Sem categoria

I got to get this out of my system

Acredito firmemente que sou a pessoa que conheço que mais necessidade tem de se expressar. É como se tivesse algo vivo dentro de mim que, caso não seja solto, começará eventualmente a devorar-me de dentro para fora. É um sentimento terrível, mas facilmente ultrapassado. Escrever é a forma mais utilizada por mim quando esta situação ocorre.

Faço-o também para “documentar” partes da minha vida. Acreditem ou não, mas escrever num blog ajuda-me em muitos aspectos. É mais difícil esquecer as coisas por mais longínquas que estejam na minha memória e, para além disso, quando se trata de coisas mesmo muito muito MUITO boas, é uma forma de me certificar de que não foram apenas um sonho e que realmente aconteceram. Isto pode parecer estúpido, mas acontece-me muito mais vezes do que o que seria considerado “normal”. Perco a conta às vezes em que me pergunto se x aconteceu mesmo comigo ou se foi algo que fantasiei na minha cabeça. Desde miúda que tenho uma imaginação perigosamente fértil, logo, há que me certificar de que as coisas são reais.

Pelos vistos, segundo a Ana, o nosso signo (caranguejo) dizia algo como “deixe as decisões para amanhã”, algo que só fiquei a saber há coisa de uma hora, após um dia inteiro a pensar, remoer e tomar decisões importantes e que podem afectar o meu futuro. Logo eu que nunca acreditei na astrologia. E continuo a não acreditar. Não podia adiar estas decisões. Aliás, estou convencidíssima que adiar coisas importantes só iria agravar a dificuldade que tenho em dormir.
E que decisões foram essas? Não, não acabei com o meu namorado, tal como sei que muita gente adoraria ler. Aproveito para dedicar estas duas ou três linhas às pessoas que têm um prazer mórbido advindo de fases negativas na vida dos outros, o que não é o meu caso. Mas sei de algumas pessoas que acham e ficam estranhamente preocupadas sempre que mudo o meu status no facebook- ah, já agora, eu só queria esconder informações, não sabia que o face ia informar toda a gente que “Catarina Alves de Sousa já não se encontra num relacionamento sério com Pedro Ribeiro”-; wtf?!

O circo que é a internet consegue meter nojo às vezes.

Por falar nisso- e chamem-me paranóica se assim o acharem-, cada vez penso mais no facto de TUDO o que fazemos ser PÚBLICO. TUDO. Se temos internet, podemos encontrar o nosso nome no google (em alguns casos), os nossos profiles em sites de networking, comentários que fazemos noutros sites de outras pessoas, etc. Recentemente tomei a decisão de tornar todos os meus profiles privados: Hi5, MySpace e Facebook são agora privados. Melhor decisão de sempre. Mas não é a solução perfeita, claro. Ainda na semana passada tive um azar com um “amigo” do myspace, o qual tive de apagar e bloquear (note to self: NÃO pensar no Élvio Santiago) e nem sou nada de fazer essas cenas. Só quero sentir-me “em casa” no seio desta aldeia global, aldeia essa onde, ao contrário das aldeias de outrora, quase ninguém se conhece e onde há, inclusive, gente perigosa.

Ainda acerca desta tema, já alguém parou para pensar que quando visitamos, por exemplo, um centro comercial, TUDO o que fazemos lá dentro é gravado? Desde o momento em que estacionamos o carro e/ou entramos pela porta, passando por onde comemos, onde fomos ao WC, que lojas vimos e o que comprámos, até ao momento em que abandonamos o local?
Eu nunca tinha pensado em nada disto, mas agora que o fiz, não deixo de me perguntar se tudo isto será normal, pois se nunca pensei nisto antes é porque não será assim tão estranho quanto isso, ou se realmente não terá um lado obscuro e assustador?

Voltanto às decisões de hoje; não pretendo dar muitos detalhes, apenas deixo aqui por escrito que, embora este não seja um período particularmente frutuoso e onde abundam as oportunidades, não temos nem nos devemos sujeitar àquilo que existe porque muito do que existe é merda. Podemos não ser a melhor coisa do mundo, nem os mais inteligentes, os mais esclarecidos, cultos ou com o CV mais impressionante, mas isso não quer dizer que não podemos ter um bocadinho de dignidade e saber dizer NÃO. Não às falsas promessas, não a empregos merdosos que só nos vão azer sentir infelicidade e frustração, não às escolhas fáceis. Não preciso de ser rica, quero é ser feliz e viver por perto de quem gosto e fazer aquilo que me dá mais prazer. A minha situação e a dos meus colegas é instável e andamos sobre as areias movediças do mercado de trabalho todos os dias, mas não trocaria a minha vida pela de qualquer pessoa que soube desde os 7 anos (or so) que queria “ser médico quando for grande”. Já o vi way too many times e não é bonito. Cresci com alguns exemplos daquilo que realmente significa ter a vida planeada a longo prazo. É horrível, entediante, aborrecido, e pode ser muito frustrante. Estou a falar, por exemplo, daqueles meninos e meninas que quando levavam as notas para casa nunca eram suficientemente boas para os papás que sempre sonharam que os seus filhinhos seriam médicos ou advogados. É triste.

Não trocaria isto por essa vidinha por nada deste mundo. Antes ser a BFF da Paris Hilton.
Podem acusar-me quase legitimamente de ser uma sonhadora, mas acreditem que só o sou porque sei que posso sê-lo. Não me venham dizer que as coisas não são assim ou assado na vida real porque eu sei exactamente como são as coisas. Tenho visto, tenho ouvido, portanto não me venham com coisas. Não ousem tentar demover-me nem desmotivar-me. No final, as pessoas realmente boas (com skills) e com uma forte motivação, persistência e imaginação vão chegar onde querem. Acreditem. Não é peta, é lógica. Não usem a crise como desculpa para não mexerem uma palha. Não sejam ridículos.

Mexam-se, tomem a iniciativa, criem projectos vossos.

RE-INVENTEM-SE.

6 Comments

  • Kahkba

    Sim, eu posso não tomar as decisões perfeitas nem viver do modo como muita gente qereria qe eu o fizesse, mas se há algo qe não consigo é viver de acordo com um protocolo elaboradíssimo. Mas também não consigo viver sem planear um futuro ideal, por muito qe ele não venha a ser presente. Acho qe isso é, como tu dizes, sonhar.
    E é óptimo ! *

  • João Vilela

    Não preciso de ser rica, quero é ser feliz

    Tecnicamente, é mais difícil seres a segunda coisa do que a primeira. O que só te torna mais corajosa.;)

    (sim, comentei e não meti nojo. Aproveita, não vai ser sempre assim;D)

  • João Vilela

    Não escrevi que ser feliz é difícil. Depende, como dizes, do que se precisar para isso. O que eu disse foi que é mais fácil ser rico do que ser feliz, o que é diferente: para enriquecer basta ter uma vida de mão-de-porco durante uns anos, meter o máximo dinheiro possível num saco ou numa conta bancária, e é possível deter uma maquia respeitável bastante cedo. A riqueza é quantitativa. Já para ser feliz é preciso que uma série de factores qualitativos (ter amigos, ter um trabalho aliciante, ter interesses, viver num sítio de que se gosta), que por inerência não dominamos com a mesma facilidade, se disponham de maneira que a vida nos corra bem. Mas isto é a minha ideia. E, de qualquer forma, não vou discutir estas coisas: demorei demasiado tempo a granjear a fama de superficialidade e bruteza que tanto deleita o meu público, e não vou agora deitá-la a perder;D

  • João Vilela

    NOTA: leia-se, onde está «é mais fácil ser rico do que ser feliz», «é mais difícil ser feliz do que ser rico». Acaba por dar no mesmo mas dito de trás para a frente, bem sei. Mas isto é (de)formação profissional.

Leave a Reply

Your email address will not be published.