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Nova série de gajas com- finalmente- uma grande dose de realidade

Acho que está na hora de assumir que nunca me identifiquei com o Sexo e a Cidade nem com nenhuma das personagens. Sei que não sou uma Carrie- embora testes do Facebook discordem-, nem uma Samantha. Definitivamente não uma Charlotte nem numa Miranda. Não precisei de sei-lá-quantas temporadas e dois filmes para conquistar de vez o meu Mr. Big e não me perco em teorias e dilemas acerca das minhas relações; não sou púdica ao nível da Charlotte, não tão..hmm…”aberta” como a Samantha nem tão rígida como a Miranda.

Não sou glamorosa por aí fora e um par de Manolos não me fazem suspirar. Lamento, mas não fazem. Sinto-me deslocada no meio de um grupo de mulheres assim e durante algum tempo bem fingi ser igual a toda a gente, mas acho que já chega. Quero lá saber quem é que fez os meus sapatos. Desde que sejam giros, baratos e confortáveis…

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“To be in a couple, do you have to put your single self on a shelf?”
– Carrie Bradshaw, Sex and the City

Estas e muitas outras conclusões formaram-se depois de ter começado a pensar e a viver certas dificuldades próprias da vida adulta, mas disso falarei mais tarde.

A verdade é que as mulheres de hoje em dia, pelo menos as que conheço neste país, por mais que digam que são uma Carrie ou uma Charlotte, não são. Não são porque não têm dinheiro nem conhecidos gays suficientes que as ajudem a entrar em todos os clubes exclusivos em que desejam entrar, nem se podem dar ao luxo de ter no seu armário dezenas e dezenas de stilettos de designers famosos.

Com muita pena minha, e apesar de adorar Gossip Girl, também não me revejo completamente na Blair nem na Serena. Identifico-me com a Blair apenas no que diz respeito à personalidade, mas sei que se tiver algum azar no amor, não vou poder chamar um jato privado e ir para Paris curar o meu desgosto com compras na Dior ou na Chanel e com os macarrons mais bonitinhos e caros que encontrar. Não é realista e, por mais que saibamos que se trata de ficção, é-nos difícil abstrairmo-nos deste triste facto. E quando, por algum milagre qualquer, o conseguimos fazer e seguimos com a nossa vidinha perfeitamente convencidas que somos a Blair Waldorf e que temos uma casa nos Hamptons, a realidade bate-nos em cheio na cara.

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“I wanted a Harry Winston choker for my birthday. Instead I got a conscience.”
– Blair Waldorf, Gossip Girl

As mulheres/jovens mulheres “reais” precisam urgentemente de uma série onde se revejam, não só para não se esquecerem de que não estão sozinhas nas suas lutas diárias, mas também porque têm aí uma oportunidade de verem resolvidos alguns desses obstáculos. Pelo menos poderão daí formular as suas próprias ideias de como os resolver. Penso que tenha sido por isso que a HBO produziu a série Girls.

Esta nova série é uma espécie de Sex and the City (também é em Nova Iorque e tem quatro mulheres como personagens principais) para pobres. Ok, se calhar pobres também é uma designação forte, mas desenganem-se se pensam que vão ver o glamour das outras séries aqui mencionadas. ‘Girls’ é sobre um grupo de raparigas na casa dos 20- uma faixa etária também pouco explorada nas séries, pois normalmente ou são teenagers ou mulheres mais maduras-, a viver o mesmo que muitas de nós: a saída de casa dos pais; a conquista da independência financeira, o fim da faculdade, os estágios não-remunerados, etc.

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“You know what the weirdest part about having a job is? You have to be there everyday, even on the days you don’t feel like it.”
– Jessa, Girls

Acho que esta agora é muito mais a minha onda, principalmente nos tempos que se avizinham: o início de uma nova fase.

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