personal

E a fútil/anti-feminista sou eu?!

Recentemente cometi – admito – um erro terrível e imperdoável: manifestei um interesse indigno por moda e falei de roupa num contexto relacionado com um festival. Eu mereço ser chamada de fútil, de anti-feminista e de todos os substantivos menos fofinhos que já me atribuíram desde que o dito festival partilhou a minha publicação no Facebook.

(Acho que esta é uma boa altura para avisar-vos que, se não são fãs ou não estão familiarizados com a ironia, é melhor abandonarem a leitura deste post neste preciso momento).

 

Tira-me daqui!
Nah, eu aguento.

O post em questão é este. Yep, tive a audácia de partilhar uns looks antes do festival, achando que faria sentido, uma vez que:

  1. Como pessoa normal que sou, penso efectivamente no que vou vestir antes de qualquer evento que me deixe entusiasmada:
  2. Vou aproveitar para fotografar o festival e tenho planeado publicar um apanhado fotográfico do estilo pessoal dos participantes;
  3. Acredito veementemente que a moda é uma expressão de individualidade e da personalidade de cada um, tal como a música ou qualquer outra arte.

Como tudo começou

Ora, estava eu a acabar de acordar (tarde) no domingo passado, quando a minha app do WordPress anuncia que estou a ter um pico de visualizações no blog. Estranhei, até porque não publicava nada desde sexta. Consultei as estatísticas do blog, do Google Analytics e concluí que vinham do Facebook.
Resumindo e poupando-vos aos detalhes técnicos, lá percebi como se via no Facebook de onde vinham as visitas e partilhas e eis que vi o meu post partilhado pelo festival e cheio de críticas terríveis que também posso resumir a duas coisas:

  1. sou fútil e não mereço o ar que respiro;
  2. o festival – vou dizê-lo – Reverence Valada – vendeu a alma ao demónio porque agora associa-se a bloggers de moda que vão infectar o seu estado outrora puro e anti-mainstream.

Uff… por onde começar?

Permitam-me esclarecer

Bem, vamos por partes, ok?

1. Não sou blogger de moda e – porra – é raríssimo falar de moda, no blog ou fora, mas calhou uma dessas raras vezes ser no post em questão. É um azar dos diabos, não haja dúvida.

2. O festival não “está diferente”, não se vendeu, não é mainstream por minha causa! O festival não tem nada a ver com o que eu escrevi e publiquei, ok? Assumo alegremente a “culpa” e responsabilidade do que escrevi. O festival só partilhou.

Porque é que esta questão me incomoda?

I

Eu própria me queixo de festivais mainstream (basta lerem a crítica que escrevi este ano sobre o Alive) e tive um momento em que compreendi as críticas das pessoas que comentaram o meu post no Facebook. Eu própria teria pensado aquelas coisas se não soubesse o contexto. Se visse uma blogger (mais uma) a partilhar looks para um festival, a palavra fútil também me viria à cabeça. Agora que penso nisso, isso entristece-me bastante.
Entristece-me não só por constatar que julgo tão facilmente quanto as pessoas que me julgaram a mim, mas porque percebi o quão redutor e preconceituoso é julgar alguém por gostar de moda, ou melhor, por admitir que gosta de moda.

II

Também acho simplesmente patético a palavra “poser” ser automaticamente colada a alguém só porque demonstra este interesse. Pronto, já percebi amigos festivaleiros; é proibido ter outros interesses para além da música. Pelo menos de mostrá-los.
Sim, cá em Portugal, existe um preconceito enorme relativamente a pessoas que gostam de música, vão a festivais e pensam abertamente no que vestir.
Amigos, nós temos obrigatoriamente que cobrir as nossas vergonhas com pedaços de pano; custa assim tanto aceitar que há quem pense no que pôr por cima do corpinho ao mesmo tempo que se preocupa com o que ouve, o que come e o que lê?

III

O pior de tudo, é mesmo ver como um simples post sobre roupa despoletou uma reacção tão negativa no contexto deste festival quando já publiquei tantos outros posts sobre a música e as bandas do mesmo. É tão giro acusarem alguém de ser superficial por falar de roupa e assumirem que não gosta verdadeiramente de música quando nem sequer se dá ao trabalho de ver se essa pessoa (neste caso eu) publicou mais alguma coisa sobre o assunto, não é? 🙂
Concedo-vos isto: se eu visse o mesmo post que vocês viram e não visse outros publicados pela mesma pessoa sobre música do festival, acharia o mesmo. Agora, eu pelo menos tentaria pesquisar no blog da pessoa se esse era ou não o caso. Mas isso sou eu….

Mas o tuguismo é assim: só se fala para dizer mal, caso contrário não vale a pena.

IV

Não, esperem, esqueçam o que disse antes. O pior de tudo é isto aqui: a “malta festivaleira” de Portugal acha-se muito badass e considera-se verdadeiramente amante de música se fingir não gostar de nada que possa ser minimamente confundido com “fútil”. Mas essa não é a realidade. Ninguém só gosta de uma só coisa, porque fingem as raparigas “da cena” que não pensam no que vão vestir? A mim não me enganam, desculpem. Agora, se não querem admiti-lo publicamente, ok, estão no vosso direito.

(E depois a poser sou eu.)

O que é ser fútil?

 
 

Esta é outra coisa que me chateia e à qual vou dedicar um tópico. Mas o que raio é ser fútil?
Segundo o dicionário:

fú·til
(latim futilis, -e, que deixa escapar o que contém, frágil, frívolo, sem autoridade)
adjectivo de dois géneros
1. Que não tem interesse ou valor. = INSIGNIFICANTE, INÚTIL, VÃO
adjectivo de dois géneros e substantivo de dois géneros
2. Que ou quem valoriza o que é considerado superficial, inútil ou apenas material.

Só para o caso de terem dúvidas. Por um segundo, até eu tive.

Eu podia escrever todo um ensaio (sem qualquer exagero) sobre o que é ser fútil, que aquilo que cada um considera ser fútil é fruto dos seus próprios valores e visões do mundo, e não uma opinião colectiva e pré-estabelecida.
Eu, pelo menos, não funciono assim.

Vou explicar-vos o que considero ser fútil.

Para mim, uma pessoa fútil é alguém que – realmente – se preocupa apenas com questões superficiais e materiais; quem apenas se preocupa com a aparência e não com a substância, por exemplo.

E não, essa não sou eu. Se quiserem pensar e acreditar que sou fútil:

  1. Não me conheçam nem falem comigo;
  2. Se por acaso me conhecerem algures na vida, ignorem tudo o que fiz e alcancei na minha vida, todos os cursos e workshops que fiz para me educar, para aprofundar os meus interesses e gostos;
  3. Ignorem todos os meus outros interesses na vida para além de roupa, como o meu grupo de escrita, a minha fotografia e mesmo o facto de ter aprendido a monetizar grandes paixões minhas, algo de que tenho muito orgulho.

Em jeito de conclusão

 

Se ficaram com a sensação de que este post serviria para pedir desculpa por alguma coisa, desenganem-se. Este post é, na verdade (e se andaram distraídos durante o texto todo), para mostrar como é tão feio (já para não mencionar tacanho) julgar alguém por ter interesse em moda. É muito feio também acharem que, para serem considerados “sérios apreciadores de música”, têm que manter a aparência de só gostarem de música. As raparigas então, essas têm que manter em segredo que pensam minimamente no que vão usar antes do festival.

Eu cá nem sou louca por moda, mas confesso – idioticamente, claro – que penso no que vou vestir mais que o costumo quando se aproxima uma data ou evento que me deixam especialmente entusiasmada. E é esse o caso do Reverence Valada. É, já disse o nome.

Outra coisa que gostaria de deixar assente neste texto é que o ser humano é um ser complexo. Se discordaram de mim em tudo o que disse até aqui, certamente abrirão uma excepção neste ponto. Onde quero chegar com isto? Fácil. Um ser humano tem vários interesses, várias emoções, interesses e é capaz de expressar a sua individualidade de várias formas e gostar de vários tipos de arte. Oh sim, a moda também é uma arte.
Pois eu adoro várias: Fotografia, Literatura, Música, Cinema,… Na minha lista de interesses, a moda nem está no top 5, confesso. Mas de vez em quando aparece e lembro-me que faz parte da minha vida, directa ou indirectamente. Não vejo mal nenhum nisso.

 
 

Vejo é mal em ter que explicar isto em 2016. Vejo mal em ser acusada de anti-feminismo, mas quem o faz quer suprimir-me enquanto mulher na minha forma de me expressar. Há algo muito errado aqui e duvido que a causa esteja no pouco interesse que tenho por moda.

Já escrevi demasiado sobre este assunto. Nunca quis justificar-me, mas sim reflectir um pouco acerca da natureza humana. Está feito. Agora vou continuar a minha contagem decrescente para o Reverence e vou divertir-me como me diverti nos anos anteriores. E vou documentar tudo, à minha maneira, como eu quiser, com ou sem moda.

Obrigada. 🙂

Já agora, para além do post dos outfits, escrevi também os seguintes sobre o Reverence:

Reverence Valada 2016: 5 concertos imperdíveis
Reverence Valada 2015: apreciação geral e concertos favoritos
Reverence Valada 2015: 10 concertos obrigatórios
Reverence Valada, o melhor festival de música de 2014

17 Comments

  • Marta Chan

    Sabes que não gosto de moda, nem sigo tendências, acho um absurdo estar a mudar o roupeiro cada estação só para estar vestida como toda a gente, e vá, ser uma pessoa normal. Na boa, chamem me hippie e freak, ao menos tenho sempre dinheiro para viver as minhas experiências.

    Então, quando li o teu post gostei imenso!! Não tinha nadinha de futil, muito menos mainstream?!! Whatttttt?? Tipo ya, até as mais puras hippies que vão ao boom pensam na roupa que vão vestir e os acessórios que ficarão bem. Qual é o mal nisso? É também uma forma de nos expressarmos.

    Ainda se falasses em lojas onde poderíamos adquirir cada roupa… mas não, falaste de estilos e até achei interessante pois estive uns momentos a reflectir qual seria o meu estilo festivaleiro e ainda fiquei mais apaixonada pelo grunge.

    Sério Cat, ouve aqui a amiga, caga de fininho nessas pessoas. Tal como disseste, os tugas têm sempre que criticar e se queixar.
    Tiveste muito bem no teu post e neste também! 🙂

    • joan of july

      “até as mais puras hippies que vão ao boom pensam na roupa que vão vestir e os acessórios que ficarão bem.” –> Ah-ah, eu sabia! Obrigada por partilhares, Marta. E sim, qual é o mal disso? Não pensamos no que vamos vestir em praticamente todas as ocasiões? Porque é que um festival deveria ser excepção? Aliás, pode ser, cada um é que sabe de si!

      Se eu falasse de lojas, também era criticada por estar a fazer publicidade, etc., etc., já se sabe, né? 😛

      Obrigada, Martinha! <3 *

  • Joana Sousa

    WHAT
    THE
    ACTUAL
    FUCK

    A sério que isto aconteceu?! Caramba. Eu sou uma cabeça de vento, então, se tu por falares uma vez de moda tens esse backlash todo, imagino as *estúpidas* e *ocas* bloggers que se dedicam exclusivamente à moda. Sim, porque a vida delas é essa, acordam, vão tirar fotos, publicam, e ficam o resto do dia a ver FashionTV, claro.

    Ah, pois, e eu não sou feminista porque gosto de vestidos, maquilhagem e porque tenho a depilação feita.

    Ahhhhh haja pachorra! (Oh shit e o meu último post foi um outfit! Dammit!)

    Jiji

    • joan of july

      WTAF indeed! Sim, somos todas umas ocas! Somos obrigadas a usar roupa e ainda castigadas por pensarmos antes de a escolher. É o que eu digo: nós é que somos as anti-feministas, mas são os outros a tentar controlar o que fazemos, o que dizemos e como nos comportamos na internet. Tenho dito. Enfim. -_-

  • Nicole Silveira

    Estou como a Ana Garcês, levanto-me e bato-te palmas. Quem quer dizer mal arranjará sempre maneira de o dizer, isso é inevitável. Espero sinceramente que as tuas palavras causem de alguma maneira impacto na cabeça dessas pessoas. Ser blogger está cada vez mais difícil nos dias de hoje porque algumas tão a se tornar em “alguém” e a sociedade tem dificuldade em compreender que o que nós fazemos também é um trabalho. Apartir do momento que fazes algo que realmente gostas e a ter frutos dessa paixão, esquece… neste país vais ser julgada.

    • joan of july

      Tens toda a razão, Nicole! Nem tinha pensado nessa parte do blogging ser um trabalho, mas é! É o que fazemos e vão haver sempre pessoas que não vão gostar ou identificar-se com o que escrevemos. E está tudo bem. 🙂 Agora, pelo menos entre nós, respeitamos-nos, não? Ao menos isso. As pessoas de fora não entendem. Oh well. :*

  • Vânia

    Agora fiquei preocupada: gosto de roupa e visto-me todos os dias e todos os dias penso se as minhas calças fazem pandã com a blusa. Uso sapatos e malas vá-se lá perceber porquê! Eventualmente, para aí de dois em dois meses ou quando me dá na real gana escrevo um post sobre algumas roupas ou sapatos que comprei, ou que me apetece comprar. E eventualmente até menciono as marcas (o descalabre total, shame on me!). Quando vou sair para uma ocasião especial penso com mais cuidado no que vou vestir para estar de acordo com a ocasião e se alguém enceta uma conversa sobre moda e tendências consigo acompanhar sem problemas. O mesmo acontece com aquilo que como, que leio, com as reflexões que faço sobre a vida, com os locais que escolho frequentar, com as pessoas com quem escolho estar… a vida é cheia de decisões e interesses e diferentes conhecimentos mas eu, que me pensava uma pessoa informada sobre as mil e uma coisas que constituem o meu dia-a-dia e que são focos de interesse legítimos, agora acho simplesmente que sou só e simplesmente fútil. Shame on you Cat que ousas ser como eu, como nós todas e todos, terríveis e imperdoáveis mortais. 😉

    • joan of july

      Ahahah compreendeste na perfeição, Vânia! Mas sabes, é tão bom ser uma pessoa normal com várias facetas e gostar de várias coisas para além de música. Acho que a isso se chama ser uma pessoa completa, quiçá até interessante. Yay us! 😀

  • Helena

    Concordo com os comentários que li e subscrevo o teu post.
    Quando as pessoas querem criticar, muitas vezes tentando mascarar a mesquinhez e maldade atrás de comentários “construtivos”, elas fá-lo-ão de qualquer das formas, seja porque fazes um post sobre o que vestir num festival de música, seja porque lês muitos livros ou porque usas muita maquilhagem. Tenho uma amiga que diz “preocupa-te com o dia em que toda a gente gosta de ti… até lá, estás tu muito bem” 😉

    Bom fim-de-semana 🙂

    • joan of july

      Acreditas que nunca tinha ouvido/lido essa expressão? Ahahaha, adorei Helena, obrigada por partilhares. 😀

  • Juan

    O que retiro deste post é o seguinte: blogger 1 critica negativamente outras bloggers que se interessam por moda e se vestem para festivais mais comerciais como o Alive. blogger 1 faz o mesmo que as bloggers comerciais, acabando a escrever um post novo a choramingar por ter sido julgada como outrora tinha feito com outras pessoas.
    moral da história: preocupem-se somente com o vosso elitismo musical, please

    • joan of july

      O que eu retiro do teu comentário é, por outro lado, que deves realmente viver preocupado apenas com o TEU elitismo musical (aqui não há nada disso, é um termo que rejeito terminantemente), porque claramente ler e interpretar correctamente textos não é contigo.

      Como a tua compreensão não é das melhores, não vou perder texto a desconstruir o meu texto e a explicá-lo por miúdos. Se quiseres, relê umas quantas vezes. Pode ser – se tentares muito – que consigas retirar alguma coisa dele.

      E o “choramingar” que tu dizes que fiz neste post chama-se “rant”. É um tipo de post que costumo fazer em várias quintas-feiras todos os meses. Mais uma vez a julgar sem saber nada de nada, tal como o post dos outfits do Reverence (deve ser a partir daí que vieste cá parar) e que foi o único (em vários posts sobre o Reverence) em que falei de moda.

      Vai lá ouvir a tua musiquinha elitista e sê feliz, Juanzito. 🙂

  • Maria

    Um bocadinho à parte do tema do post, mas tinha mesmo de comentar, essa cena de “Scream Queens” foi mesmo excelente. Isto já para não dizer que a tua escolha de “gifs” está sempre on point.

    Oh exacto. Há muitas mais formas de arte (que no fundo são exactamente o modo como nós demonstramos a nossa personalidade) do que as pessoas querem ver; arte não é só pintura ou arquitectura ou música. É cinema, é teatro, é fotografia, é desenho, é design e bla bla bla, e é moda. Nunca pensei que isto fosse algo não óbvio. Lol o resumo dos comentários. Opah as pessoas não têm mais nada para fazerem nas suas vidas. Eu por acaso nunca me incomodou ver este género de posts, até porque nesta altura (em que há muitos mais festivais por km2 no que no resto do ano) é mais do que comum. Eu posso não ter alguma afinidade com algum festival de música, mas não vejo qual é o mal de se falar de moda no seu contexto. Aliás, os festivais são óptimas oportunidades para deixarmos as nossas personalidades brilharem, quer seja por irmos ouvir as nossas músicas favoritas (que podem, infelizmente, não serem aceiteis nos nossos meios profissionais ou académicos), ou os nossos guilty pleasures, quer seja por podermos finalmente vestirmos aquilo que realmente queremos e não podemos no resto do ano (mais uma vez, infelizmente, por motivos profissionais ou académicos).

    A parte de te terem, injustamente, chamado de fútil ainda sei de onde vem. Estupidamente gostar de roupa ou de moda é sempre visto como algo fútil e sem interesse, mas não vejo qual é o mal, sobretudo porque caramba temos de nos vestir, e porque não gostar daquilo que usamos. Agora a parte de te terem chamado de anti-feminista é que não entendo. É absolutamente irrelevante – e eu acredito nisso – qual é o motivo pelo qual as pessoas se vestem com mais cuidado, diga-se, especialmente quando alguém se veste para agradar outros (*cof* homens *cof*) porque acredito que se perde essência aí; mas caramba, mas quando alguém o faz para ela própria, só se devia é dar-lhe os parabéns pelo amor próprio que tem assim e, não apedrejá-la na praça pública – cuja versão moderna é através de linhas electrónicas.

    Continua como sempre foste que esta gente não merece o latim de ninguém. Criticam por criticarem e mais nada.

  • gggg

    OBRIGADA POR NÃO PEDIRES DESCULPA! nunca peças desculpa por te divertires ou por gostares do que quer que seja, deixa os snobs e os pretenciosos chupar a própria pila.

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