music

Identity crisis

Melancolia.

Ao ouvir certas músicas e certas bandas sou inevitavelmente recordada de uma adolescência que já acabou, mas não assim há tanto tempo.

Hoje em dia tenho consciência que era das coisas mais dramáticas que já vi na minha vida. Perfeitamente insuportável. Ninguém me percebia, ninguém sabia aquilo pelo que estava a passar, etc. Etc.. Tem piada recordar estas coisas agora, mas, na altura, o futuro parecia estar a anos luz e- achava eu- antecipava-se negro.

Tive uma fase complicada aos 16 anos. Não vou entrar em detalhes, mas, sinceramente, ainda hoje não percebo se parte daquilo foi a sério ou se foi só dramalhice. Penso que a raiz do problema remonta a algo mais sério, mais problemático, embora não goste de o reconhecer.

Depois veio o 12º ano. Tudo ok. Muito menos drama, muito menos dark thoughts.

Primeiro ano de faculdade e foi quase o período negro dos 16 anos de novo. Sentia-me revoltada, perdida, magoada sabe-se lá porquê; o pior era mesmo não saber como libertar ou expressar esses sentimentos correctamente.

Lembro-me das bandas que ouvia- a música que descrevia na perfeição como me sentia era a única coisa que me fazia sentir mais em paz comigo mesma, por mais agressiva que fosse. De alguma forma era uma forma de libertação saber que havia algo que traduzia os meus sentimentos.

Hoje, passados anos- parecem muitos, não é? Dizem-me e leio que às pessoas jovens parece sempre que o tempo passa muito rapidamente e que tudo já se passou sempre há imenso tempo-, não sei porquê, tenho saudades daquela época. Sim, era muito mais infeliz comigo mesma, com menos confiança e menos objectivos de vida alcançados, mas…não sei, tinha algo. Há algo de especial naquele tipo de revolta. Um fogo que, embora nunca alimentado, não cessa de arder. Eu sei que não deve haver uma única alminha que eu conheço que seja capaz de entender. Havia algo muito Catarina naquele maneira de ser e estar. Digo isto porque actualmente sinto-me diferente. Sinto que tenho que ser e agir de uma certa forma porque:

A) trabalho;
B) tenho 23 anos, mas às vezes sinto-me mais velha, embora não o pareça;
C) tenho receio que me julguem de alguma forma.

Eu sei, é ridículo. Que aconteceu ao “fuck it”?

Não sei, mas ainda não deixou o edifício. (esta expressão traduzida soa mesmo mal).

Percebo que agora tenho preocupações e ambições que na altura não tinha, mas, após uma longa introspecção apercebi-me de que certos feelings ainda cá estão e ainda são potenciados pela música X ou Y. E eu gosto disso. Mudei- como seria esperado, ou seja, cresci-, mas ainda gosto das mesmas músicas dark que na altura pareciam descrever tudo tão bem. São elas que me fazem sentir tão eu e não abdico delas; são elas que me impedem de esquecer quem sou, que não tenho que ser mais velha ou mais séria, que sou ainda estupidamente jovem e que, perdoem-me a linguagem, que ainda posso fazer muita merda- e aprender com ela.

Posso ter esquecido isso durante aquilo que me parece um longo período de tempo, mas…

…you know what?

Tell Jesus that the bitch is back.*

(*quote by Georgina Sparks in Gossip Girl)

 

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