O poder de construirmos a nossa vida como bem quisermos e o meu ‘annus horribilis’

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Eu não sou muito da auto-ajuda e dos life choaches. Quem me conhece sabe disso. Porém, tenho estado muito mais aberta a outro tipo de visões, de filosofias e de ensinamentos. Um deles é este: que estamos na posse do poder para mudarmos e reconstruirmos a nossa vida como bem entendermos.

Não se preocupem, não me vou tornar life coach nem sequer tenho um(a), mas estou a ler um livro dentro da área do desenvolvimento pessoal (posso falar-vos dele mais tarde) que, se há um ano seria quase impensável para mim, agora começa a fazer algum sentido. Como vos disse, estou aberta a novos ensinamentos.

A parte interessante é que alguns desses ensinamentos não são – de todo – novos; são coisas que todos sabemos e que são do senso comum, mas eu acredito que a palavra escrita tem muita força, pelo que quando vejo certos mantras escritos e os leio e releio, estes ganham toda uma nova forma e força dentro de mim.

Por isso, aproveito para escrever novamente e dar ainda mais força a esta afirmação:

Tenho o poder de mudar e reconstruir a minha vida como eu quiser.

Todos temos, na verdade.

O despertar do ‘annus horribilis’

Isto surgiu agora na minha vida, pois só agora sinto que estou a acordar de um pesadelo e, como quem acorda lentamente e cheia de sono, estou a tentar ambientar-me ao que está ao meu redor e a avaliar o que posso fazer para mudar o que não está bem.

Este começou de uma forma absolutamente brutal para mim (brutal não no sentido de “fixe”, se é que me entendem); foi a doença e morte (ainda nem acredito) da Zelda, um problema com uma empresa com a qual trabalhava como freelancer para além do meu trabalho full-time e inúmeros problemas com as finanças. Foi tudo mau e tudo ao mesmo tempo. Estou habituada a lidar com uma coisa de cada vez, mas aqui não tive hipótese: tive que lutar e lidar com tudo, muito rápido e muito depressa.

O problema com as finanças só o resolvi na semana passada, portanto tem sido algo que me persegue desde o início do ano…

E depois há outras coisas, mas que vão ter que ficar de fora para já. Vale-me a harmonia em casa, a família e os amigos e isso tem sido um grande factor apaziguador. 🙂

Chamo a esta fase em que me encontro agora o “despertar do meu ‘annus horribilis'”, pois só agora estou a conseguir resolver tudo e só agora começam a acontecer coisas boas suficientes para conseguir desforcar-me das más, embora no caso da Zelda isso não se aplique.

Aceitar que há coisas que estão fora do nosso controlo e o que fazer com isso

É importante aceitar que vão sempre existir fases más nas nossas vidas, porque vão. O importante é conseguirmos fazer-lhes frente e não sermos derrotados por elas. Porque é tão fácil cedermos ao stress, à tristeza e ao sentimento de impotência que se apodera de nós quando somos afectados por situações que fogem ao nosso controlo. Não há nada pior do que não podermos fazer nada relativamente a problemas que nos assolam. Mas às vezes é mesmo assim; não está nas nossas mãos. Não acreditem quando vos dizem que tudo está nas nossas mãos. Não está e há coisas que nunca estarão. Agora, o que está nas nossas mãos é a escolha de como vamos lidar com o que acontece.

Quando perdemos a Zelda lidei com a situação da forma que me fez sentido na altura. O meu desejo era hibernar por tempo indefinido, mas como não era possível (a vida continua e, apesar das perdas, temos que ir trabalhar), tirei dois dias para mim e executei uma série de tarefas que me ajudaram a voltar a ter alguma paz mental. Escrevi sobre esse processo neste post, se tiverem interesse em ler.

Quanto às outras coisas sobre as quais não temos controlo algum, sim, aceitemos que não o temos. Quando assim é, ajuda-me imenso sentir que controlo outras situações à minha volta, por mais pequenas que sejam. Algumas das coisas que gosto de fazer para sentir que continuo a controlar a minha vida noutros aspectos são:

  • tratar de mim (estética, saúde, etc.);
  • começar e acabar coisas (artigos, livros,…);
  • focar-me nos meus projectos (como o Bloggers Camp, por exemplo);
  • estar com as pessoas que me fazem bem sempre que possível;
  • fazer o que eu quiser com o meu tempo livre; nem que seja vegetar a ver séries;
  • planear férias e viagens futuras;
  • dar sangue (saber e sentir que estamos a ser úteis, portanto).

Próxima fase?

Gostava de ter uma conclusão melhor para este post, mas afinal não será para já. Tudo o que posso concluir é que as coisas estão a mudar. Lentamente, mas estão. Estou a aprender a ser mais paciente também, embora isto seja algo que me custa muito. O Verão está a custar a chegar; custa-me esperar. Afinal de contas, ainda sou uma filha do Verão e preciso do sol e do calor nesta fase. Sinto-me mais eu no Verão. Às vezes acho mesmo que quando ele chegar tudo parecerá melhor.

Até lá, resta-me esperar. E sim, “Verão” é literal, mas também uma metáfora. Desculpem estar aqui cheia de segredos e palavras meias-ditas, não é nada o meu género, mas em breve espero voltar com boas notícias em relação a este tópico. 🙂

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5 Comments

  1. Filipa Maia says:

    “Não se preocupem, não me vou tornar life coach nem sequer tenho um(a)” – falo por mim, mas eu não ficaria preocupada se decidisses tornar-te life coach 🙂 Qual seria o problema? E quanto a ter coaches, já te contei sobre algumas experiências relacionadas com life coaching que tive no ano passado e que foram absolutamente transformadoras e me fizeram apaixonar pelo coaching. Hoje, trabalho com uma business coach e com uma health coach (sim, tenho duas coaches neste momento! – para áreas diferentes da vida) e ambas me têm ajudado imenso! Apenas os meus “2 cêntimos”: acredito que toda a gente beneficiaria em passar por um processo de coaching pelo menos uma vez na vida 🙂

    1. Catarina Alves de Sousa says:

      Não tenho nada contra nem o post foi escrito nesse sentido, Filipa, mas acho que não é esse o meu caminho, só isso. 🙂 Mas o livro que estou a ler passa por aí e tenho imenso respeito pela área! O “não se preocupem” é mais no sentido de eu não ser “life coach material”. 😛

      1. Filipa Maia says:

        Eu percebi que não estavas a falar por mal! A primeira parte do meu comentário tem menos e ver com o coaching e mais com o facto de às vezes as pessoas mudarem para áreas totalmente diferentes e inesperadas e não há problema nenhum :p

        1. Catarina Alves de Sousa says:

          Claro que não há! Aliás, abordo precisamente mudanças radicais de carreira no meu livro. 🙂
          Não descarto nada à partida, quem sabe se um dia ainda vou precisar desses serviços, mas neste momento acho mesmo que não será por aí. E também é uma decisão viável. 😀

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