Livros em 2019: os desafios de leitura, a vaidade e como ler mais

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So many books, so little time” nunca me fez tanto sentido como agora. Longe estão os tempos em que podia ler a qualquer altura do dia, sempre que me apetecesse. Hoje em dia, é preciso criar tempo para ler. Mas será que faz sentido entrar em desafios de leitura? E quanto é que ler se tornou num acto de vaidade? Como podemos – realmente – criar mais tempo para ler? É precisamente sobre isso que vos venho falar neste post.

Desafios de leitura: sim ou não?

No ano passado escrevi que ia rejeitar participar em desafios de leitura, daqueles em que estabelecemos um número de livros que queremos ler nesse ano. Expliquei porquê neste post e ainda sinto o mesmo. É uma coisa contar quantos livros lemos num ano e outra, diferente, fixar um número de livros para ler e para o qual temos que “trabalhar”, ficando desmotivados e frustrados sempre que ficamos aquém desse número.

Por um lado, têm uma vantagem: motivar as pessoas a ler mais. Por outro, é fácil obcecarmos por atingir aquele número e quando vemos o tempo a escassear e o desafio a ameaçar ficar por cumprir, deitamos a mão a livros que lemos só para ler e “ganhar” (o quê?, não sei).

Já me aconteceu, por isso falo por experiência própria e ganhei o direito de dizer: isto é ridículo!

Se também já caíram neste dispara-te pensem comigo: no final de tudo, que vantagem é que nos traz ler x livros, mas que nem gostámos assim tanto de ler e cuja leitura acelerámos só para chegar ao final do desafio?
Arrisco a dizer que nada.

E clubes de leitura?

Sempre me atraiu a ideia de participar num clube de leitura em que as pessoas se encontravam fisicamente para discutir o livro, mas até agora ainda não o tinha feito. O mais perto que cheguei foi o Páginas Salteadas, um dos meus projectos do coração e no qual vou continuar a participar.

Entretanto, vou também entrar no novo clube literário criado pela Joana Clara, o Um Livro Debaixo da Asa. Este é um clube que me interessa bastante, pois permite-nos escolher o livro que quisermos ler dentro do tema do mês. Ou seja, dá-nos mais liberdade do que um clube de leitura tradicional.

A vaidade da leitura

Ter orgulho naquilo que lemos é óptimo e ler nos tempos livres devia sempre fazer-nos sentir bem. Porém, tenho visto coisas meio parvas no Instagram, como por exemplo alguém que vi a lamentar-se por só ter conseguido ler 30 e tal livros, ao invés dos 50 que tinha projectado para 2018. Really? Ler não é uma corrida, não é uma competição ou, pelo menos, não deveria ser. Antes do Instagram e das redes sociais, nunca tinha visto tal coisa.

Não é normal sentirmos necessidade de mostrar aos outros quanto lemos. Não ganhamos absolutamente nada por isso. Elogios? As pessoas que os dão não vão para a cama, à noite, a pensar no quão maravilhosos somos por lermos tantos livros. Por favor…

Se entrarem num desafio este ano, que seja este:

Ler aquilo que quiserem no tempo que for preciso.

Mas… como ler mais livros com o pouco tempo que temos?

Se querem mesmo saber como ler mais, tenho duas dicas.

Dica #1: cria o teu tempo

Da mesma forma como criamos tempo para ir ao ginásio, o mesmo se aplica à leitura ou a outras actividades importantes para nós. Compromete-se a ler um mínimo de páginas por dia ou ler sem interrupções durante 30 minutos ou outra duração que melhor se aplique à tua vida.

Dica #2: lê livros que te atraiam

Não vás por modas, por capas bonitas e pelo que vês no Instagram. Experimenta livros fora da tua zona de conforto, sim, mas só se quiseres e só aqueles que quiseres. É tão mais fácil ler quando o conteúdo já nos atrai mesmo antes de abrirmos o livro e de lermos a primeira página!

Sabem como é quando compram um livro novo e mal podem esperar por um momento só vosso para o começar a ler?

É isso que desejo para vocês para este ano. Mais paixão, mais leituras desejadas, mais prazer na leitura. Divirtam-se a ler e vão ver que conseguem ler mais e livros melhores. 🙂

Como prometi no ano passado:

NUM MUNDO TÃO ACELERADO COMPROMETO-ME A MANTER A LEITURA LENTA, SIMPLES E DESCOMPLICADA.

3 Comments

  1. BeatrizCM says:

    Compreendo o que queres dizer, mas tenho uma opinião muito diferente! 😀

    Eu estabeleço (vários) objectivos de leitura, mas não pelos motivos que enumeraste. Para mim, ter referências é importante, porque considero que ler deve ser uma actividade construtiva, tanto quanto é prazerosa. Tal como alguém faz exercício físico e vai estabelecendo metas, também eu gosto de as ter na leitura. No entanto, não uso essas metas para me reprimir, mas sim porque acredito que farão de mim uma melhor pessoa, tal como viajar, comer melhor, ter um estilo de vida mais activo. Se não as cumprir, hei-de ficar de certa forma desiludida, porque talvez acredite que poderia ter feito melhor, mas não as usarei de forma negativa.

    Boas leituras! 😉

  2. Marta Chan says:

    Temos perspectivas diferentes, o desafio anual do goodreads ajudou-me imenso a ler mais e de uma forma natural sem pressões. Para mim funciona porque o número que escolho é um género de conta mental, em que penso consigo ler 20 livros num ano tranquilo mas quero ir mais além então vou meter 30. Ao longo do ano vais vendo como estás a sair-te e este ano tive alturas que tinha 6 livros em atraso! Então sabia que não andava a ler, simplesmente. Provavelmente estaria a passar mais tempo nas redes sociais, ou seja, estaria a desviar o meu tempo para algo que não é tão interessante na minha vida.
    Há dois anos que participo no desafio e há dois anos que o concluo. Sinto que estou a ler mais e melhor e não vejo nada disto como um dever. Aliás, devo ter desistido de pelo menos 6 livros em 2018 em que já ía a meio. Não há tempo para gastar em livros que não nos transmitem nada. E se chegar ao final do ano e faltarem 5 livros paciência. Se calhar passei mais tempo a passear ou a ver documentários e está tudo bem 🙂 Só não quero é perder tempo com banalidades e hobbies que não me acrescentam absolutamente nada.

    Quanto aos clubes literários fico imensamente feliz que hajam iniciativas deste tipo mas cada vez há mais e mais e pergunto-me se o objectivo de unir pessoas para ler mais e melhor não vá dispersar.

  3. Carolayne Ramos says:

    Siiim!! Confesso: eu uso o goodreads e todos os anos, podemos estabelecer metas de leitura. Ao início, eu estabelecia 40, 50 livros, mas depois de tanto “falhar” nesse aspeto, comecei a estabelecer metas mais reais, como por exemplo 12 ou 24 – um ou dois livros por mês é um número possível! -. Penso que fazer isto traz alguma motivação, principalmente se o nosso objetivo for provarmos a nós mesmos de que somos capazes de dedicar tempo à leitura! Sendo uma atividade que nos traz muito mais do que simplesmente estarmos presentes no momento, é uma pena que muitos transformem isto numa competição!

    Beijinhos,
    LYNE, IMPERIUM BLOG

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