Descobri a fórmula: “Como saber se nos sentimos em casa numa cidade?”

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Por mais viagens que faça ou venha a fazer, sei que nunca outro lugar vai despertar em mim exactamente os mesmos sentimentos que a minha cidade (ainda) desperta.
Mantenho com a minha cidade-natal uma espécie de relação extra-conjugal. Foi o meu primeiro amor e esse nunca se esquece. Pode não ser o que escolhemos – por uma razão ou outra – para casar, mas teremos sempre um enorme espaço para ele no nosso coração.

O encantamento por ele nasceu comigo e nunca me abandonará. Chega a ser reconfortante saber que, por mais coisas que me aconteçam por essa vida fora e por mais mudanças a que tenha que me submeter ou que se instalem sem pedir licença, pelo menos esta parte de mim nunca mudará.

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Aqui há dias entendi finalmente a diferença entre os meus sentimentos por Lisboa e pelo Porto.

Preparava-me para mais um fim de semana no Porto, mas sabendo que, desta vez, o meu irmão ia estar fora. Estranhamente, durante o dia de sexta-feira, ainda no trabalho, dei por mim a sentir-me feliz por ir para o Porto, independentemente disso. Mas… porquê?

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E aí percebi.

Vivendo em Lisboa há dez anos (feitos em Setembro passado), é natural que esta também se tenha tornado a minha casa. Tenho nela a minha casa de adulta, muitas das minhas pessoas, interesses e trabalho.

“Mas?…” – perguntei-me nesse dia, – E se as “tuas pessoas” se mudassem todas de Lisboa? Se desaparecessem magicamente para um outro lugar?”

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E a minha própria consciência desvendou o mistério.
Se as “minhas pessoas” desaparecessem de Lisboa, eu sentiria que não estava cá a fazer nada. Sem elas, Lisboa não é a minha casa. A minha casa são elas.
Reconheço-lhe cantos, tenho memórias em vários deles, mas ela não é minha. Não me abraça como uma mãe. Lisboa é uma tia distante, mas simpática, das que dão prendas nos anos e no Natal.

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Se as “minhas pessoas” desaparecessem no Porto, bem, estaria sozinha, mas estaria em casa. Aí é que reside a diferença. Ele abraçar-me-ia como mãe que é como quem diz “Calma, no final vai ficar tudo bem.”

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Há um cantinho – literalmente um cantinho (na foto abaixo) – em especial onde sinto precisamente isso. Ele viu-me crescer e passar por diferentes fases da vida. Ele acolheu-me na minha solidão voluntária e viu-me escrever, quando ainda escrevia à mão, num caderno onde escrevi o meu primeiro (e único) livro completo até à data. Viu-me e ouviu-me a confidenciar segredos a amigas e a rir que nem uma perdida em tardes bem passadas e em boa companhia.

Como podia não me sentir em casa num lugar assim?

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O “meu” cantinho favorito no Mundo inteiro

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(a vista do meu cantinho e o “tecto” forrado a camélias também ajuda)

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Tirei estas fotos no sábado passado numa tarde de passeio com a minha mãe por alguns dos meus lugares favoritos da minha cidade. Nem eu própria sabia as saudades que tinha do “meu” Palácio de Cristal que é, para mim, um dos sítios mais bonitos e onde me sinto mais à vontade no Mundo. Não é exagero! Fizemos a rua de Cedofeita, fomos aos Clérigos, a Miguel Bombarda e voltámos para cima pela Praça Carlos Alberto.

É como eu digo: mesmo que lá estivesse sozinha, estaria na mesma em casa. 🙂

E, como diz a Sophia de Mello Breyner (esta frase podia ser minha!):

«O Porto é o lugar onde para mim começam as maravilhas e todas as angústias.»

Sophia de Mello Breyner

(parte deste texto foi criado a pensar no desafio semanal da semana passada do CPR – A Reanimação da Escrita, mas fez todo o sentido dar-lhe outra vida neste blog e com as fotos que tirei a pensar nesta mesma descoberta). 🙂

15 Comments

  1. Joana Sousa says:

    “Lisboa é uma tia distante, mas simpática, das que dão prendas nos anos e no Natal.” Mas que bela comparação!

    Esta nossa Casa é tão bonita. É certo que não sou tripeira de gema (afinal, não nasci no Porto meeeesmo), mas o meu coração é. É no Porto que me sinto bem…já me chamaram atadinha não sei quantas vezes, mas não quero imaginar a minha vida fora daqui por nada!

    Jiji

    1. joan of july says:

      Qual atadinha, qual quê! Eu percebo-te perfeitamente. Hey, “if it ain’t broke…” 😉
      É linda a nossa casinha, sim, e sabe-me sempre tão bem voltar a ela. :)*

  2. Diana says:

    Oh 🙂 Encontrei-me no meio das tuas palavras e do teu encanto pelo nosso Porto.

    Que o Porto nunca te falte, a ti e a mim.

    Beijinho enorme, carago!

    1. joan of july says:

      E o Porto nunca nos falhará, querida Diana. 🙂

      Beijinho graaaande para ti também! :D*

  3. Ana S. says:

    Compreendo tão bem o que escreveste. Comigo foi ao contrário, 9 anos vividos no Porto para regressar à terra natal. O Porto guarda muito de mim e a minha terra natal não é nem de perto tão bonita quanto a Invicta, mas é onde me sinto em casa.
    Enfim, depois dessas maravilhosas fotografias fiquei com saudades dessa cidade. Já não vou aos jardins do palácio há tanto tempo…!

    1. joan of july says:

      Onde é a tua terra natal? Tenho a certeza de que também é linda. E depois, nossa cidade é sempre linda aos nossos olhos, não é? É isso que importa. Isso e o facto de nos fazer sempre sentir em casa. 🙂

  4. Sara Trigo says:

    Gostei muito do texto, mas as fotografias estão incríveis!
    Lindíssimas.

    1. joan of july says:

      Obrigadaaaaa Sara!! :D*

  5. Marlene Teixeira says:

    Quando dizem que a nossa casa é onde está o nosso coração não estão a mentir, e às vezes o nosso coração prende-se a lugares.

    Segui!

    beijnho,

    McTBeauty
    http://mctbeauty.blogspot.pt

    1. joan of july says:

      Que frase tão bonita, Marlene! E é mesmo isso, às vezes o coração prende-se tanto a lugares como a pessoas. 🙂

      Muito obrigada, querida! :*

  6. Inês Silva says:

    Gostei tanto, a sério que sim! Gostei por morar cá não é, e perceber exactamente o que dizes. Lisboa pra mim, embora nunca tenha lá morado, significa liberdade, tal como umas férias deveriam significar. Agora o Porto, é a casa, é a sala de aula, é o trabalho, é tudo, é amor ^^

    1. joan of july says:

      Obrigada, Inês! É essa a expressão: Porto é amor. :)*

  7. 10 conselhos para ultrapassares um dia (muito) mau says:

    […] O meu refúgio aqui em Lisboa ora é o Parque de Monteiro-Mor ou a Quinta das Conchas. No Porto, o Palácio de Cristal, o Parque de São Roque ou o Parque da […]

  8. As Aldeias do Xisto, a Casa do Quelho e Janeiro de Cima says:

    […] Lisboa: Paço do Lumiar Serra da Arrábida e praia do Portinho da Arrábida Lagos, Lagoa e Silves Porto: Palácio de Cristal Porto: Parque de São Roque Porto: Baixa e […]

  9. Leonardo D’Adamo says:

    Que artigo mais simpático! Eu jamais havia pensando sobre este ponto de vista do qual você apresentou. Sou brasileiro e tenho um grande sonho de conhecer as cidades citadas no seu texto, agora mais ainda. Espero um dia poder visitar lugares tão belos mostrados em suas fotografias.

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