Projecto 6 on 6 – Março 2016

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Dia 6, cá nos encontramos novamente para um novo 6 on 6! Sobre o tema deste mês – Movimento – posso dizer-vos duas coisas: a primeira é que não fiquei tão entusiasmada com ele como fiquei, por exemplo, com o Feminino; a outra é que, de todos até agora, foi o que me deu mais gozo fotografar. Faz sentido? Faz pois! É um daqueles momentos na vida em que somos surpreendidos por algo em que não depositámos grandes expectativas.

E, se inicialmente, não consegui lembrar-me de nada pouco cliché para fotografar, algumas boas oportunidades foram aparecendo ao longo do mês passado e início deste mês. Afinal, o movimento está sempre presente nas nossas vidas e em todo o lado à nossa volta, não é verdade? É algo que para nós é tão comum como o ar que respiramos.

E pensando ainda mais a fundo no tema, podemos até pensar em vários tipos de movimentos: bruscos, delicados, com intenção, sem querer, lentos, rápidos, e podia continuar esta lista até muito mais longe se assim quisesse.

Tendo isto em conta, vou tentar descrever os movimentos que captei com a minha objectiva. 🙂

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O arrasto das mãos a tocar guitarra
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A vibração do prato da bateria

Tirei ambas as fotos de cima num concerto que fui fotografar para a Festmag, mas durante o qual não resisti a tirar fotos de propósito também para o 6 on 6. Este tema fez-me reparar verdadeiramente nos movimentos dos músicos com olhos completamente diferentes. Deixei-me embalar pelo seu feitiço de som e de gestos que falam tanto com as suas letras.

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Movimentos selvagens em palco

Outro exemplo de uma foto tirada num concerto em que fui fotografar para a Festmag. Este já fui em Outubro ou Novembro do ano passado, portanto é uma pequena batota deste meu 6 on 6, mas a verdade é que, na altura, não achei que a foto fosse boa para publicar na revista (e não é). Por outro lado, adorei-a mal a vi após passá-la para o computador. Talvez por ter visto o concerto, é certo, mas aqui revejo o espírito selvagem da cantora Zola Jesus e relembro os movimentos frenéticos e desenfreados com que nos brindou em palco ao dançar, descalça, ao ritmo de uma das suas músicas, completamente em transe.

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Um virar de cabeça num fim de tarde ventoso

A minha amiga Joana, ontem no Terreiro do Paço num momento aparentemente sobrenatural. 😉

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Fazer bolas de sabão e vê-las a flutuar levemente pelo ar

E porque as representações de movimento não se fazem apenas com arrastamentos, eis um momento “congelado” em que as bolas de sabão flutuam, leves, pelo ar.

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Estática vs. Movimento

Achei maravilhoso este contraste de movimentos em plena baixa lisboeta. Ao centro, temos uma “mulher-estátua”, que normalmente se caracteriza precisamente pela falta de movimento. Aqui, alguém tinha acabado de lhe oferecer uma moeda em troca da sua performance caracteriza por movimentos lentos e teatrais. À volta dela, os transeuntes continuam as suas vidas a um ritmo muito mais acelerado.

– – –

Em termos gerais, não estou 100% feliz com a qualidade de algumas das fotos, mas as condições em que fotografei os concertos, por exemplo, não eram ideais. Noutras (como a do cabelo da Joana), a exposição não é a melhor, mas então abri o livro Read This If You Want to Take Great Photographs, de Henry Carroll e deparei-me com esta frase:

“Sometimes you can’t have it all and it’s far better to capture the right moment with the wrong settings, rather than the wrong moment with the right settings.”

É tão verdade! Nem vos consigo dizer quantos momentos perdi enquanto procurava sacar uma foto perfeita em modo manual. Quando o momento está lá (no meu caso um encontro com um enorme grupo de veados), deixam a amiguinha no automático e disparem! Mais vale terem algo com que trabalhar em edição mais tarde, de que não ter nada.

Eu perdi os veados.

Portanto, se há coisa que aprendi com este desafio, foi a relaxar mais e a não me sentir mal por uma foto não sair tão bem como queria. 🙂

Agora, vamos ver como é que as minhas colegas de 6 on 6 interpretaram o tema “Movimento”, sim? 😀

10 Comments

  1. Catarina Coelho says:

    Opa parecia que me estava a ouvir enquanto lia este teu post. Aconteceu-me algo muito semelhante neste 6 on 6 de Março. Tal como tu, não fiquei muito satisfeita com as minhas fotos. Preocupei-me imenso em tentar mexer em modo manual, de forma a explorar um pouco mais… E depois perdi alguns momentos bons, que teria facilmente captado com automático. Mas tal como disse no meu post, acho que o importante é o que aprendemos com isso 🙂 Gosto muito da tua foto das bolinhas de sabão e a de contraste de movimentos! Esta última foi muito bem pensada e apanhada 😀

    Beijinhos! <3

  2. Marta Chan says:

    Gostei do tom mexido das fotografias, por acaso tinha umas 3 fotos de photobombing desprepositado que ainda considerei deixar 😛

    Os cabelos esvoaçantes da Joana estão demais, e é isso, por vezes só temos aquele milésimo de segundo para pensar e agir, para conseguirmos uma foto. Não é perfeita em termos de qualidade mas o sentimento, a ideia, o conceito, está lá, o que, na minha prespectiva, é o mais importante num projecto como o 6 on 6.

  3. somebodyelsa says:

    Percebo o que queres dizer em relação ao modo manual… Na altura em que quis ser fotografa esforçava-me por usar sempre o manual porque é o que te ensinam que tem de ser. Mas às vezes, principalmente quando ainda estás a aprender, não funciona bem assim, ainda mais quando estás a fazer fotografia de rua.
    Lembro-me de um dia ter saído para fotografar propositadamente em modo automático. Nesse dia fiz das composições que mais gostei (está aqui se quiseres ver: http://insonia.deviantart.com/art/free-love-57067690 ) e pouco me importa os settings da máquina.

  4. Joana Sousa says:

    Girl, adoro as fotos dos cabelos e dos balões! E essa frase diz tanto! Confesso, não gosto mesmo de fotografar em Manual exactamente por isso. Por isso acabo sempre por fotografar em Av, sempre tenho controlo no que quero, e no resto conto com a ajuda da máquina, não é crime aproveitarmos a ajuda da tecnologia 🙂 Deixo o Manual para casos específicos em que o objectivo é mesmo distorcer a realidade. Puristas da fotografia podem dizer-te que isso é crime, mas olha que fica bem mais fácil conseguir boas fotos, acho eu :p

    Jiji

  5. Maria says:

    As fotografias estão super giras. Gostei especialmente da número a 5. Mas a minha favorita é realmente a última imagem.

  6. Vânia says:

    Gosto muito da “imperfeição” das tuas fotos. Acho que é justamente isso que as torna especiais e atractivas. Bom trabalho 🙂

  7. Vanessa says:

    É importante relembrar na nossa cabeça que não há mal em não ser o shot perfeito, em não estar tão boa como queríamos. Pessoalmente, esforço-me imenso para fotografar em Manual, mas quando tenho de ser “rápida” e não tenho bem por onde me mexer… acabo por desistir e voltar ao automático. Em termos de tempo, se o tivermos, tudo bem, brincamos com a máquina e provavelmente conseguimos Aquele shot, mas se não tivermos, não nos batem por usar o automático ou por ficarem imperfeitas. 😀
    Gostei muito das fotos! 😉

  8. Inês Silva says:

    As fotos de música! Ai adoro!

  9. Photoshoot: Helena, the book lover says:

    […] de casa. Será que consigo? Já agora, vou aproveitar também para fotografar para o próximo 6 on 6. […]

  10. Lomografias digitais pelo Porto says:

    […] aqui tinha falado sobre a beleza das fotos imperfeitas, mas nunca é de mais relembrar esta citação de […]

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