mejores doctores en América Dapoxetina elección de plan de seguro médico
1 In writing

Reflexões sobre Escrita, Conexão, Tecnologia e Solidão

Sabes no que diferem os antigos escritores de nós? Na ausência do medo da solidão. Ou melhor, daquilo que nós, hoje em dia, apelidamos de solidão. Tudo em nós é diferente, até a nossa solidão é diferente da deles. Para eles, só é estar sozinho, para nós é não ouvirmos nada, não vermos nada, tudo estar estático e em silêncio.

Habituámo-nos a sons de fundo e a imagens que passam sem as vermos realmente, só para nos fazer companhia. 

Habituámo-nos a um mundo em constante movimento, em que a cada segundo acontece algo aparentemente digno da nossa atenção e que nos faz pôr de lado tudo o que estamos a fazer, se é que tivemos alguma ambição em começar a fazer algo.

Chega a ser quase aterrorizante encararmos ecrãs pretos sem nada a passar neles. Quando os desligamos, as nossas janelas para o mundo vão-se com as imagens. Subitamente, estamos sozinhos, sem sons, sem imagens. É então que ouvimos, talvez pela primeira vez com atenção, os sons da casa, os sons da rua lá fora enquanto estamos cá dentro, se bem que, por vezes, nem quando estamos lá fora os ouvimos.

Temos sons nos ouvidos, ecrãs à frente dos olhos, uns mais pequenos, outros maiores, mas olhos e ouvidos sempre ocupados.

Esquecemos o barulho do mundo, criamos alergias ao exterior, de tal forma que o nosso próprio corpo se ataca quando em contacto com o sol, com as flores, com a terra, com o ar em si.

Esquecemos o que é ter uma bolha no dedo de tanto escrevermos, esquecemos o próprio toque do papel, da caneta e os traços na nossa própria letra, que olhamos como aquela pessoa com quem achamos que andámos na escola há quinze anos atrás, incertos das suas feições atuais quando a encontramos aleatoriamente na rua.

Perdemos o gosto pela escrita e ganhamos uma forte dificuldade em nos pormos na pele do nosso eu mais novo, que escrevia sem motivo nenhum; sem leitores, sem fama, nem sequer com proveito; só por paixão. Tentamos recordar – com esforço – como é sentir algo assim, como é que nós – de toda a gente – sentimos, algum dia, um amor tão forte. Um amor que dispensava ecrãs, sons, teclados, e nos levava a passar horas ao ar livre, no nosso canto favorito da cidade a olhar o rio e a escrever num caderno as histórias que viviam cá dentro.

Criámos aversão aos momentos que passamos sozinhos com os nossos pensamentos, de tão perigoso que é encará-los e sentirmos algo que não é suscitado por agentes externos. Temos medo do que sentiremos se formos deixados a sós connosco mesmos e com os nossos sentimentos, em especial com as nossas tristezas e frustrações, porque agora não estamos preparados para encará-los, nem temos estado nos últimos anos. Um dia, sim, um dia, vamos tirar uma manhã ou uma tarde para nos ouvirmos. Se calhar até faremos um retiro. Um dia.

Até lá, algum life coach vai-nos curar a dor de existir. Vai ficar tudo bem. Tudo o que precisamos é de um tutorial que nos diga o que fazer, de preferência passo a passo.

You Might Also Like

1 Comment

  • Reply
    Helena
    08/09/2023 at 11:59 AM

    Senti este texto na alma. Obrigada

  • Leave a Reply