Reverence Valada 2016: os concertos

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É verdade que já passou algum tempo desde que acabou esta última edição do Reverence Valada, mas não podia deixar de falar da parte mais importante do festival: os concertos. Neste post, falo-vos então de alguns dos concertos que mais queria ver (será que corresponderam às expectativas?)

Tendo só chegado no segundo dia de festival (o primeiro foi numa quinta-feira, por isso não deu para ir), aqui ficam as minhas singelas reviews a contar do momento em que cheguei ao recinto. 🙂

Dia 2

Fat White Family

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Tendo eu chegado ao recinto apenas na sexta-feira à noite (2º dia), o concerto the Fat White Family foi o primeiro que vi. E que forma incrível foi de começar este festival!! Que energia, que irreverência e imprevisibilidade! Não conhecia esta banda nem sequer estava na minha lista de bandas imperdíveis, mas damn, foi brutal!

Não consigo apontar de forma muito clara o que teve este concerto de tão especial, mas para além dos atributos que já destaquei, a música esteve à altura com o seu rock britânico e desde então tenho vindo a ouvir cada vez mais o seu álbum de estreia Champagne Holocaust (2013) e o mais recente Songs for Our Mothers (2016). Vale mesmo a pena!

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Dead Meadow

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Uma das bandas que mais queria ver no Reverence e cuja sonoridade vai mais de encontro àquilo que ouço e que adoro em termos musicais. Infelizmente, não consegui ver o concerto todo, mas curiosamente nessa altura nem estava muito nessa mood. De qualquer forma, vou sempre lamentar ter perdido parte do concerto, ainda que tenha conseguido apanhar qualquer coisinha.

The Raveonettes

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Estava em pulgas por este concerto da dupla dinamarquesa responsável por uma das minhas músicas favoritas do momento (Aly, Walk With Me) e devo dizer que não me desiludiram. Li algumas críticas um bocado meh relativamente a este concerto, mas eu que nunca os tinha visto ao vivo antes, fiquei feliz da vida com esta experiência. Notei-lhes uma intensidade envolta numa aura de mistério que em muito me impressionou e correspondeu à expectativa.

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Ao vivo, testemunhei também de forma mais óbvia as suas influências em bandas quase lendárias como os Jesus and the Mary Chain e My Bloody Valentine. Tudo bandas que adoro e que tenho o prazer de poder colocar “no mesmo saco”.

A faltar ficaram apenas a “Lust” e a irrepreensível cover de “I Wanna Be Adored”, dos The Stone Roses.

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Muito bom!

The Brian Jonestown Massacre

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Uma das bandas que mais expectativas criou em praticamente todos os festivaleiros que se deslocaram ao Reverence Valada este ano e que se estreou pela primeira vez em palcos nacionais.

Possuindo, na minha opinião, músicas lindíssimas e que em muito contribuíram para que fosse das bandas que mais queria ver ao vivo, infelizmente, não me impressionaram. O concerto parece ter sido dado a meio gás (não vou justificar com o passado de droga de Anton Newcombe) e não foi memorável, mas também não foi mau. Esperava mais, só isso.

A Place to Bury Strangers

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Nesta terceira edição do Reverence Valada, vi os A Place to Bury Strangers pela terceira vez, tendo a primeira sido nas Cartaxo Sessions e a segunda na primeira edição do Reverence, em 2014.

Não desiludindo, a actuação dos APTBS (abreviemos desta forma) foi carregada de energia destrutiva e selvagem. A primeira guitarra partida surgiu logo após a segunda música (se não me engano), algo que já começa a ser a imagem de marca da banda nos seus concertos (mas li algures que depois a recuperam, ao menos isso). A meio do concerto, proporcionaram um dos momentos mais marcantes deste Reverence ao desaparecerem para o meio do público, de onde ainda tocaram bastante tempo.

As músicas em si ficam quase imperceptíveis no meio de tanto barulho e distorção, mas tudo isto faz parte da experiência de ver APTBS ao vivo. É – e continua a ser – um espectáculo impressionante, mesmo à terceira vez.

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Dia 3

The Damned

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Confesso: não sabia que eram os The Damned. E é uma pena, visto que esta banda foi uma das figuras marcantes do punk britâncio do final dos anos 70, a par de outros nomes sonantes como Sex Pistols e Buzzcocks. São, portanto, uma relíquia e uma memória viva (e para as curvas!) de um tempo de ruptura, de rebeldia e de uma nova sonoridade.

Hoje em dia, os The Damned já não são nenhuns jovens e já possuem uma carreira de cerca de 40 anos.

 

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Seja como for, a idade não pareceu pesar assim tanto assim que deram música no palco Sontronics com temas clássicos da banda como “Disco man” (um grande “fuck you” ao movimento disco dos anos 70) ou “New Rose”. Quem conhecia a banda, vibrou de alegria durante este concerto; quem não conhecia (como eu)… vibrou na mesma! Arrisco até a dizer que se viveu um dos momentos mais contagiantes e alegres de todo o festival durante o concerto de The Damned.

Uma óptima surpresa para mim!

The Sisters of Mercy

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Confesso que estava desejosa de os ver ao vivo, mas que ao longo do tempo me foram retirando expectativas, pelo que já fui para este concerto de pé atrás. Mas a vontade de ouvir ao vivo aquela sonoridade típica dos anos 80, aliada à mood gótica da banda e das suas letras, era maior.

Agora, já mais de duas semanas após o Reverence, ou seja, já com as ideias assentes, consigo ter a clareza para admitir que, ok, as pessoas que me “avisaram” de que não seria um grande concerto tinham razão. De facto, não o foi. Mas acredito que os verdadeiros fãs tenham ficado deliciados por ouvir mais uma vez – ou pela primeira vez – a agradável voz barítona de Andrew Eldritch em clássicos de Sisters of Mercy como “Lucretia My Reflection” ou “This Corrosion”.

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Uma vez que se trata de uma banda que não publica um álbum desde 1990 ou 1990 e tais, parece-me pouco provável que lancem mais algum, por isso, dou-me por satisfeita por esta experiência. Se pagava para ver apenas um concerto de Sisters of Mercy fora do contexto de festival? Não.

With the Dead

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Nesta fase do Reverence, já estava a ressacar pelo bom, velho, puro e pesado stoner e foi precisamente isso que procurei – e me foi entregue – no concerto the With the Dead, a banda actual de Lee Dorrian (Napalm Death, Cathedral, Probot, entre outras bandas). Dada a sonoridade da banda, que já conhecia antes, era das que mais ansiava ver ao vivo no Reverence. O headbanging lento e consistente ao ritmo de músicas poderosas como Nephthys soube-me pela vida.

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Radar Man from the Moon

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Para mim, a grande surpresa da última noite do Reverence, quiçá até mesmo do festival, uma vez que não conhecia a banda nem a fui pesquisar antes do Reverence.

Quem me conhece, sabe que, apesar de gostar de vários tipos de música instrumental, me torno inquieta quando a vejo e ouço ao vivo. Mas não foi o que aconteceu durante o concerto dos holandeses Radar Man from the Moon, no qual me deliciei com um rock psicadélico puramente (e maravilhosamente) instrumental e convidativo à introspecção.

Mars Red Sky

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Este trio francês de stoner rock psicadélico constava também da minha lista de bandas imperdíveis no Reverence Valada 2016.

Foi o último concerto que vi nesta última edição do Reverence, pelo que, mesmo que se a música não tivesse sido boa, ficaria na mesma na memória. Mas a música foi boa e não foi pouco. Destaco os fantásticos momentos intercalados de doom e stoner, sempre com a voz melódica e quase delicada do vocalista.

Não sei porquê, mas este concerto pareceu-me ter passado num ápice. Mas foi bom enquato durou!

Outros bons concertos que vi no Reverence

band
The Cult of Dom Keller
onstage
Névoa
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Mécanosphère

A edição deste ano parece que voou, mas ainda assim fiz os possíveis por aproveitá-la ao máximo. Foram dois dias de concertos incríveis, num ambiente que não há em mais lado nenhum e com a melhor companhia, claro.

Ainda este ano não acabou e já estou desejosa do próximo e da próxima edição do Reverence! Até para o ano, Valada! 🙂

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