11º aniversário: passeio dos templários (Almourol, Dornes e Tomar)

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A tradição de irmos para fora quando fazemos anos de namoro já é antiga. A bem verdade, sempre foi assim, mas se nos primeiros tempos era porque já nos encontrávamos longe de casa de qualquer forma (nos três primeiros anos, em Paredes de Coura), nos tempos seguintes foi uma decisão pensada. Houve um aniversário que passámos em Lisboa, mas mesmo assim ficámos a dormir num hotel. Assim parece sempre que estamos longe de casa. 🙂
Adoro esta nossa tradição e quero que a cultivemos durante anos e anos vindouros.

Como vos mostrei aqui, no ano passado fomos a Marvão. Este ano, ele fez-me novamente surpresa, recusando durante semanas revelar para onde íamos. Também parece que já faz parte da tradição ele dar-me baile até ao momento em que chegamos ao destino. Passo o caminho todo a tentar adivinhar para onde vamos e ele ora ri-se, ora abana a cabeça em descrença com os meus palpites estapafúrdios.

Este ano, voltei a não acertar na surpresa.

Já me fartei de lhe dizer, mas está a passar-lhe ao lado uma grande carreira como guia e agente turístico. Ele consegue – num único fim de semana – planear toda uma rota turística com paragens em sítios encantadores e estadias em hoteis ou apartamentos de sonho. Vejamos.

Castelo de Almourol

O dia do nosso aniversário é a 16 de Agosto, mas como este ano calhou num domingo, começamos a celebração dia 15, sábado. Começámos por sair cedo de Lisboa para ir apanhar um barco. Pensei logo em Tróia, mas estava bem enganada. Era demasiado óbvio. Mas nada me faria divinhar para onde estávamos realmente a ir: Almourol. Conhecem?
Não sei como é que nunca o tinha visto! Assim que lá cheguei, foi-me inevitável estabelecer uma comparação entre Almourol e o castelo Eilean Donan, na Escócia. Ambos parecem estar numa espécie de ilha, com vista para um rio (no caso de Almourol) e para um loch (lago), no caso do Eilean Donan. Recordam-se de ver o Eilean Donan neste post? 🙂

Para se conseguir entrar no Castelo de Almourol é preciso apanhar um barquinho que nos leva à outra margem, margem esse em que se situa a entrada. Paga-se apenas 2€ e pouco para fazer a viagem de ida e volta, com a entrada do castelo incluída.
O barquinho em si era pequeno, de madeira e com ar de ser muito antigo. Sim, é daqueles que abana por todos os lados, por isso estava com algum medo de:

  1. Cair ao rio (Tejo), que estava visivelmente sujo;
  2. Cair ao rio e arruinar a minha máquina fotográfica.

Nota histórica sobre o Castelo de Almourol:

“Erguido num afloramento de granito a 18 m acima do nível das águas, numa pequena ilha de 310 m de comprimento por 75 m de largura, no médio curso do rio Tejo, um pouco abaixo da sua confluência com o rio Zêzere, à época da Reconquista integrava a chamada Linha do Tejo, actual Região de Turismo dos Templários. Constitui um dos exemplos mais representativos da arquitectura militar da época, evocando simultaneamente os primórdios do reino de Portugal e a Ordem dos Templários, associação que lhe reforça a aura de mistério e romantismo. Com a extinção da Ordem do Templo o castelo de Almourol passa a integrar o património da Ordem de Cristo (que foi a sucessora em Portugal da Ordem dos Templários).”

(ano de construção: 1171)

(Wikipedia)

Achei engraçado o facto do Castelo de Almourol estar rodeado por absolutamente todos os lados por cactus destes. Nunca tinha visto este tipo de cactus, muito menos com esta abundância. Aparentemente, os visitantes do castelo gostam de deixar a sua marca nas folhas dos cactus. Bem, antes isso do que deixar graffiti ou tags nas paredes do castelo. 🙂

No fim, almoçámos neste simpático restaurante situado em Tancos antes de partirmos para o destino seguinte.

Castanheira, Ferreira do Zêzere e Dornes

A seguir, a viagem continuou. Desta vez, dirigimos-nos para a freguesia de Ferreira do Zêzere, por caminhos estranhos de estradas estreitas, ladeadas por árvores por todos os lados, através das quais se vislumbrava o rio de vez em quando. Eu, que nunca tinha estado sequer perto do Zêzere, não consegui deixar de reparar na sua cor azul-viva, uma cor que não associo, por exemplo, ao Tejo, um rio bem mais poluído. A cor do Zêzere faz das suas paisagens ainda mais apetecíveis.

Mas, primeiro, fomos conhecer o nosso apartamento para esse fim de semana. Sim, que desta vez ele alugou-nos um apartamento. 😛
Mas não foi um apartamento qualquer. Foi um dos Apartamentos do Lago, lá em Ferreira do Zêzere, um complexo de apartamentos absolutamente incrível, rodeados por floresta (atrás) e pelos vales verdes banhados pelo rio, à frente.
O nosso apartamento tinha – claro – a vista brutal sobre o rio.

Agora vou ser chatinha e deixar-vos com um monte de fotos dos interiores do complexo de apartamentos, do nosso apartamento e da vista a partir do mesmo.

Apesar de não ter tirado fotos, existe também uma piscina bem grande, no último piso do complexo de apartamentos, assim como sauna e spa, onde se fazem inscrições para as actividades dos Apartamentos do Lago e que incluem Meditação, Yoga e caminhadas na natureza. Se eu lá tivesse ficado mais dias, era precisamente nesta última actividade que me inscreveria.

Apesar do dia 15 ter estado solarengo, o dia seguinte amanheceu cinzento, mas morno. Decidi que seria um bom dia para tirar fotos, uma vez que não teria sombras para me incomodar.

E assim rumámos a Dornes nessa manhã, uma terra com um nome que me faz lembrar (e muito) Game of Thrones, precisamente por haver uma região chamada Dorne. (todas as desculpas são válidas para mencionar Game of Thrones, certo?)

Uma nota história sobre a vila de Dornes:

“Terra muito antiga, será mesmo anterior à fundação da nacionalidade, como o atestam os monumentos e os vestígios arqueológicos que por aqui se têm encontrado. Já na primeira dinastia alguns documentos que lhe fazem referência, sendo documentada a presença de um religioso de Dornes no Foral de Arega, em inícios do século XIII.

Ainda no século XIII há referências à Comenda Templária de Dornes.
[…]
Aqui nasceram, um século mais tarde, muitos dos heróicos combatentes que por volta de 1650 se bateram nas fronteiras para assegurar a independência nacional.
[…]”

Wikipedia

Tomar – Convento de Cristo

A seguir a Dornes, Tomar!
Parece incrível como nunca tinha estado em Tomar… Aliás, nunca tinha estado em nenhum destes sítios antes, mas não ter visitado em Tomar parece-me uma grave ofensa.

Por esta altura já se devem ter apercebido que fizemos uma espécie de rota dos Templários, portanto, esta rota nunca teria ficado completa sem uma visita a Tomar e ao seu Convento de Cristo, o seu monumento mais célebre, o seu ex-líbris.

 

Foi-me muito difícil não parece uma parvinha a olhar para um palácio (não há aqui burros, hã?), mas não pude deixar de me deixar encantar pela história, misticismo e mistérios deste sítio. O Convento de Cristo é inegavelmente imponente, de tirar o fôlego.

 

Nota história sobre o Convento de Cristo:

“Foi fundado em 1160 pelo Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, D. Gualdim Pais, e ainda conserva memórias desses monges cavaleiros e dos herdeiros do seu cargo, a Ordem de Cristo, os quais fizeram deste edifício a sua sede. Sob Infante D. Henrique o Navegador, Mestre da ordem desde 1418, foram construídos claustros entre a Charola e a fortaleza dos Templários, mas as maiores modificações verificam-se no reinado de D. João III (1521-1557). Arquitectos como João de Castilho e Diogo de Arruda procuraram exprimir o poder da Ordem construindo a igreja e os claustros com ricos floreados manuelinos que atingiram o máximo esplendor na janela da fachada ocidental.

Trata-se de uma construção periurbana, implantada no alto de uma elevação sobranceira à planície onde se estende a cidade. Está circundado pelas muralhas do Castelo de Tomar e pela mata da cerca.

Actualmente é um espaço cultural, turístico e ainda devocional. A arquitectura partilha traços românicos, góticos, manuelinos, renascentistas, maneiristas e barrocos.”

Wikipedia

Como podem imaginar, voltámos deste fim de semana de aniversário de namoro com muito mais cultura, mais amor e mais admiração, não só um pelo outro, mas também pelo nosso (belo) país.

Sabem, às vezes, com tanta viagem que ainda queremos fazer na vida, acabamos por esquecer um pouco da beleza do nossos próprio país e, mais que isso, que apesar deste ser pequenino, ainda há muita coisa para ver e explorar. E o melhor de tudo é que não é preciso sacrificar as outras viagens que queremos fazer para podermos viajar por Portugal e descobrir cada canto e conto do nosso património natural, histórico e cultural. 🙂

10 Comments

  1. Joana Sousa says:

    Que excelente post! Apesar de conhecer bem Portugal, acho que nunca explorei bem a zona centro – e é uma pena, porque claramente pede uma bela visita! Vai para a lista :p

    Um aparte: o teu moço é um espectáculo!

    Jiji

    1. joan of july says:

      Obrigada, Joana! 😀
      Exactamente como eu. A zona centro sempre foi a que conheci pior e acho que, apesar de tudo, ainda continua a ser. Tenho que a explorar ainda melhor. Se bem que tenho um soft spot pelo Minho. 😀
      Acho que fazes bem em pôr a zona centro na tua lista, acho que vais adorar.

      Oh, pois é, ele é um querido com estas surpresas, tenho muita sorte. <3

  2. Sandra Bettencourt says:

    Que engraçado, no dia 25 fiz um passeio idêntico! Visitei o Catelo de Almourol, Constância e Tomar. Sítios que fiquei a adorar. Dornes não conheço mas fiquei com vontade de conhecer.

    Parabéns pelo aniversário!

    Sandra

  3. Catarina S. says:

    Adorei as fotos, os locais que visitaram estão na minha wishlist 😉
    Por acaso, prefiro muito mais fazer turismo pelo nosso país do que para outros,
    onde ainda há tanto para conhecer.
    Só um pequeno à parte, não leves a mal, mas diz-se “a Marvão” e não “ao Marvão”.
    Love*
    Treze Mundos

    1. joan of july says:

      Obrigada, querida! É verdade, ainda há imenso para conhecer e explorar por cá. 😀
      Claro que não levo a mal, muito obrigada pelo reparo. 🙂 Este ano ando a aprender imenso sobre as preposições relativas a lugares, especialmente os que ficam no Algarve, por algumarazão. Ahahah
      Vou corrigir :*

  4. Analog Girl says:

    Fui ao castelo de Almourol quando tinha 14 anos e nunca mais o esqueci. Foi um passeio inesquecível. Lembro-me que tinha já um certo fascínio pelo local, recordava-me de ler acerca dele num dos livros de “uma aventura”, e foi quase como um sonho tornado realidade. Nos últimos dois anos tenho pensado muito em voltar, e tenho mesmo de tratar de lá ir, assim como regressar a Tomar (e a Alcobaça, também ando com vontades).
    O Convento de Cristo visitei-o uma vez para assistir à peça “O nome da rosa”, em que me fartei de galgar e conhecer espaços absolutamente incríveis dentro do convento, que acredito que não sejam tão fáceis de encontrar numa visita normal (não sei se alguns deles não estão normalmente fechados ao público). Foi uma das melhores experiências que já tive e mereceu a pena ficar 5 horas a correr o monumento, a comer como na época medieval, a beber vinho quente, a ficar absolutamente maravilhada com a visão da lua sobre aquela ala destruída e a imaginar que seguia os dois monges na sua investigação. Por momentos esqueci-me a que época pertencia.
    Não sei se ainda fazem a peça, mas sei que irias adorar.
    Um dia tenho mesmo de ir fazer este percurso que fizeste. 🙂

  5. Raquel says:

    adorei as fotografias e fiquei curiosa com os lugares 🙂

  6. Inês Silva says:

    Oh que giro, que aventura 😀 Quando vi o barco pensei ”ai que medo, e se a máquina cai à água?” e depois vi que era um medo partilhado :p Há mesmo uma dornes cá? que máximo!

  7. Aventura de trekking pelos trilhos da Beira Baixa says:

    […] no ano passado vos tinha falado do Zêzere e da beleza das paisagens beijadas por este rio (neste post), mas tive […]

  8. As Aldeias do Xisto, a Casa do Quelho e Janeiro de Cima says:

    […] e cidade romana de Ammaia Castelo de Almourol, Ferreira do Zêzere e Tomar Lisboa: São Bento e Adamastor Lisboa: Paço do Lumiar Serra da Arrábida e praia do Portinho da […]

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