Serra da Estrela, glaciares e o Covão d’Ametade

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Ao contrário da maioria dos meus amigos portugueses, não vi neve pela primeira vez na Serra da Estrela. Como já vos contei, foi na Suíça, no final do ano passado, mas também fui à Serra da Estrela, pela primeira vez com neve apenas este ano. Foi no último fim de semana de Janeiro e quero muito partilhar convosco alguns pormenores desta viagem de fim de semana que também passou por Piódão, mas isso fica para outro post. 🙂

No fim de semana em que planeámos ir à Serra da Estrela vimos que estava previsto nevar, pelo que tudo se conjugou para que fosse incrivelmente divertido e conseguíssemos algumas fotos incríveis. Não sei quanto a vocês, mas eu amo fotografar (n)a neve. 🙂

Ficámos alojados numa aldeia chamada Chãs de Égua, mesmo ao lado do Piódão, portanto, não muito longe da Serra da Estrela. Tal como Interlaken serviu como base de acesso a certos pontos dos Alpes, em terras lusas, Chãs de Égua serviu de base para visitas a outros pontos de interesse à volta.

Na manhã desse frio sábado de Janeiro, assim que nos dirigíamos à Serra da Estrela, fomos vendo alguns indícios de gelo e neve pelo caminho, mas mal sabíamos que lá no topo estaria assim tão cheio de neve. Foi uma surpresa maravilhosa para mim, até porque num dia frio – sim -, mas cheio de sol, não estava à espera que ainda houvesse tanta neve acumulada.

(esta não foi a temperatura mais baixa que apanhámos naquele dia; eu é que fotografei cedo de mais).

Os outros encantos da região da Serra da Estrela

Apesar da neve ser a primeira coisa que nos vem à cabeça quando falamos ou ouvimos falar em Serra da Estrela, existem muitos outros bons motivos para a visitar, com ou sem neve.

As paisagens desta região e do Parque Natural da Serra da Estrela são lindíssimas; daquelas que nos deixam a pensar no quão pequenos somos face à imensidão da natureza. Adoro sentir-me assim e não tenho quaisquer problemas em reduzir-me à minha pequenez em relação ao poder da natureza que me circunda.

Sabiam que nesta região nos podemos deslumbrar com 25 lagoas de origem glaciar, símbolos da origem da própria serra? Existem ainda percursos pedestres com distâncias entre os 7 e os 12 quilómetros para fazer trekking e caminhadas revigorantes em dias mais quentes. Dois deles, o das Lagoas e o das Grandes Lagoas, são circulares. O Trilho de Viriato liga as Penhas da Saúde à Torre.

Para além disso, podem também ver o maior Vale Glaciar da Europa, atingindo os 13km de extensão. Aqui, as inúmeras quedas de água jorram das encostas, vêm-se animais e casas de pastores que se confundem na paisagem verde da montanha.

Fonte: Premium Tours

Nossa Senhora da Boa Estrela, a padroeira dos pastores da Serra

Durante este passeio inesquecível pela Serra da Estrela, demos de caras com esta espécie de santuário. Como não sabíamos nada sobre ele, foi uma agradável surpresa e ficámos maravilhados com a sua beleza. Mesmo para pessoas não religiosas, é difícil não reparar no misticismo deste lugar.

Depois de o fotografarmos e voltarmos a casa, fomos investigar a origem deste lugar:

Diz-se que a Nossa Senhora da Boa Estrela apareceu na Serra a um pastor. Por esse motivo, ficou conhecida como a guia e protectora dos pastores. É sabido que, há centenas de anos, os pastores enfrentam o tempo frio e agreste que se vive no Inverno nesta região.

Poucos sabem como surgiu esta imagem, mas todos ficam admirados com a sua beleza.
O altar da Nossa Senhora da Boa Estrela situa-se no Covão do Boi, a 1850 metros de altitude. A imagem tem 7 metros de altura e foi inaugurada em 1946.

Fonte: A Senhora do Monte

 

 

O Covão d’ Ametade

Não estou a exagerar se vos disser que esta foi a minha parte favorita desta pequena viagem. Sim, mais ainda do que o topo da Serra da Estrela.

A paragem no Covão d’ Ametade não foi premeditada, mas foi o melhor que podíamos ter feito e até acho mesmo que as nossas melhores fotos foram lá tiradas. A maioria delas podem ver aqui neste artigo sobre as minhas “Razões para amar o Inverno“.

O Covão d’ Ametade é uma antiga lagoa de origem glaciar a 1.420 metros de altitude. Situa-se no sopé do maciço do Cântaro Magro, onde nasce o Rio Zêzere.

Fonte: Câmara Municipal de Manteigas

Neste local é permitido fazer campismo, desde que se respeite a natureza e a sensibilidade do local.

O que mais me encantou neste local foram as cores; os cinzentos azulados, castanhos e brancos (da neve) fizeram-me sentir como se fizesse parte de uma história passada num país nórdico ou num livro do Stieg Larsson.

O gelo nas margens do Zêzere (?) parecia vidro, nunca tinha visto nada assim! Pareceu-me um lugar de paz e de respeito à natureza, pelo que – claro – fiquei apaixonadíssima por este Covão d’Ametade do qual nunca tinha ouvido falar.

Espero que tenham gostado deste passeio pela região da Serra da Estrela. Ainda tenho que partilhar a visita a Piódão e a Foz d’Égua, mas em breve tratarei de o fazer. Com estas pequenas viagens “cá dentro” apercebo-me do quanto ainda me falta descobrir de Portugal, mas todos os anos vou colmatando estas falhas. 🙂

Por falar nisso, convido-vos a espreitar a minha secção de viagens dentro de Portugal aqui no blog.

4 Comments

  1. Marisa Cavaleiro says:

    Um óptimo guia para visitar a serra. Eu confesso que só lá fui uma vez em Maio e estava tanto frio que gelei e não estava neve. Com neve sou incapaz de lá ir mas fotos ficaram lindas bem como as informações que dás sobre os diversos lugares.
    Xoxo

    marisasclosetblog.com

  2. Blogue Ela e Ele, Ele e Ela says:

    Aiiii mas que fotografias excelentes!!!

  3. LucieLu says:

    O Covão d’ Ametade é lindíssimo estive lá no verão. Parece um lugar fora do mundo de tão bonito e silencioso. Delicioso este teu relato! Essa zona é incrível! E sim Portugal é um universo inteiro por descobrir!

  4. Daniela Soares says:

    Tenho mesmo que voltar à serra brevemente para matar saudades.:D

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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