Minde, o Retiro do Bosque e Dinossauros na Serra de Aire

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Se bem se lembram, eu e o meu namorado gostamos de celebrar o nosso aniversário com uma espadinha “cá dentro”, de forma a aproveitarmos para conhecer mais um bocadinho do nosso lindíssimo país. Aqui no blog, documentei em 2014 a nossa passagem por Belver, pelo Marvão e por Ammaia e, no ano passado, por Almourol, Ferreira do Zêzere e Tomar.

Este ano, o nosso aniversário calhou uma semana antes de mudarmos de casa, o que, logisticamente, não nos deu grande espaço de manobra (ou estado de espírito) para celebrações muito elaboradas. Durante muita tempo, nenhum de nós tinha ideias de onde ir ou o que fazer, mas então, num momento de especial iluminação, lembrei-me deste post maravilhoso da Sara e que me deixou a suspirar durante tanto tempo depois de o ler e ver.

O destino subitamente ficou claro: Minde.

Minde e o Retiro do Bosque

         

Seguindo a recomendação da Sara, marquei logo em Junho um quarto lindo com vista para a serra no Retiro do Bosque. E foi das melhores decisões que podia ter tomado para este nosso fim-de-semana romântico e que pedia uma pausa no reboliço da preparação para a mudança. E assim foi, porque escolhemos o sítio perfeito para descansar, ainda que por pouco tempo.

O Retiro do Bosque não só é lindo, como é situado a vila de Minde e com vista para as Serras de Aires e Candeeiros.
Perto do Retiro do Bosque e de Minde, há várias atracções, nomeadamente trilhos para amantes de trekking e grutas. Nós fomos a duas grutas, mas sobre essas visitas vou falar-vos noutro post, porque vale mesmo a pena mostrar-vos essas fotos em separado. 🙂
Quanto ao trekking, acho que vai ser a desculpa perfeita para voltar a Minde. Depois do fim de semana de aventura pela Beira Baixa, fiquei realmente fã desta actividade e, se puder fazê-la em Minde, melhor, porque ficámos mesmo com vontade de voltar!

Uma curiosidade interessante sobre a vila de Minde, é que é nela que se situa o único polje de Portugal. Um polje é uma depressão fechada ou aberta (no caso de se conseguir comprovar que já foi fechada) no carso, com dimensões consideráveis e vertentes com um declive acentuado e abruptas, com o fundo geralmente plano e coberto de terra rossa e aluviões. (Wikipedia)
É normal o polje de Minde estar cheio de água, fazendo assemelhar-se a um lago, mas em Agosto, como podem imaginar, não houve polje para ninguém, estava sequinho e sem qualquer vestígio de água. A nossa sorte é que a natureza circundante continua a fazer deste um sítio encantador. 🙂

Quando voltar a Minde para fazer os trilhos, vou tentar fazê-lo por volta no início da Primavera para poder ver o “mar de Minde”, como é chamado pelos locais.

Não posso deixar de agradecer à D. Margarida do Retiro do Bosque por toda a simpatia e pelas informações úteis e sugestões que nos deu sobre Minde e arredores! 🙂 Ah, e já agora, um obrigado também à Sara, porque foi através dela que fiquei a conhecer este tesouro.

Se quiserem saber mais sobre o Retiro do Bosque e sobre Minde, não deixem de visitar o post da Sara.

Serra de Aire e o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurio de Ourém-Torres Novas

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Se o dia anterior foi dedicado a conhecer Minde e as grutas, o dia seguinte foi para visitar o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurio de Ourém-Torres Novas, mais conhecido como Pegadas da Serra de Aire.

Esta foi ideia dele, até porque eu não sabia que isto sequer existia. Como pessoa que cresceu a obcecar pelos fascículos dos dinossauros da Planeta DeAgostini (também os tinham? Aqueles que traziam óculos para ver as imagens 3D?), delirei com a perspectiva desta visita.

Uma curiosidade gira: este sítio estava, em 1994, a ser explorado para ser tornado numa pedreira. Foi durante as escavações para construir a pedreira, que foram descobertas as pegadas de dinossauro.

Outra curiosidade fascinante sobre o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurio de Ourém-Torres Novas é o facto do terreno que vemos hoje em dia e que é composto por pedra, na altura destas pegadas, portanto há 175 milhões de anos, era um terreno pantanoso, daí as pegadas terem ficado tão bem marcadas. Nessa altura – no Jurássico Médio – a Europa estava ligada à América do Norte, naquele que era o único continente do mundo, a Pangeia.
Portanto, as partes do terreno que parecem não estar niveladas, revelam que o terreno passou por alterações significativas deste a altura em que se registaram as pegadas. Caramba, os continentes separaram-se, caiu um meteorito e o mundo “acabou” entretanto! Não acham isto fascinante? :O

O que torna este sítio especial e merecedor de importância paleontológica é o facto de conter os maiores, mais antigos e bem conservados trilhos de saurópodes de que há conhecimento no mundo (175 milhões de anos) contendo mais de 1000 pegadas. (info da Wikipedia).

E foi assim que se passou mais um aniversário maravilhoso, mesmo que este ano tenhamos planeado as coisas, parte em cima do joelho, parte ao sabor do vento. Mas assim, tornou-se ainda mais especial e espontâneo. Adoro estes nossos passeios por Portugal e mantenho: Portugal ainda tem muito por descobrir. 🙂

4 Comments

  1. Inês says:

    Não conheço, mas parece um bom sítio para passar um fim-de-semana.
    Gostei da referência aos fascículos da Planeta DeAgostini. O que eu chateava a minha mãe para ir ao quiosque comprá-los…
    Inês recently posted…“Carrie” de Stephen KingMy Profile

  2. Maria says:

    A ideia de celebração dos vossos aniversários com pequenas viagens é fantástica.
    O retiro em Minde tem mesmo um ar e aspecto super convidativo. As tuas fotografias continuam excelentes, e sempre com uma pontinha de magia que nos faz querer teletransportar directamente para os sítios que elas retratam.

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