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Crónica existencial #3: sobre a polémica da Jessica Athayde e a falta de ambição feminina

A princípio, quando vi as várias notícias que reportavam que um qualquer blog do qual nunca tinha ouvido falar na vida havia basicamente chamado “gorda” à Jessica Athayde, senti-me tantada a saltar para a carruagem de pessoas indignadas com tal insulto. Porque era um disparate chamar gorda a uma rapariga que tem o corpo que a Jessica tem, só porque os padrões de beleza e perfeição da sociedade são completamente descabidos.

Mas a Jessica não precisou que ninguém a defendesse e mostrou a sua garra com este texto. Senti-me novamente a concordar com ela, mas depois pensei “tudo isto só porque te chamaram gorda?” É este realmente o pior insulto que se pode receber? Foi o insulto do tal blog assim tão meritório de uma resposta por parte da Jessica?

Agora, no final de contas, o texto da Jessica que alude várias vezes ao amor-próprio e à próxima que a Jessica escreveu, parece-me mais uma forma inteligente de reunir comentários capazes de voltar a encher o ego de alguém que ficou excessivamente ofendida por ter sido acusada de estar fora de forma. Pode ser que não, não sei, não conheço a sua autora e espero genuinamente que seja 100% sincero. Escolho acreditar que sim, até porque simpatizo com a actriz.

E ontem deparo-me com este texto brilhante escrito pela Sara Sampaio. Afinal, ser chamada de gorda não é o pior insulto do mundo e não é certamente o úncio de que as mulheres são vítimas por parte de outras mulheres.

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A verdade é que todos os tipos de corpo são criticados forte e feio. É como o ditado que a Sara lembrou, e bem: “presa por ter cão e presa por não ter”. Quem é cheiinha é logo critica por ser “gorda”, quem é magra é um “esqueleto”, ai que horror, não tem curvinhas nenhumas e os homens gostam é disso, entre outras diarreias verbais.

Mas numa coisa concordo com a Jessica; as mulheres são as primeiras a bater no ceguinho e a criticar o corpo das outras. Não sei bem o porquê, se é uma coisa da sociedade, uma característica inata das mulheres, ou uma combinação malfadada de ambas as coisas.

Não vou ser hipócrita ao ponto de afirmar que não dói quando alguém critica negativamente o nosso aspecto (principalmente em praça pública como no caso da Jessica). Não interessa se os críticos têm razão ou não e, já agora, quem lhes dá o direito ou a moral e quem define o que é bonito ou não, mas isso é outra questão…

Agora, o que convém lembrar é que, mais do que o facto das mulheres se criticarem duramente umas às outras, só criticam – normalmente – o aspecto físico. Isso sim, dá-me vergonha, mas vamos assumi-lo: as mulheres só criticam o aspecto físico (ou as relações) umas das outras. Como se não houvesse mais nada e como se não fosse preciso mais nada para sermos felizes.

by Eflon

Enfurecemme profundamente duas coisas nesta aparentemente eterna luta mulher vs. mulher:

  1. A competição obsessiva em relação ao corpo, à beleza e, consequentemente, o sucesso junto ao sexo oposto (ou não oposto, não interessa);
  2. Não existir praticamente qualquer competição entre mulheres no que toca ao sucesso profissional, uma coisa que podia perfeitamente ser feita e cultivada de forma a ser saudável. Esta ausência traz consequências gravíssimas, mas que vou deixar talvez para um futuro post.

Por agora, deixo apenas isto em forma de desabafo: sinto falta de competição feminina saudável em contexto de trabalho, de ambições de carreira.

E deixo aqui também uma citação da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Sim, é a senhora que narra o texto que aparece na Flawless da Beyonce, a única parte verdadeiramente com significado na música. Atenção, eu gosto de ouvi-la de vez em quando, mas por para uma música supostamente feminista andar a chamar bitches a outras mulheres, vai um bocado contra o propósito, B…

We raise girls to see each other as competitors
Not for jobs or for accomplishments
Which I think can be a good thing
But for the attention of men

– Chimamanda Ngozi Adichie

 

E vocês, o que acham de tudo isto? Não acham que a competitividade pode ser positiva no contexto certo, quando nos motiva a superarmos as nossas próprias expectativas? Digam de vossa justiça!

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7 Comments

  • Reply
    Ana Garcês
    17/10/2014 at 10:15 PM

    “(…) quem é magra é um “esqueleto”, ai que horror, não tem curvinhas nenhumas e os homens gostam é disso (…)”
    *clap, clap, clap, clap* para todo o texto. Todo mesmo!

  • Reply
    Inês Silva
    17/10/2014 at 10:34 PM

    Felizmente vivo rodeada de mulheres que conseguem ultrapassar essa obsessão pela beleza e que juntas conseguimos dar apoio umas às outras e ajudar a que todas consigam crescer pessoalmente e no seu trabalho! Claro que a questão das carreiras no meio feminino ainda tem ”que comer muita sopa” mas para isso dar certo é preciso mudar a educação das crianças de ambos os sexos para que depois se reflita na sua idade adulta 🙂

  • Reply
    Joana Sousa
    18/10/2014 at 2:43 AM

    Excelente crónica – não podia concordar mais contigo. Confesso que é este tipo de coisa que me faz gostar de me rodear de amigos homens, parece tudo sempre nais verdadeiro, com raras excepções de amigas em quem realmente me revejo e que não têm esse tipo de comportamento. Infelizmente acho que é algo que está enraizado, a necessidade de dar valor à mulher de acordo com o seu sucesso com os homens…é tão ridículo, tão depreciativo…

  • Reply
    Ana
    18/10/2014 at 9:34 AM

    Por natureza, as mulheres são umas cabras. Desculpa, isto dito assim a frio custa mas é verdade. São as que não param nas passadeiras para deixar passar outra que atravesse com um carrinho de bebé, são as que não se levantam no autocarro para dar o lugar a quem precisa, são as que criticam forte e feio tudo o que as outras mulheres fazem. Se são magras, se são gordas, que tem um péssimo gosto, que aquela saia não é para ela, que é uma pirosa… Podíamos estar aqui dias a fio a desfiar o novelo daquilo a que as mulheres se dão ao trabalho de comentar. Sim, dar ao trabalho, significa para mim que ou não têm vida própria da qual se devam orgulhar (e não falo de accomplishments ou de trepar o Everest), ou têm uma auto estima abaixo de zero (tal como a Jessica o mencionou) e por isso têm uma inveja brutal de tudo o que as outras fazem, têm, conquistam. Cada vez mais prefiro conversas de homens e com homens precisamente por casa disto. Tenho boas amigas em que esta bitchiness volta e meia vem ao de cima, mas incha, desincha e passa. Não digo que não critique de vez em quando, sim faço-o, mas não numa de me sentir muito bem por ter rebaixado outra pessoa. Get a life, girls!!!

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    liz santos
    31/10/2016 at 3:33 AM

    “(…) quem é magra é um “esqueleto”, ai que horror, não tem curvinhas nenhumas e os homens gostam é disso (…)”
    *clap, clap, clap, clap* para todo o texto. Todo mesmo!

  • Reply
    Diego
    14/11/2016 at 3:05 PM

    “(…)Mas numa coisa concordo com a Jessica; as mulheres são as primeiras a bater no ceguinho e a criticar o corpo das outras.(…)” Verdade! Porque homens dão valor a postura, não somente a presença. Conheço “gordinhas” e “magrinhas” que são um “tesão”, atraem muito mais um olhar e cometário positivo que muitas “gostosonas” vulgares.

  • Reply
    Carla Beatriz
    20/11/2016 at 1:09 AM

    Esse texto do “Chimamanda Ngozi Adichie” reflete a minha opinião perfeitamente ! Nada a acrescentar.

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