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Oodi Central Library: literatura e inovação no coração de Helsínquia

06/12/2022

Helsínquia tem 37 bibliotecas públicas e, como podem imaginar, tendo só lá estado uma semana, não fui visitar todas. Visitei aquela de que vos vou falar neste post e também visitei a National Library of Finland. Pode dizer-se que são completos opostos, mas já lá vamos. Neste post, vou falar-vos acerca da Oodi Central Library e sobre o que a torna tão especial.

Breve e recente história da Oodie Central Library

Fonte: dezeen

Um concurso de design em 2012 para a construção da biblioteca foi ganho pelo gabinete de arquitectura finlandês ALA Architects e o design estrutural pela Ramboll Finland. A ALA Architects ganhou a comissão a mais de 543 outros concorrentes. A biblioteca foi planeada para ser um edifício de três andares e incluir uma sauna e um cinema no piso térreo. Em Janeiro de 2015, a Câmara Municipal de Helsínquia votou 75-8 para lançar o projecto do edifício. Os custos estimados da nova biblioteca foram de 98 milhões de euros, dos quais o Estado concordou em pagar 30 milhões de euros relacionados com o centenário da independência da Finlândia em 2017. A cidade de Helsínquia orçamentou 66 milhões de euros para o edifício.

A 31 de Dezembro de 2016, foi anunciado que a nova biblioteca seria denominada Oodi em finlandês e Ode em sueco. O nome foi selecionado a partir de um conjunto de cerca de 1.600 nomes propostos pelo público. Segundo a diretora adjunta da cidade de Helsínquia, Ritva Viljanen, “Oodi” foi escolhido porque é fácil de lembrar, fácil de dizer e fácil de traduzir.

A biblioteca foi construída no distrito de Töölönlahti junto ao Centro de Música de Helsínquia e ao Museu de Arte Contemporânea de Kiasma e inaugurada a 5 de Dezembro de 2018, na véspera do Dia da Independência da Finlândia (que se celebra hoje, à data de escrita deste post).

Fonte: Wikipedia

Fonte: Oodie Helsinki Central Library

Este é o edifício completo da Oodi Central Library. Não sendo exatamente uma perita em arquitetura, não consigo não admirar esta construção moderna, com as suas linhas fluidas e que se destaca na paisagem citadina.

A minha primeira impressão da Oodi

Como partilhei aqui neste post, a minha visita a Helsinquia foi uma mistura entre trabalho e lazer. Já ia com ela fisgada para ir trabalhar nesta biblioteca (por recomendação de um local, colega de trabalho do meu namorado) e pesquisei sobre ela, mas nada me preparou para o primeiro impacto destes três pisos de biblioteca.

Piso 1: eventos, café e reuniões

As instalações públicas ativas e as grandes salas para eventos, tais como o cinema e a sala multiusos, estão localizadas no primeiro andar. O movimentado hall de entrada contém serviços rápidos de biblioteca: aqui podem devolver-se artigos que tenham sido emprestados ou até requisitar novos livros.

Por falar em novos livros, foi neste primeiro piso que tive o meu primeiro impacto. Entrei e vi logo livros novos, novos de recentes mesmo, com capas brilhantes e atraentes, algo que nem sempre encontro nas nossas bilbiotecas aqui em Portugal.

Piso 2: workshops, aprendizagem e interação

Fonte: Wikipedia

O segundo andar é dedicado ao trabalho, à aprendizagem pela prática, à interacção e partilha de tempo com outros, onde se podem encontrar estúdios de música, salas de reunião e trabalho privadas, salas de jogos, oficinas urbanas e instalações de trabalho em grupo.

Quando fui à Oodi logo no primeiro dia, reservei uma sala de trabalho durante umas horas. Achei incrível poder simplesmente alugar uma sala para trabalhar sem pagar para estar num cowork!

Este piso foi uma surpresa impactante. Descobri que se pode fazer trabalhos (grandes trabalhos!) de costura e design de moda em mesas destinadas para tal; pode-se usar impressoras 3D, usar estúdios de música, alugar instrumentos com o cartão da biblioteca ou simplesmente estar só a chillar numa zona dedicada ao lazer.

Porém, e esta para mim é a única desvantagem que encontrei nesta biblioteca, este piso é iluminado por uma luz branca muito pouco Hygge, pelo que não adorei trabalhar lá e abdiquei da minha reserva da sala para ir trabalhar antes para o piso 3.

Piso 3: Book Heaven, varanda e secção infantil

Fonte: Dezeen
Fonte: Dezeen

O andar superior é um lugar para relaxar e relaxar. Por baixo do teto ondulado, pode-se fazer uma pausa , tomar um café e admirar a vista varanda. Este andar é o que mais se assemelha a uma biblioteca tradicional. A secção para crianças também se encontra aqui.

Como vos disse anteriormente, eu escolhi este piso para trabalhar durante o resto do primeiro dia e nos restantes dias de trabalho da semana. Foi aqui que me senti mais à vontade, neste ambiente convidativo e com luz quente.

Um pouco de contexto cultural

Os finlandeses adoram os seus livros. Os finlandeses estão classificados como um dos povos mais alfabetizados do mundo, bem como um dos mais prolíficos utilizadores de bibliotecas. Em média, por ano, cada residente da Finlândia leva emprestados 16 itens de uma biblioteca.

“As bibliotecas têm sido historicamente importantes para os finlandeses”, diz Katri Vänttinen, o diretor de serviços bibliotecários da cidade de Helsínquia. “A partir do século XIX, todas as aldeias tinham uma escola e uma biblioteca, e isso criou igualdade de acesso à alfabetização e ao ensino básico”.

No que diz respeito à Oodi Central Library, mesmo agora, uma semana após tê-la conhecido, continuo a afirmar: a Oodi Library é a melhor biblioteca em que já estive. Change my mind.

Entretanto, se quiserem saber mais sobre esta incrível biblioteca, deixo-vos o site oficial, este artigo e este também.

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