Utopia

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Esperamos por estes momentos durante todo o ano. Trabalhamos, sonhamos e planeamos estes 10 dias com mais entusiasmo do que tudo o resto. Dez míseros dias que se desvanecem como os melhores dos sonhos quando o despertador toca mais cedo do que gostaríamos. E vale a pena todo o esforço, todo o planeamento, toda a idealização e esperança que estes dias sejam os melhores do ano? Sim, vale e sim, são os melhores do ano.

Dúvidas? De 0 a 10, -10.

Acho sempre que não vou conseguir esquecer o que fica para trás; tudo o que foi deixado por fazer e que cá estará à minha espera quando regressar. E de todas as vezes me engano. Já me devia conhecer melhor.

Assim que piso aquela areia fervente no pico do calor tudo o que ocupava a minha mente se esfarela e desfaz e se vai juntar aos infinitos grãos de areia da praia para serem ocupados por desejos simples, como ir dar um mergulho, deitar na toalha e abrir um livro novo que guardei especialmente para ler nas férias.

E este ano os amigos lá estiveram também. A nossa família numerosa destas férias ajudou a definir um novo “aqui e agora”, ainda mais longe da realidade que o costume. Ajudaram a tornar estes 10 dias memoráveis e a passá-los mais lentamente. Sim, porque no Algarve os dias passam mais devagar, mas são incrivelmente cheios e bem vividos. Como é que isto é possível? Será que me faço entender ou parecerei meia tolinha? 10 dias pareceram-me 3 semanas e, ao mesmo tempo, daria tudo por mais.

Hoje, de volta à realidade da qual só resgatava os meus gatinhos e os enviaria para a minha utopia de férias, apercebo-me de forma brutalmente clara da rapidez com que tudo acontece na cidade. Os dias aqui têm o mesmo número de horas, mas passam a correr e acabam rápido. E um dia acordamos e já tudo nos passou ao lado.

Mas junto à praia não. O mar não deixa que o tempo passe mais depressa que as suas marés mudam. E sentimos que viveremos para sempre, sempre jovens, de sorrisos fáceis, de peles douradas e de ondas salgadas no cabelo.

Num lugar como este é fácil amar aquilo que nos irritaria num contexto citadino. Tomar banho após um longo dia de praia apenas para nos apercebermos, horas depois, que alguns grãos teimosos de areia insistiram em permanecer agarrados com firmeza à nossa pele e que agora fazem quase parte de nós. Nunca os adorei tanto como desta vez. E levar o lixo depois de jantar? É lindo. Só assim tenho desculpa para visitar mais uma vez um dos meus lugares favoritos: as falésias. Ao ir levar o lixo, vislumbro um longo caminho a direito que me levará a uma das vistas mais bonitas e a presenciar um dos melhores momentos de um dia de verão: o pôr do sol.

Portanto, como podem já ter percebido, regressar ao “mundo real” não é tarefa fácil e há todo um processo de luto que tem que ser feito. Como tal, seguir-se-ão alguns posts saudosistas sobre estas minhas férias, mas espero em breve voltar à normalidade (se é que existe). 🙂

E vocês, já foram de férias? Também vos custa assim tanto o regresso ou aceitam-no relativamente bem?

Disclaimer: the first photo is also by my friend JD and I’m also using the ‘Mia’ Photoshop action by A Beautiful Mess.

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5 Comments

  1. Marta Chan says:

    Uauuu pareces mesmo inspirada, o mar fez te muito bem a mente. Sinto meuma sortuda por ter crescido a 5 minutos a pe do mar e por ter adotado um estilo de vida que me permite viajar sempre.
    Espero que tenhas vindo cheia de motivacao e energia para mais posts inspiradores como este!

  2. joan of july says:

    E estou, Marta! Tens razão, o mar tem esse efeito, eu sinto-o sempre. Tambem cresci perto do marta, embora um mar mais frio e violento. 🙂
    Um dia tenho que te perguntar umas coisas sobre o teu estilo de vida que acho super inspirador. 🙂

  3. Nancy Wilde says:

    Vieste a Lagos afinal?
    Pá, sendo eu do Algarve… Tenho-te a dizer que não associo isto a férias ahah! E quando marco férias geralmente é para lugares frios. As últimas foram Dublin, as próximas devem ser prá Escandinávia. Que este Sol e calor seco já me estão a enervar x)
    **

    1. joan of july says:

      Sim, passei umas horinhas em Lagos, infelizmente não deu para mais.
      Acredito que não associes a férias. Ninguém que conheço que mora o ano todo no Algarve associa e eu percebo.
      Adoro ir a Dublin! O meu namorado é que é tolo pelos países nórdicos e eu admito que também gostava imenso de conhecer, principalmente a Noruega. Infelizmente lido muuuuito mal com o frio. Acredito cada vez mais que se estivessem 31 graus e sol a maior parte do ano que não me queixaria. 😛

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