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Are blogs real-life Pinterest boards? Is that a bad thing?

Em conversa com uma amiga no fim de semana passado, falávamos sobre os blogs portugueses quando ela revelou que, noutra conversa sobre o mesmo tema com uma outra amiga, surgiu entre elas a crítica de que, hoje em dia, as bloggers se esforçam demasiado para que as suas vidas pareçam o Pinterest. Ou melhor, para transpor o Pinterest para a vida real.

Senti-me imediatamente a concordar com este ponto de vista. Afinal, quantos blogs não vemos em que tudo é perfeito? Gosto impecável em roupa e sapatos, os melhores (e mais caros) cremes são parte da rotina diária da blogger, cada viagem corre maravilhosamente bem; as fotos saem lindas, nunca ninguém se zanga ou se desentende, nunca se perdem malas ou voos. Cada ida a um restaurante novo é, também – adivinharam – sempre um sucesso, é sempre tudo maravilhoso, delicioso e com uma decoração irrepreensível.

Esta não é a realidade de ninguém, sabem disso, certo? Eu não acredito que seja. Acredito, por outro lado, que toda a gente tem dias não, dias feios; dias que são feios e dias em que tudo o resto o é. Dias em que não há apetite ou sequer vontade de sair de casa. Dias em que existem borbulhas, cabelo miserável que não colabora nem por nada; dias em que deixam queimar bolos feitos em casa (inicialmente) com todo o carinho do mundo, dias em que o almoço é tudo menos Instagramable.

You get the picture. Já vos aconteceu tudo isto, não já? A mim já e não foram nem uma nem duas vezes.

Mas agora pergunto-vos: gostavam de ver tudo isso retratado aqui? Eu percebo perfeitamente o argumento do Pinterest, têm toda a razão e nada disto (= as coisas boas), por si só, parece real. Mas é. O que não é real é que a vida só é composta por coisas positivas. 🙂

O meu ponto de vista é este:

O blog é o meu espaço e um sítio onde registo muita coisa que faz parte da minha vida. Se andar muito para trás no blog relembro episódios de insegurança típicos de quem acabou a faculdade e não sabe o que fazer à vida e outros episódios que retratam perfeitamente o início do meu percurso profissional. É uma espécie de diário, sem nunca o chegar a ser.

Recentemente apaguei vários posts antigos que só traziam “ruído” negativo a um espaço que eu gosto de visitar para me alegrar e, em dias menos bons, recordar as coisas boas e inspiradoras da minha vida. Recorrer ao meu blog para me recordar da minha vida de há vários anos atrás e só encontrar desabafos pessimistas não é algo que me traga nenhum tipo de felicidade, como podem imaginar. Não é dessa forma que desejo recordar esses tempos e a culpa é só minha por tê-los registado assim.

Se a memória selectiva apaga as coisas menos boas, porque hei-de ser eu a registá-las no meu próprio blog?

Dito isto, penso que as pessoas confundem os blogs como sítios onde as pessoas expõe as suas vidas e não apenas parte das suas vidas. São coisas muito diferentes.

Querem mesmo que vos dê a receita do jantar que inventei ontem, que por sinal saiu horrível, que sobrou e que, ainda por cima, vou ter que andar a comer de castigo nos próximos (sei lá) quantos dias? Ou preferem que vos passe a receita de algo que fiz ou reproduzi e que saiu espectacularmente bem?

Com tanta informação inútil que circula na internet aos milhões (literalmente), sinto-me cada vez mais na obrigação de ser selectiva relativamente ao conteúdo que produzo e publicado. Se isso vos parecer um pouco como o Pinterest, não posso dizer que fique chateada, até porque quem me dera que assim fosse! 🙂

Saibam apenas que nada do que vêem por aí é a “fotografia” completa da vida de alguém. Antes fosse. 😀

 

10 Comments

  • Andrea Portugal Deveza

    sempre se falou muito sobre trazer para os blogs o que é positivo, toda uma imagem de calma, tranquilidade, serenidade, felicidade… não necessariamente que seja permanente na vida de quem está por trás do blog, mas eu prefiro mil vezes ver imagens bonitas, brancas, alinhadas e com algum nexo. incomodam-me por exemplo blogs que não tenham pensado no look do blog, em que as fotos não estão “pensadas”, escuras, desfocadas, de comida que só tem bom aspecto para quem a tirou, pés mal arranjados, overload de selfies, enfim, parece ridículo, mas eu prefiro que os blgos transmitam paz e coisas boas. independentemente do que dizem e de eu saber perfeitamente que para tirar aquela fotografia, foram preciso pelos menos cinco tentativas e que pararam de tomar o café arriscando de o beber frio para que a imagem fosse perfeita. se não tiver tempo para ler tudo, ao menos aqueles três segundos a ver as imagens transmitiram algo positivo. é o que eu procuro no meu blog.

  • Marta Chan

    Na minha opinião prefiro quando os bloggers sao honestos/as e escrevem sobre coisas boas e coisas menos boas, porque é esta a realidade da vida, não há vidas perfeitas. Agora temos é que encontrar o nosso equilibrio. Com certeza que vou deixar de seguir uma blogger que está constantemente a queixar-se da vida ou a publicar sobre assuntos com conotação negativa o tempo inteiro. Isto traz me tristeza e energias negativas, não me fa sentir bem. Mas amo do coração quando leio uma ou outra publicação com uma historia real triste, só nos faz conectar mais com a blogger.
    Epa agora se um DIY ou receita ficou mal no final, então não considero que deva ser divulgado, estamos aqui para nos inspirarmos uns aos outros e não para ficarmos em baixo o dia inteiro 😛 Deve custar muito passar boas horas a planear um projecto e a executa-lo mas se não correr bem… corre melhor pa proxima e ai sim, partilhamos com o mundo.

  • Ana Paula Cardoso

    Nós somos curadoras do nosso espaço virtual, quer seja blog, facebook ou outra rede social qualquer. É normal não querermos mostrar o nosso pior lado. O dia em que o cabelo está tão oleoso que pode hidratar um bebé ou quando vamos ver um filme e é uma desilusão. Todas as pessoas deviam ter noção que a perfeição não existe e que não é nos blogs que vai ser encontrada!!! 😉 Beijinhos :*

  • Ana

    Errrr…. You nailed it girl!
    Este tema é complicado e pode ser abordado a partir de várias perspectivas. Mas esclareço já que prefiro um blog honesto qb mas que me poupe os pormenores sórdidos (entre os quais, a receita do teu jantar, ok?). A Concha, do Saídos da Concha já abordou este tema algumas vezes e sempre com muita perspicácia. a ver se não me perco nem escrevo quilos de coisas.
    Quando visito um blog, estou à espera de arejar a minha cabeça (por exemplo, nem sempre) de um dia chato, fazer um intervalo, etc. Se me falas do monte de roupa que tens para passar a ferro, esquece, não és a minha blogger favorita. Se por outro lado, só me mostras fotos de coisas lindas, a tua casa imaculada, os teus cremes fabulosos-e-que-eu-nunca-comprarei também vou achar que és uma seca para além de completamente obcecada por limpezas e ordem (com uma OCD).
    Para mim um blog é um sitio onde venho para me esquecer que existo, no sentido em que no meu blog vivo a vida que gostava de poder viver. Ou seja, adorava poder passar dias a escrever sobre uma série de assuntos que me interessam e que me pagassem por isso. Mas isso não quer dizer que tenha de vender uma imagem de alguém que não sou. Acho que consigo isso, quando escrevo posts mais pessoais. Não digo de caras que tenho uma banca cheia de loiça para lavar, mas quem me lê sabe que sou de carne e osso e que o meu cabelo fica um nojo se apanha chuva. Ter um blog, é saber misturar tudo de forma armoniosa: falar do que nos apetece, do que nos dá na gana sem nunca esquecer que existimos. Passar para o outro lado do espelho mas manter os pés no chão, entendes (se calhar não, eu própria já estou muito baralhada!)?
    Uma coisa é certa: não uso o blog para afogar mágoas nem para mandar mensagens subliminares a quem me lê. Uso o blog para escrever do que gosto, sobre o que me interessa e o que me vai na alma. E acho que não me tenho saído mal. 😉

  • Krystel

    Como já disseram, também procuro honestidade acima de tudo. Mas só consigo adicionar um blog ao meu agregador RSS se, para além de conteúdo, houver filtragem no que se posta. Essa filtragem é exatamente a questão principal: gosto de arejar, ler coisas boas e bonitas que me dão vontade de conhecer, ler também coisas menos boas de vez em quando, mas sempre com filtragem de bom gosto e de pertinência. Porque não gosto de me sentir uma intruja na vida de alguém – isto para tocar no assunto dos blogs que são autênticos diários e para os quais não tenho grande paciência.

    • joan of july

      Percebi perfeitamente o teu ponto de vista, Krystel e concordo plenamente! Também acho a filtragem importantíssima! 😉

  • Inês Silva

    Olha depois de ler o teu post não sei bem qual é a minha opinião sinceramente x) deixei de ler muitos blogs porque me comparava com eles e isso deixava-me meia deprimida, mas também não gosto daqueles que espetam tudo tipo diário. Acho que um equilíbrio fica bem 🙂

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