Nyx: a new Sunday series on the blog (written by my 16 year old self)

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(legenda: 2014 / 2005)

Se a memória não me falha, comecei o meu primeiro blog aos 15 anos, quando andava no 10º ano. A plataforma escolhida foi o Blurty (ainda existe?), seguida pelo Livejournal, onde até tive vários blogs. Mas, ao mesmo tempo e ao contrário de hoje em dia, escrever no blog não me chegava.
Aos 16 anos, andava comdois cadernos para todo o lado:

    • Um caderno de capa preta onde apontava todas as citações que mais me marcavam nos livros que lia;
    • Um caderno de capa transparente com uma desenho simples e uma frase: “specialise in the unpredictable” onde comecei a escrever o “meu livro” TODO escrito à mão (hoje em dia seria impensável porque simplesmente não teria paciência).

Querem saber uma coisa gira? Tenho-os os dois ao meu lado neste preciso momento, 11 anos depois.
Nunca perco de vista coisas que são, para mim, valiosas.

Ainda esta semana apontei novas citações no caderno de capa preta (vá, riam-se, são do livro da Lena Dunham) e reencontrei o meu Nyx, o livro que escrevi no intervalo dos 16 – 18 anos.

Sei que a maioria das pessoas se arrepiam com as “barbaridades” que diziam ou escreviam na altura e eu não sou excepção, mas havia um outro lado meu, um lado que consigo apreciar mesmo hoje em dia; um lado que era precisamente aquilo que me tornava especial na altura e eu não sabia.
Acreditem ou não, havia algo muito mais profundo na Catarina de 16 anos do que aquilo que ela queria ou se sentia confortável em mostrar.

Há coisas que não mudam…

Mas, ao contrário dela – a Catarina de 16 anos -, evito ao máximo sentir como ela sentia e “puxar o sofrimento”. Faz sentido, claro, e faz parte da adolescência procurar sentimentos fortes e, por vezes, adversos. Mas hoje em dia, evito-os completamente; faço piadas, mudo de assunto, vejo vídeos engraçados no Youtube (na altura não havia Youtube, como é que era possível??).
E com isto, mando embora precisamente a “desculpa” que tinha para escrever e perder-me noutros mundos.

Aos 16 anos também achava que aquelas coisas que escrevia no caderno da capa transparente eram muito intelectuais e fantásticas. Nunca mostrei o “livro” a ninguém porque estava convencidíssima de que ninguém iria entender aka. ninguém iria compreender a minha genialidade. No fundo, via-me como uma espécie de génio incompreendido à la Kurt Cobain (silly little girl…).

Mas agora que peguei no caderno e li o que estava lá escrito, pensei:

a) que parte de mim inveja a minha eu mais nova pela dedicação à escrita;
b) que a minha letra era bem mais bonita há 11 anos atrás;
c) que gostava de escrever como ela escrevia, sem medo do julgamento dos outros, algo fácil de alcançar quando não estamos a escrever para ninguém e nem sequer queremos que isso aconteça tipo… nunca.

Mas então pensei: já que essa Catarina não tinha um blog de jeito onde escrevia coisas bonitas como no suposto “livro”, que tal se eu a deixasse escrever no meu blog?

“O quê, estás maluca, Catarina?”
Pá, sim, um bocadinho, confesso.

Mas estou com enorme vontade de fazer isto. Acho que a Catarina de 16 anos nunca teve a voz que merecia (falo como se “ela” tivesse morrido. Uau. Alguém de psiquiatria por aí?) e acho que este exercício vai servir também para ganhar mais coragem na escrita e para recordar como era criativa quando não tinha medo que me julgassem.

Pronto, é isto.

A série Nyx começa amanhã.

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7 Comments

  1. Marta Chan says:

    Uhhh acho que vou adorar estas series! Identifico me bastante com o que dizes aqui. Desde que aprendi a escrever que tenho diarios. Pode ate ser um diario de viagens, mas atualmente mantenho o meu diario. Mas este diario do presente tem tudo e mais alguma coisa: postais, bilhetes de museus e autocarros escritos em idiomas diferentes, a minha parte escrita mais pessoal, citacoes de livros, listas de filmes que me sugeriram pela estrada e ate uma parte dedicada ao blog, para quando tenho ideias.

    Tal como tu tive outros blogs anteriormente, sempre no blogger pois nao percebo patavina de outras plataformas, tive um livejournal (o meu grupo favorito era o Sotao onde vendia/comprava/trocava objectos em segunda mao), tive um fotolog e tudo o que aparecia que fosse de fotografia e escrita tava a Martinha batida. Muitos foram esquecidos mas outros ainda dou uma olhadela quando me lembro e ponho logo um sorriso na cara.

    Tambem tinhas penfriends? Eu escrevia com umas 30 meninas do mundo inteiro. Algumas ainda mantenho o contacto! Eram horas de escrita sem fim. Tinha uma penfriend do Alentejo que me escrevia 20 folhas de dois em dois meses :)) Que pena que joguei fora todas essas cartas… Mas o mais importante e que muitas das historias contadas por elas ficaram aqui guardadas na memoria e muitas delas serviram de licao de vida para mim.

    1. joan of july says:

      Espero mesmo que gostes, Marta! Se há pessoa que é capaz de a apreciar, és tu. 😉
      Também tive um Fotolog! E um Photoblog também. eheheh
      Tive penfriends, sim! Mas infelizmente a comunicação acabava sempre do lado deles. Deixaram de me responder… meh.
      Mas trocava cartas com amigas e adorava. O processo de escolher o papel e o envelope era a minha parte favorita.

      É tão bom termos estas memórias, mesmo que não tenhamos conservado todas as cartas. 🙂

  2. Analog Girl says:

    Estou curiosa com oque aí vem. Também tenho uma inveja de como eu era mais “profunda” a escrever quando era mais nova. Acho que a adolescência, e em particular estas passadas nos anos 90 nos desenvolveram um lado negro e meio depressivo que nos tornavam muito criativos. Tenho pena de ter perdido alguns hábitos que antes mantinha sem problemas. É uma questão de os recuperar.
    Agora… que venha o Nyx!

    1. joan of july says:

      Eu acho que nunca irei recuperar o hábito exactamente como antes, mas desde que não pare de escrever já fico feliz.
      E sim, a culpa é dos anos 90!

  3. Inês Silva says:

    Estou-me a rever um bocado nisto, mas por estar mais perto dos 16 do que tu (6anos de diferença) nunca punha na net (outra vez) coisas que escrevi com essa idade x) coragem mulher!

    1. joan of july says:

      Oh, passado este tempo todo já não considero coragem. Vais ver, quando passarem mais de 10 anos da tua fase mais “awkward” vais sentir-te quase como outra pessoa; como se estivesses a ler algo escrito por outra pessoa, embora saibas que não.
      E é mesmo giro. 😀 Há coisas “dela” que ainda tenho, outras que gostaria de ainda ter e outras que – thank God – já perdi.

  4. Nyx: a morte do ídolo – personal / lifestyle /DIY says:

    […] Para quem caiu aqui da paraquedas agora e não sabe o que raio se está a passar por estes lados, não se assustem! É apenas a nova série de domingo aqui no blog. A partir de agora, quem escreve no Joan of July aos domingos é a Catarina na mesma, mas aos 16 anos. Saibam mais aqui. […]

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