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O Fantasma de 2017 ou quando nos comparamos a nós mesmos na nossa época dourada

Por vezes, dou por mim a falar de 2017 como se tivesse sido há uma década. Chego até a falar dos meus feitos desse ano como se pertencessem a outra pessoa qualquer. 2017 foi dos melhores anos da minha vida (até ao final do ano, quando descobrimos que a Zelda estava doente); nunca na minha vida tinha conseguido cumprir tanta coisa num só ano. Parecia a lista de resoluções de ano novo dos sonhos de qualquer pessoa, com check em quase tudo:

  • comprar uma bicicleta e começar a utilizá-la em Lisboa
  • escrever mais no blog
  • perder 10 kg
  • fazer dinheiro com hobbies
  • escrever um livro
  • fazer uma viagem incrível

Então… se 2017 foi um ano (no geral) assim tão bom, porque é que a memória dele me atormenta tanto?

Apresentação do “Licenciei-me… e agora?” na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Julho 2017

Nunca comentei isto com ninguém, na verdade; por “isto” entenda-se O Fantasma de 2017.

É normal, embora algo doloroso, compararmo-nos a outras pessoas que admiramos e criticarmo-nos por não estarmos no mesmo patamar e a ter tanto sucesso quanto elas, mas… e quando nos comparamos a nós próprios noutra altura da vida? É esse o núcleo do meu Fantasma de 2017. Nesse ano, fui alguém que não tinha sido até então. Perdi medos, escrevi um livro, dei a cara por ele, fiz bastante dinheiro com trabalhos que fazia por fora sem sequer tentar obtê-los, etc. Não sei bem como tudo isto acontecer, mas foi brilhante.

Agora, “como viver os anos seguintes tentando chegar aos calcanhares de quem fomos no nosso melhor ano?” É um pensamento que me assalta várias vezes. É como se, em 2017, tivesse sido possuída por um espírito genial que me guiava através de todas as provas que me assustavam e, agora, me tivesse abandonado por achar que já cumpriu a sua missão.

TVI, Julho 2017

Por vezes dou por mim a pensar: grande ‘bullshit’, espírito da treta. Podes voltar, sff?

Mas em dias como este, inesperadamente iluminado, penso que – a existir um espírito genial – não devia voltar. O desafio é tentar encontrar um padrão desse ano e reproduzi-lo neste ou noutros vindouros. O que era, afinal, que me fazia não ter receio de me expor? Para terem uma ideia, este ano pouco escrevi aqui no blog. Deve-se também, claro, à escassez de tempo e ao cansaço; afinal, tenho um emprego diferente daquele que tinha em 2017. Mas, por outro lado, também desenvolvi uma espécie de fobia em escrever coisas um bocadinho mais pessoais por aqui, algo que nunca senti antes.

Nesta sequência, consigo identificar outro problema: este ano comecei a pensar demasiado naquilo que poderia ser, ou não, interessante para quem segue este blog, guardando certo tipo de conteúdos para o Instagram e outros para o blog. Isto fez com que deixasse de escrever coisas mais “leves” por achar que não tinham grande interesse, algo que nunca fiz antes. Isto tem que acabar e, por mim, é já.

Algumas resoluções para os próximos 6 meses de 2019

Sei que o ano já vai a meio, mas aqui ficam algumas resoluções para os próximos 6 meses:

  • Comparar-me menos com outras pessoas;
  • Não deixar, no entanto, de me comparar ao meu “eu” de 2017, porque essa meta não é inatingível e continuo a ser a mesma pessoa; se conseguia fazer trinta por uma linha nessa altura, agora também não há motivo nenhum para não conseguir; os limites são auto-impostos;
  • Não me preocupar tanto com o que os outros pensam; continuar a escrever o que me dá prazer, sejam posts “úteis” ou coisas, como esta, mais vindas do coração.

Acima de tudo, continuar a missão de autenticidade que sempre tive aqui neste cantinho. 🙂

Se não me seguiam em 2017, aqui ficam alguns posts da minha “Belle Epoque” (inserir ironia):

7 livros que me inspiraram a escrever o meu primeiro livro

O título e a capa do meu livro são…

‘Side-jobs’: benefícios e cinco que tive este ano

‘Here’s to the ones who dream’ | Apresentação do livro (fotos e vídeos)

O melhor do meu 2017

One Comment

  • Ines | Wit Konijn

    Faz meses que não venho ao teu blog, maioritáriamente por falta de tempo e cabeça (ser interrompida a cada segundo para tratar de crianças e bebés tem que se lhe diga) mas começar por ler este post soube-me bem, especialmente nesta altura da vida em que também passo pelo mesmo.
    Um grande beijinho e continua a fazer (e a escrever) o que mais gostas!

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