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Páginas Salteadas: Flor de Mel à flor da pele

Quando se lê, em adulta, um dos livros que mais marcou a nossa infância duas coisas podem acontecer: desiludirmo-nos porque a história, afinal, não é assim tão boa, ou conseguirmos vê-la por um prisma diferente, como se a lêssemos pela primeira vez.

O livro: Flor de Mel, de Alice Vieira

Não sei bem como apareceu este livro na minha vida, mas creio que foi a minha mãe que mo ofereceu quando eu tinha 11 anos. Pelo menos foi com essa idade que assinei a primeira página, como já é meu costume. Nessa altura, eu lia muitos livros da Alice Vieira, tendo começado pelo “Rosa, minha irmã Rosa”. Mas “

Quando se lê, em adulta, um dos livros que mais marcou a nossa infância duas coisas podem acontecer: desiludirmo-nos porque a história, afinal, não é assim tão boa, ou conseguirmos vê-la por um prisma diferente, como se a lêssemos pela primeira vez.

Não sei bem como apareceu este livro na minha vida, mas creio que foi a minha mãe que mo ofereceu quando eu tinha 11 anos. Pelo menos foi com essa idade que assinei a primeira página, como já é meu costume. Nessa altura, eu lia muitos livros da Alice Vieira, tendo começado pelo “Rosa, minha irmã Rosa”. Mas “Flor de Mel” foi o livro de Alice Vieira que realmente marcou a minha infância.

Agora que o reli em adulta é que me apercebo de que não me lembrava bem da história e que, inclusive, tinha uma memória diferente daquela que era, realmente, a história.

Neste livro, existe a personagem principal, Melinda, que vive numa casa que acolhe crianças durante o dia, embora ela seja interna. Isto depois da morta da avó. O pai está ausente e vê-a só de vez em quando e a mãe… ninguém sabe. Excepto a Melinda, que, através das histórias da avó Rosário, acha que a mãe é uma rainha que está presa e a ser vigiada por piratas e por criaturas mitológicas.

No meio disto tudo, existe a personagem que, para mim, mais me marcou neste livro, a Tontinha-do-Mar. Esta personagem é muito misteriosa, é um vulto esguio de mulher de quem se conta a seguinte lenda:

“De sete em sete ondas vem a Onda Mãe, toda a gente sabe. Mais um dia a Onda Mãe chegou com tal fúria que lançou para terra muitas ondas pequeninas, suas filhas. Com tanta, tanta fúria, com tanta, tanta força, que uma delas foi parar tão longe que nunca mais conseguiu regressar ao mar. Há quem diga que a Tontinha-do-Mar é essa onda que não voltou.”

Da janela de casa da avó, Melinda vê-a passar e, mesmo já morando na casa da Mãe Joana, Tontinha-do-Mar continua presente nos seus pensamentos.

Quando eu era criança, achava que esta era a mãe de Melinda, que teria possivelmente enlouquecido. Mas depois de reler este livro agora, sei que não. Tontinha-do-Mar é, provavelmente, uma representação da fantasia a que Melinda se agarrava para compensar a ausência dos pais e o sentimento de abandono.

Ao lê-lo agora voltei a sentir o que a Catarina de 11 anos sentiu quando o leu; a atracção pelos obscuros mistérios, pelas figuras bizarras, pelo desconhecido. O que foi realmente diferente nesta nova experiência de leitura foi que consegui perceber o que me escapou entrelinhas da primeira vez, ou seja, as temática mais adultas.

Que exercício fantástico foi este! Acho que todos devíamos reler, em idade adulta, um dos livros que mais nos marcou enquanto criança.

As receitas: panquecas com mel e copo de iogurte com mel e maracujá

Para a receita deste livro, bem… acabei por fazer duas. Tudo o que eu sabia é que queria – claro – que tivesse mel. Ambas são super simples e descomplicadas, como a infância é suposto ser.

Panquecas simples com mel

Nada mais simples!

  • 1 chávena de Farinha
  • 1 chávena de Leite
  • 1 ovo
  • 1 pitada de Sal

Para topping: mel.

Copo de iogurte com maracujá e mel

Isto é algo que tenho feito para o pequeno almoço. Novamente, super simples e delicioso!

  • base de muesli
  • iogurte grego
  • maracuja
  • mel

Et voilá!

Espero que tenham gostado da receita e do livro deste mês. Já agora, em Abril vamos todas ler um livro diferente; a única semelhança é que são livros da nossa infância. 🙂

Nas próximas segundas-feiras já vamos poder saber o que a Andreia, a Vânia e a Joana andaram a cozinhar… e (re)ler.

Andreia Moita, Andreia Moita Blog
Joana Clara, Às Cavalitas do Vento
Vânia Duarte, Lolly Taste

One Comment

  • Ines

    Ui atira-me com esse iogurte à cara! Que aspetinho e que saudades de comer maracujás à colher ❤
    Fiquei com uma vontade enorme de viajar a Portugal só para ir em busca dos livros da Alice Vieira. Tão nostálgico!

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