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Regresso à simplicidade: um desabafo sobre fotografia

Quero voltar. Quero voltar aos tempos mais simples, mas ao mesmo tempo complexos, em que fotografava qualquer coisa, mas com uma câmara em vez de com o telemóvel. Também o usava, claro, mas a facilidade de fotografar tudo com um objeto mais pequeno e fácil de transportar, acabou por me levar a abandonar a prática da fotografia “a sério”.

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, não é assim que reza o ditado popular? Tenho vindo a sentir muito isso no que diz respeito à fotografia e oh, como isso me deixa triste.

Não posso falar pelos outros, até porque entendo a mudança e o porquê da mesma, mas no meu caso entristece-me. Fotografar com a minha Canon era uma alegria que eu tinha como constante na minha vida criativa e, agora, passou a ser um obstáculo, algo que passei a ver como uma tarefa chata e trabalhosa (andar com a câmara atrás, ter que editar depois…)

Aqui vai a confissão:

Ultimamente, só fotografo com o telemóvel. Sim, até viagens. Os registos das minhas viagens desde 2020 foram feitos com telemóvel. Cheguei a levar a Canon na viagem de autocaravana pelo sul de Espanha, mas rapidamente a voltei a guardar num compartimento do nosso meio de transporte/habitação e nunca mais a tirei até à hora de voltar a arrumar tudo para regressar a casa.
Tenho algumad fotografias de Sevilha e de uma praia e pouco mais.

Se isso me deixa triste? Muito. Foram más decisões. Vou trabalhar essas fotos da melhor forma e fazer uma boa seleção na mesma, mas não é a mesma coisa. Por mais que as câmaras dos telemóveis tenham evoluído enormemente (que evoluíram), não chegam aos pés da qualidade fotográfica de uma câmara “a sério”.

Ficaram por registar os locais incríveis que visitei em 2020 (no caso da Madeira foi mesmo porque o cartão se estragou, isso não foi culpa minha) e em 2021. Especialmente a viagem de autocaravana e a escapadinha a Madrid.

É mesmo na questão das viagens que noto mais diferença. As que fiz e que registei fotograficamente (a sério), estão aqui no blog. Nota-se um cuidado mais meticuloso na curadoria das imagens escolhidas para apresentar no blog. Nota-se que demorei mais nos sítios, que os apreciei mais e os vivi mais.
Há quem ache que não se vive bem a vida de câmara atrás nem se vêem bem as coisas em viagem, mas no meu caso isso não se verifica minimamente. É precisamente assim que as vivo melhor.

Se me custou, em 2015, subir até ao Arthur’s Seat em Edimburgo de mochila às costas e câmara pesada ao pescoço? Custou muito. A subida já é o que é, mas com todo esse peso extra (mais mil agasalhos), ainda foi mais custoso. Se valeu a pena? Muito. Ainda hoje, dou por mim a revisitar essas fotos. Houve algo muito especial nesse momento e que vou guardar para sempre no coração e na memória, mas também em fotos, felizmente.

E quero também voltar aos tempos mais simples aqui no blog. Os tempos dos “6 on 6” e dos “A Beautiful Week“. Tempos em que não se pensava tanto em likes e algoritmos. Tempos em que fotografava não só pessoas, mas também detalhes de casa e pormenores de coisas que me faziam feliz e alegravam os meus dias ou me inspiravam de alguma forma.

Tenho verdadeiramente sentido falta de fotografar de verdade. Mas só as palavras não mudam nada. O plano é… fazer! Então, esta semana vou recomeçar a fotografar aos poucos. Aqui em casa, nos passeios que fizer, os meus animais, os detalhes banais, mas queridos, do meu dia a dia.

Das últimas fotos que tirei com a máquina em passeios.
Aqui, na Tapada de Mafra (Julho 2021)

Mais alguém por aí tem saudades destes tempos de simplicidade e de genuinidade nos blogs?

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