Uma peça de roupa: a camisa da minha mãe | Desafio 1+3

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Sempre tive um fascínio pelas roupas da minha mãe. Creio que quase todas as meninas crescem a ver a mãe como o seu ícone de estilo e modelam a sua feminilidade através da dela. Ainda na infância começamos a experimentar roupas, sapatos e maquilhagem das nossas mães, fingindo sermos crescidas e sofisticadas como as nossas mães sempre nos parecem ser. Comigo foi assim.

Ao longo dos anos, foi desenvolvendo uma predilecção por peças específicas do guarda-roupa da minha mãe, mas talvez a minha favorita de todas seja uma camisa de ganga clara que – diz a minha mãe – tem mais anos do que eu.
Na verdade, a minha mãe tem várias peças de roupa mais antigas do que eu; isto porque, na altura, não existiam propriamente alternativas de vestuário low-cost no sentido que a palavra ganhou nos nossos dias (falo da Primark, por exemplo), pelo que se investia mais em roupa, mas em roupa de qualidade. Os materiais eram bons, os acabamentos também, pelo que – quando combinado com o bom tratamento da roupa – é normal durarem assim tantos anos e mais ainda.

Gostava de vos poder mostrar uma foto minha de infância a usar essa camisa, gigante na altura, com as mangas enroladas ao máximo, para poder utilizar as mãos. A camisa era mais que um vestido para mim, talvez com uns quatro ou cinco anos nessa foto. Quando a encontrar, vou tentar replicar essa foto comigo agora adulta a usar essa mesma camisa da minha mãe. Isto porque continuo a usá-la. Já morou comigo cá em Lisboa, temporariamente até eu arranjar uma camisa de ganga parecida para mim.

Quem não adora ver o que os pais usavam quando era mais jovens? Os bares que frequentavam, os amigos que tinham? Até porque é impossível não criarmos paralelismos entre a juventude deles e a nossa e compararmos o que conhecemos das nossas vidas e rotinas com o que vemos das deles através das suas fotos.

– Meu, daqui.

Mas a minha nunca será aquela; o material é melhor – já vimos -, mas há algo no seu toque que me é ainda mais familiar do que a camisa de ganga que realmente me pertence. Tem o perfume da minha mãe e memórias da minha infância. Não é só uma camisa, não é só uma peça de roupa. A roupa tem o dom de nos fazer lembrar que a usa e de nos ajudar a associar memórias preciosas à mesma. Ou será que sou eu que sou demasiado nostálgica? Creio que não, pois o mesmo se passa com os perfumes e isso ninguém é capaz de negar, certo? Quem não associa um perfume a alguém que conhece ou que já se cruzou no seu caminho a dada altura da vida?

Neste post falei-vos da camisa de ganga da minha mãe, mas também podia ser o lenço azul da Chanel da minha avó e que eu herdei.

Não me vou repetir neste post, mas vou convidar-vos a ler este texto que escrevi acerca daquilo que considero que as roupas acrescentam à nossa vida, às nossas memórias e à nossa história. O post em questão chama-se “Porque tirar fotos da nossa roupa não é um exercício egocêntrico” e é um dos meus posts favoritos (escritos por mim) de sempre. Espero que gostem, que leiam e que o associem também a esta pequena partilha. 🙂

A camisa de ganga em questão é esta que a minha mãe está a usar nesta foto. 🙂

E vocês, também associam pessoas e/ou memórias a peças de roupa?

Nota: este post insere-se no Desafio 1+3, criado pela Carolina do Thirteen. Este desafio consiste, de uma forma muito resumida, num movimento de amor-próprio, de auto-conhecimento e de auto-valorização. Se quiserem participar, visitem este post e enviem um email à Carolina!

6 Comments

  1. Joana Sousa says:

    Falei exactamente da mesma questão do meu post – não só de uma peça, porque sou mestre em ficar com as peças antigas da minha Mãe :p cada peça sabe a abraço. Sabe tão bem carregar as memórias comigo 🙂

    Jiji

  2. Vânia Duarte says:

    ainda no outro dia falava no trabalho com as minhas colegas sobre o fascínio que eu tinha com a coleçao de cintos incríveis e super 80’s que a minha mãe tinha e com os macacões que a ela lhe ficavam perfeitos e a mim gigantes. Hoje em dia tenho várias peças da minha mãe, mas há um casaco que uso e abuso no outono que me faz lembrar dela sempre que olho para ele 🙂

    1. Catarina Alves de Sousa says:

      Oh, que bonito! Eu herdei um desses cintos! ahahaha não uso muitas vezes, claro, mas já usei uma ou outra vez em público. 😛 Adoro o facto de tantas meninas e mulheres ainda sentirem fascínio pelas roupas das mães. Será que as nossas também vão despertar o mesmo sentimento em gerações futuras mesmo sendo da H&M (às vezes)? 😛

  3. Carolina Sofia says:

    Nunca tive uma fixação pelas roupas da minha mãe desde criança, porém há peças que agora partilhamos. Gostei imenso do post. Beijinhos

    1. Catarina Alves de Sousa says:

      Muito obrigada, Carolina! Beijinhos*

  4. Ana Virgínia says:

    No meu posto sobre este tema também trouxe memórias… da minha avó, que fazia roupas para os netos.
    Adorei seu post.

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