Páginas Salteadas: um bolo delicado e forte com cappuccino e mascarpone

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Muitas das mulheres que conheço hoje em dia leram este livro na infância ou adolescência. Eu não. Tenho o meu exemplar – vintage – desde o início da adolescência, mas por alguma razão não calhou lê-lo. Como nunca é tarde para ler qualquer livro clássico, este mês “ataco” o Mulherzinhas (“Little Women”) de Louisa May Alcott. Vejam como interpretei o livro através da nova receita para o projecto Páginas Salteadas.

O livro

Primeiro, um disclaimer: como escolhemos este livro para o Páginas Salteadas com algum atraso, ainda não acabei de o ler (não vale deixar spoilers nos comentários!), mas estou a adorar o que tenho lido até agora.

Mergulhar no Mulherzinhas é viajar no tempo até uma época mais simples, mais pura e verdadeira, mas também mais difícil para as mulheres e em na qual as questões de género não eram vistas com qualquer flexibilidade. Talvez por isso esteja a gostar tanto da Josephine (Jo), a maria-rapaz de serviço, escritora e rebelde.

“You are the gull, Jo, strong and wild, fond of the storm and the wind, flying far out to sea, and happy all alone.” 

A minha edição do livro pertenceu à minha tia, talvez no liceu, pois tem uma etiqueta por dentro que diz “Estudos Sociais”. Oh, quem me dera ter tido que ler o livro na escola!

‘Little Women’ foi publicado em 1868 e conta a história de quatro irmãs adolescentes a crescer durante a Guerra Civil Americana. No ano seguinte, em 1869, Louisa May Alcott publicou uma sequela deste livro chamada “Good Wives”, que segue a vida das quatro irmãs durante a vida adulta.
Em várias edições, estes dois livros estão juntos como um só, mas eu só tenho mesmo a primeira parte, “Little Women” ou “Mulherzinhas”.

A autora

Creio que é seguro assumir que a autora de Mulherzinhas, Louisa May Alcott, era feminista. Nos seus livros dá a entender que as mulheres são seres complexos, com personalidades e sonhos diferentes. Por exemplo, a Meg (Margaret, Margarida nas edições portuguesas) escolha ser esposa e mãe, que fica em casa com os filhos, enquanto a Jo (Josephine ou Josefina na versão portuguesa) decide ser professora e dedicar a vida a ensinar crianças como mulher trabalhadora.

“She preferred imaginary heroes to real ones, because when tired of them, the former could be shut up in the tin kitchen till called for, and the latter were less manageable.” 

Ambas as opções são diferentes, mas ambas são válidas. Como uma verdadeira feminista, Louisa parece estar a dizer aos leitores que ser mulher é isso mesmo: escolher um caminho, qualquer que seja, desde que faça sentido para nós.

A receita: bolo de cappuccino com mascarpone

Já andava com vontade de fazer um bolo de cappuccino desde que vi o Rudolph van Veen (vocês sabem como eu adoro programas de culinária) a fazer um no programa Rudolph’s Bakery, do 24 Kitchen.

Não encontrei a receita do Rudolph (que eu entendesse em português), mas usei esta para a massa do bolo e ficou uma delícia!

Ingredientes para a massa:

  • cappuccino (eu fiz café forte com leite e ignorei os 2dl de leite desta lista para não adicionar leite a mais)
  • 100g de manteiga amolecida;
  • manteiga q.b. (para untar);
  • 3 Ovos;
  • 300g de açúcar;
  • 360g de farinha;
  • 2 dl de leite;
  • 1 colher de sopa de fermento.

Preparação da massa:

  1. Liguem o forno a 180ºC e deixar aquecer.
  2. Entretanto, untem uma forma com manteiga e dissolvam o cappuccino no leite.
  3. Numa tigela deitem a manteiga e o açúcar.
  4. Separem as gemas das claras e juntem as gemas à manteiga e ao açúcar, batendo até obter um creme liso.
  5. Juntem a farinha, o fermento e a mistura do leite e do cappuccino, misturando tudo muito bem.
  6. À parte, batam as claras em castelo e juntem-nas à massa, misturando delicadamente.
  7. Quando obtiverem um creme homogéneo deitem-no na forma e levem ao forno durante 30 minutos, verificando a cozedura com um palito. Quando o bolo estiver pronto, retirem do forno, deixem arrefecer um pouco para o desenformar e sirva frio decorado a gosto.
fonte: receita da massa Pesticos.com

Dica: depois de retirado do forno e de desenformado, pincelem generosamente a superfície de cima do bolo com café/cappuccino. Deixem o bolo absorver o líquido e secar um bocadinho antes de passarem a cobertura de mascarpone.

Ingredientes para o creme:

  • aprox. 500 gr. de queijo mascarpone
  • açúcar de confeiteiro (opcional – eu não usei)
  • cacau em pó (opcional – empratamento)
  • grãos de café (opcional – empratamento)

Preparação da cobertura:

Bem, não há muito a fazer para a cobertura deste bolo. Basta bater muito bem o mascarpone com a batedeira até que este obtenha uma consistência mais cremosa e mais fácil de espalhar no bolo.

A seguir, podem enfeitar com cacau em pó (fica sempre bem e é delicioso) e/ou com grãos de café, afinal os olhos também comem. É sabido.
Decidi cortar o bolo em cubos, mas podem deixá-lo inteiro e cortar fatias à medida que quiserem.

Escolhi esta receita porque é um bolo que fica perfeito com uma boa chávena de chá numa tarde de conversa com amigas – ou irmãs, como no livro, para quem as tiver.

O tempo que passamos a partilhar momentos, conversa e comida com outros torna-se ainda mais precioso, não sentem isso?

Para além disso, achei que dava um bolo bastante feminino: delicado por fora e surpreendentemente mais forte por dentro, graças ao café. 🙂

 

“Every few weeks she would shut herself up in her room, put on her scribbling suit, and fall into a vortex, as she expressed it, writing away at her novel with all her heart and soul, for till that was finished she could find no peace.” 

Nas próximas três semanas, como é costume, teremos também as receitas das minhas parceiras de Páginas Salteadas que estou ansiosa por ver e provar:

Joana Clara, Às Cavalitas do Vento
Vânia Duarte, Lolly Taste
Andreia Moita, Andreia Moita Blog

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