#SheWorks,  Work

Como resistir à tentação de fazer tudo e de estar em todas as redes sociais?

Quando estamos a lançar algo na internet – um blog ou um projecto pessoal, por exemplo, é difícil resistir à tentação de disparar em todas as direcções no que toca às plataformas em que queremos estar presentes. E a confusão não se estende apenas às plataformas ou redes sociais, mas também ao tipo de conteúdo que escolhemos produzir.

No início dos blogs era tudo tão mais simples… Era só um blog, o nosso diário digital, que podia ter mais ou menos notoriedade, ou até nenhuma. Não existiam redes sociais para os divulgar e mesmo com as que as foram aparecendo, a nossa prioridade não era divulgar coisas nelas, mas sim – pasmem-se – ligarmo-nos e estar em contacto com amigos.

Não que haja algo de errado em promovermos os nossos projectos nas redes sociais hoje em dia, só quero dizer que este fenómeno é relativamente recente.

Temos que estar em todas as redes sociais?

E por falar em redes sociais quando temos um projecto, como é que sabemos em que redes sociais devemos estar? Temos que estar em todas?

A minha resposta a essa questão é: se tiverem uma equipa a trabalhar convosco ou um parceiro/a de negócio ou de blog, podendo, tracem uma estratégia para várias redes sim. Se estiverem sozinhos, não! Mais vale publicar bem, com posts pensados e bem trabalhados em poucas redes sociais, do que publicar conteúdo medíocre em várias ou, pior, replicar o mesmo conteúdo em várias simultaneamente.

Temos que fazer tudo? Como escolhemos o que fazer?

No caso de um blog pessoal, como o meu Joan of July, é fácil, para mim, escolher onde quero estar online e onde quero marcar a minha presença. No meu caso, é o Instagram, o Facebook e – esporadicamente – o Youtube.

Mas no caso de um projecto de começa a ganhar alguma visibilidade como o #SheWorks? Como faço?

Recentemente, começaram a chegar-me vários pedidos: gravar o som dos eventos, gravar vídeo, fazer um podcast, fazer um retiro, fazer ao fim de semana…

Como é que se diz “não” e como saber o que aceitar? A resposta nunca é fácil nem nunca vai ser, mas se há coisa que aprendi com os vários projectos que tenho e que tenho vindo a ter ao longo dos anos é que não podemos – mesmo – fazer tudo! Especialmente quando temos um emprego a full-time e projectos absorventes por fora, temos que ser espertos nas nossas escolhas.

Com tempo limitado, temos que ser selectivos, saber escolher muito bem para que não fiquemos sobrecarregados pelas nossas escolhas. Um projecto extra-trabalho não tem que ser um sacrifício e deve ser algo que nos dá prazer fazer. Se eu agora me lançar a fazer 1000 coisas num só projecto, esse prazer vai desaparecer e vai começar a parecer um emprego, mas sem os benefícios…

Então, aproveito para vos explicar o que vou ou não fazer e porquê. Não porque as minhas escolhas precisem de justificação, mas para servirem como um exemplo de como penso nestas questões:

#SheWorks Podcast

Esta era a ideia original do projecto, muito antes de pensar nele como encontros mensais físicos. Porém, quanto mais pensava na ideia, mais sentido me fazia ser algo físico, em que as pessoas pudessem estar frente a frente, algo que se tem perdido muito com os facilitismos do online.

Gravações dos eventos #SheWorks

É uma das mais pedidas. Pensei muito nela, mas para já não. É preciso investir em material de qualidade e perceber minimamente de som e do próprio equipamento e eu, para já, não tenho essa disponibilidade a nível de tempo. Recuso-me a gravar som com o telemóvel e disponibilizar essa gravação sem edição também! O meu lema é: fazer bem feito, ou não fazer de todo!

P.S.- Não confundir este lema com o perfeccionismo que impede que as ideias vejam a luz do dia.

Vídeos do #SheWorks

A mesma razão do som.

#SheWorks aos fins de semana à para já, não. Pelo menos não por sistema. Se acontecer um de vez em quando, ok, mas não vai ser algo regular. A razão: os fins de semana são meus! Também preciso de descanso e lazer. 🙂

Retiro #SheWorks

Quero muito fazer um evento maior do #SheWorks, mas isto ainda está muito no começo (fiz o 3º encontro na semana passada) e ainda tem que amadurecer um bocadinho. No entanto… está nos planos! 🙂

O que decidi fazer

Em vez de me lançar agora a gravar conteúdo e a dispersar-me em vários formatos e plataformas, decidi melhorar os encontros, cuidar do ambiente, do conforto das pessoas. Pequenos detalhes fazem toda a diferença. Vou tentar fazer com que aconteçam às sextas para estarmos todas mais à vontade e proporcionar alguns miminhos para ninguém ficar com fome. O objectivo é continuar a criar uma comunidade de mulheres esclarecidas e informadas enquanto crio um ambiente confortável e convidativo para todas.

Quanto à presença online do #SheWorks, vou continuar no Instagram (@sheworks.pt) e… criar um website para facilitar as inscrições! 😊

Conclusão

No fundo, o que quero dizer é que quando vejo o meu tempo de descanso muito limitado, começo ou a cortar coisas existentes ou a recusar novas. Poder ter tempo para não fazer nada (por pouco que seja), para passear sem rumo ou mesmo para ficar em casa, é essencial para mim. Então, prefiro ter menos coisas em mãos e fazê-las bem feitinhas. O mesmo com o blog, já agora. Prefiro publicar menos vezes por semana, mas publicar posts com conteúdo e de que me orgulhe.

Faz sentido para vocês?

Espero que esta minha partilha vos tenha ajudado, de alguma forma, a decidir o que fazer com os vossos blogs e negócios quando pensam que têm que estar em todo o lado e fazer tudo. Não têm. Têm que fazer o que vos faz sentido e que realmente ajuda os vossos projectos a crescer!

Se tiverem alguma dúvida ou gostariam de pedir a minha opinião sobre este tópico, mas relacionado com os vossos projectos, enviem-me um email para hello@joanofjuly.com

One Comment

  • Andreia Moita

    O que sinto é que começamos sempre a querer tudo e depois vamos descendo à terra. Não é fácil escolher o que fazer/aceitar e o que não fazer/recusar e isto acontece porque, muitas vezes, temos medo de perder oportunidades. Admiro a tua forma de pensar e agir precisamente porque não tens medo disso e sabes acima de tudo as tuas prioridades, o que é fundamental no arranque (e seguimento) de um projecto. O #Sheworks é muito bom também por causa disso, por ser um projecto com pés e cabeça, bem pensado, estruturado, executado e isso acontece porque sabes o caminho a seguir. Isso é de aplaudir!

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