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Hoje despedi a minha empregada

Faz hoje uma semana que decidi despedir a minha empregada. Sim, a nova, que estava cá há seis meses. Na última semana andei intermitentemente nervosa com isto, afinal, nunca despedi ninguém, mas sabia que ninguém se sentia bem nessa situação; nem quem despede nem (muito menos) quem é despedido. Mas ontem achei que estava na hora de deixar de mariquinhas, até porque nada disto é sobre mim. É sobre ela e é sobre o Loki.

Se me seguem regularmente, devem ter visto que no final de Setembro a Zelda desapareceu (ainda que temporariamente) devido à negligência da empregada que tínhamos na altura. (podem ler a história aqui). Fiquei furiosa com a senhora, como é óbvio, e tendo ela ouvido a minha fúria ao telefone, ainda que não fosse eu a falar directamente com ela, no final ela decidiu despedir-se. Se assim não fosse, eu tê-lo-ia feito na altura. Porém, aí ia ser fácil, porque eu sabia que ela tinha deixado a gata fugir e só nos tinha avisado seis horas depois… Foi um suplício que não desejo a ninguém que tenha animais e os ame como se fossem da própria família (porque são).

Como a Dona J foi trabalhar lá para a casa: “Gosta de gatos?”

A nova empregada – chamemos-lhe Dona J – entrou logo no início de Outubro, recomendada por uma amiga da avó do meu namorado, porque a Dona J trabalhava com a família dela há anos e trabalha também com a filha da senhora, toma-lhe conta dos filhos, etc. A Dona J veio cá a casa um dia para nos conhecermos, mas a verdade é que eu nunca fico muito satisfeita com estes encontros. Parece-me pouco revelador conhecer alguém que vai trabalhar em nossa casa em vinte minutinhos. Vinte minutos durante os quais a pessoa nos diz aquilo que queremos ouvir para ficar com o trabalho. Tudo bem, todos nós o fazemos ou fizemos em entrevistas de emprego, mas há coisas que convém não deixar de fora.

Perguntei-lhe se gostava de gatos e se os tinha: ela disse que não tinha, mas que se dava bem com eles. Ela falava com uma voz suave e simpática e nada evidenciava o contrário. Também lhe disse: “não precisa de lhes fazer festas, dar comida ou interagir com eles, desde que não me perca os gatos…”

Achei que era o único problema que podia ter com ela em relação aos gatos, mas enganei-me.

A Dona J trabalhava apenas um dia por semana, às terças, algo que não nos agradava muito porque queríamos alguém que fosse mais vezes por semana, mas como não conhecíamos mais ninguém, ou melhor, não tínhamos recomendações de mais nenhuma profissional de limpeza doméstica, aceitámos.
Sendo que ela entrava às 8 da manhã, eu cruzei-me com ela todas as terças-feiras que ela trabalhou lá em casa e rapidamente reparei que o Loki (o meu gato branco e amarelo que tantas vezes vêem no Instagram) se escondia, mas nunca achei estranho porque ele sempre foi muito mais medroso do que a Zelda. Não é incomum o Loki esconder-se de pessoas que não conhece.

Começam as desconfianças…

Aqui há uns poucos meses (um ou dois, creio), comecei a reparar que o gato não só continuava a esconder-se (quase seis meses depois da senhora ir lá para casa, já não é normal o gato esconder-se), como também o ia fazer para sítios que nunca escolhia para estar e recusava-se a estar na mesma divisão que a Dona J.
E então comecei a fotografá-lo para mostrar ao meu namorado, já que ele não estava convencido de que havia algo de estranho no facto do Loki se esconder.

Isto era o Loki quando a Dona J estava lá em casa

Todas as terças-feiras, quando saí de casa para ir trabalhar, saí com um aperto enorme no coração porque o encontrava sempre assim. Ele até chegava a adormecer sentado por não se sentir à vontade para se deitar.

Isto é o Loki num dia normal

E isto é ele num dia normal, de manhã, antes de eu ir para o trabalho.

Estão a perceber, certo? Já pensei que poderia estar maluquinha e com tendências paranóicas, mas as fotos não mentem nem deixam espaço para inventar muito.

Quando comecei a mostrar as fotos ao Pedro ele começou a pensar no mesmo que eu: algo se tinha passado. Talvez ela lhe batesse, berrasse ou fizesse algo que o deixava nervoso ou com medo dela. O que quer que fosse, era real e o Loki estava a tentar comunicar-me o que sentia, mesmo não falando. Conheço-o tão bem que só se quisesse conseguia ignorar este comportamento alarmante.

A gota d’água

Na terça-feira da semana passada, ou seja, há uma semana atrás, não encontrava o Loki em lado nenhum quando acordei. Fiquei nervosa por não o encontrar nos esconderijos habituais onde ele se metia quando a Dona J estava lá em casa e fui perguntar-lhe se sabia dele e se ele tinha algum problema com ela (só para não perguntar directamente o inverso). Ela ajudou-me a procurá-lo e fomos dar com ele debaixo da cadeira que está no meu quarto, onde – lá está – ele nunca está. A Dona J estendeu-lhe a mão para me mostrar que lhe ia fazer uma festa e que eles se davam bem, mas o Loki prontamente lhe bufou e chegou-se mais para trás no esconderijo para ficar mais longe dela.

Para além do que andava a acumular durante os dois meses anteriores, aquele foi o maior sinal de alarme que tive, porque o Loki não é assim. Ele pode ter medo de pessoas estranhas às vezes (nem sempre), mas é só nos primeiros minutos, depois começa a circular novamente pela casa como se nada fosse e nunca bufa a ninguém.

Depois disso, quando eu já estava a tomar o pequeno-almoço, ouvi-a à distância a falar para o Loki a dizer coisas como “Mas és algum bebé?? És mas é parvo” e coisas assim. Já comigo ela sempre que falava dele era de forma super depreciativa, não sei porquê! Da Zelda nunca disse nada, mas do Loki criticava ele ser gordinho e dormir muito…

Nessa mesma manhã, em conversa com a Dona J, ela ainda me disse que às vezes ia dar com ele deitado na caixa de areia… Fiquei para morrer. Não só por ser nojento, mas porque os gatos só fazem isso (que eu saiba) por estarem stressados, traumatizados ou aterrorizados!!

Para mim chegava e ficou claro como água que ela tinha que ir embora. Fui-me embora para o trabalho, mas com a certeza de que aquele seria o último dia dela naquela casa.

Adeus, Dona J.

Esta noite foi menos descansada do que aquilo que teria querido, pois já estava meio nervosa com o facto de ter que despedir a Dona J. Não é um pensamento positivo nem algo que se queira fazer. Sentia-me mal por mandá-la embora, mas também sabia com toda a certeza (e o Pedro também) que ela não podia ficar. Os nossos gatos são família e sentimos muito amor e carinho por eles, por isso não dava para ignorar os sinais explícitos que o Loki nos estava a enviar. Ele não fala e é assim que se exprime.
Cheguei até a pensar em comprar câmaras daquelas para espiar no eBay, para me certificar de que ela não estava a fazer nada de mal ao gato, mas decidi não o fazer, porque se a suspeita é assim tão forte é porque já não dá para confiar e mais vale pedir-lhe que vá embora.

Quando falei com ela hoje de manhã fui directa ao assunto, mas tentei ser o mais simpática possível. Eu queria dizer-lhe a verdadeira razão pela qual estava a despedi-la, mas o Pedro pediu que não o fizesse, porque ela nunca ia mudar (já tem uns 60 anos) e porque não ia trazer benefício nenhum. Ele tinha razão. Então disse-lhe que, como tínhamos falado quando nos conhecemos, precisamos de alguém que possa fazer mais dias lá em casa e que tínhamos arranjado uma senhora que pode, o que é totalmente verdade.

Há umas semanas, estávamos a chegar a casa num sábado depois de irmos às compras no Continente, quando uma senhora me abordou na rua a perguntar se eu conhecia alguém que precisasse de empregada ali na zona. Eu disse que não, mas que ficava com o contacto dela.
Então contactei-a na semana passada e ela vai lá hoje falar connosco, conhecer os gatinhos e ver a casa. Já lhe perguntei e não só gosta de gatos, como tem gatos e cães! Vamos lá ver. Seja como for, tenho a certeza de que o Loki vai ser mais feliz. 🙂

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13 Comments

  • Reply
    Mafalda
    11/04/2017 at 6:23 PM

    Eu tenho uma certa intolerância a empregadas que nos entram pela casa a dentro, pelas nossas vidas a dentro. Apesar de achar óptimo o descanso, faz-me alguma confusão a ideia. Talvez porque na minha família as experiências com empregadas não tenha sido nada positiva (quando eu era bebé também tive uma empregada que uma vez quase incendiou a casa, deixou-me ao sol enquanto falava com uma amiga, tendo resultado um bebé de 6 meses com um escaldão), bem a solução acabou por ser deixarmos de ter. Acho que uma pessoa que entra na nossa casa tem que ser de confiança. Até encontrar alguém com quem me sinta confortável, não meto ninguém cá em casa.

  • Reply
    Carolina
    11/04/2017 at 6:47 PM

    Eu optei por contratar uma empresa. Sinto-me mais segura e, no meu caso, o preço é bem mais acessível (com seguro e tudo) 🙂
    Espero que o Loki goste da nova companhia e que possas andar mais descansada 🙂

  • Reply
    The Brunette'a Tofu
    11/04/2017 at 9:39 PM

    É muito muito complicada essa história das empregadas domésticas. Eu só confio a pessoas que conheço de perto e que inclusive já conhecem os meus animais. Imagina nós que temos 5 cá em casa!! (Agora 6, hoje mesmo). Faria o que fizeste, sem sombra de dúvidas. Custa, mas é a escolha certa. Beijinho

  • Reply
    Filipa M.
    11/04/2017 at 9:41 PM

    Oh Catarina, que grande chatice. Não que precises de aprovação, mas acho que fizeste muito bem. Eu também estou a usar os serviços de uma empresa e estou muito satisfeita. Boa sorte com a senhora nova, parece que vai correr bem =)
    Filipa M. recently posted…CriatividadeMy Profile

  • Reply
    Sergio Oliveira
    11/04/2017 at 9:44 PM

    Tens boas empregadas domesticas, a maioria com muita experiencia, no grupo facebook.com/groups/DomesticasLISBOA 🙂

  • Reply
    Patrícia Silva
    12/04/2017 at 12:06 AM

    Bem que situação! Espero que corra tudo bem com a próxima senhora, em minha casa é a mesma senhora já há imensos anos, super impecável, mas na casa onde estou a morar em Lisboa por estar a estudar lá, é uma empresa, são smepre 3 senhoras diferentes e apesar de a senhoria estar presente nunca confio nada… Não gosto nada de ter pessoas estranhas a mexerem nas minhas coisas. kiss^^

  • Reply
    Diana Oliveira
    12/04/2017 at 12:49 PM

    a diferenças nas fotografias é enorme :O
    agiste bem! quando temos animais temos de pensar no bem estar deles agiram bem 😉 de certeza que com a nova empregada a coisa irá correr melhor 😉

  • Reply
    Vanessa
    12/04/2017 at 2:11 PM

    Que situação mais complicada. Eu a ler isso só já imaginava o meu cão (que muitas vezes as pessoas o tratam como um boneco ou sem ser família) no lugar do Loki. Acho que ele ia agir como o teu pequenino, mas como ele é, era só nos ver e vinha todo agachadinho fazer queixinhas.
    Mas sempre me disseram que os gatos são os nossos maiores aliados contra as visitas que recebemos e não se engaram 🙂
    Espero que agora tenhas mais sorte com a nova empregada. Isso é sempre uma questão difícil :/

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    Natália Rodrigues
    12/04/2017 at 8:41 PM

    Já me aconteceu algo parecido, como ela ia lá a casa quando eu não estava só percebi quando a gatinha começou a arrancar o pelo das patas de trás com a língua. Diagnóstico : Stress. Quando acabei com a empregada, tudo voltou ao normal. Os bichinhos não falam, pelo que comportamentos estranhos são sempre sinal de alarme. bjs
    Natália Rodrigues recently posted…Correr só por teimosiaMy Profile

  • Reply
    Marilina Fernandes
    12/04/2017 at 10:48 PM

    Que grande sufoco que passou!
    Nem imagino numa situação dessas! E há quem diga que os animais não são sensíveis!
    Ainda bem que tomou a atitude certa!
    *-*

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    Ana Teles
    17/04/2017 at 1:40 PM

    Boa decisão! Actualmente, tenho uma moça cá em casa que é fantástica e as gatas só se afastam com o aspirador. De resto, é fantástica com as minhas meninas. <3
    Ana Teles recently posted…dicas | despertadoresMy Profile

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    Mel
    17/04/2017 at 9:09 PM

    Que situação desagradável; as diferenças do Loki nos dois conjuntos de fotografias são mais do que evidentes. Pessoalmente eu seria mesmo directa e explicaria o real motivo, mesmo que a pessoa tivesse 100 anos e fosse cabeça dura. Os animais merecem respeito e não é por alguém não compreender ou aceitar isso que tem o direito de lhes fazer mal.

  • Reply
    mysupersweettwenty
    20/07/2017 at 2:09 PM

    Não compreendo 🙁
    Eu não adoro gatos, mas nunca faria mal a nenhum… Uma das minhas cadelas chegou a fugir de casa no dia que vinha a empregada, mas no nosso caso nós sabíamos que era por medo do aspirador! Felizmente correu tudo bem 🙂

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