio dos meus colegas comecei a sentir na pele o sindrome do impostor. Havia alturas em que olhava para o meu trabalho e ficava “isto está uma m#rda”, mas os meus colegas diziam exatamente o contrário e valorizavam-o. E eu só pensava “quando é que eles vão descobrir que eu não sou assim tão boa?”.

    Isto para dizer que nós somos de facto o nosso pior inimigo.
    Inês Matos recently posted…go tell your friends about itMy Profile

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    Helena Pereira
    11/07/2017 at 4:17 PM

    Bem, este post vem na altura certa, pois para a semana vou defender a minha tese de mestrado e estou um bocadinho nervosa. Nunca gostei muito de falar em público, embora ache que estou um bocadinho melhor, pois fiz estágio que envolveram a realização de visitas guiadas. Tenho medo do que me possam dizer e que achem que não fiz grande coisa, mas depois penso que me senti bem no local, aprendi muito e que a minha orientadora ficou bastante satisfeita com tudo o que fiz no museu e lá acalmo.

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    Catarina Coelho
    15/07/2017 at 10:24 PM

    Eu já sofri bastante de ansiedade e tinha imenso medo de falhar, especialmente na altura do meu Mestrado. Mas acho que, depois disso, fui passando por situações que fizeram perceber que temos mesmo de relativizar. Por vezes ficamos nervosas com coisas que não são nada, comparativamente com outras. Bem sei que é difícil de nos apercebermos disso, a maior parte das vezes… Tudo parece um caos, nesse momento. Mas acho que com o tempo e com a experiência que vamos ganhando, as coisas vão melhorando. Vamos ganhando confiança 🙂 pelo menos foi o que aconteceu comigo!

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