Descobri o meu novo paraíso em Lisboa no Parque do Monteiro-Mor

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Afinal Lisboa ainda me consegue surpreender. Estou perfeitamente consciente de que não conheço muita coisa na cidade, mas nunca pensei que o que eu não conheço fosse capaz de me surpreender tanto. Deixem-me contar-vos o que fiz ontem, por exemplo.
Ontem – domingo – tirei a tarde só para mim, para explorar lugares ainda desconhecidos (para mim) e tão perto de casa. Era uma vergonha morar no Lumiar e nunca ter ido ao Museu do Traje e ao Museu do Teatro, não acham? Ainda por cima ontem foi o primeiro domingo do mês aka. o domingo dos museus grátis, por isso não tinha desculpa nenhuma.

Saí de casa e fui a pé até ao Museu do Traje. Tinha visto na net que, para além da exposição, ainda dava para visitar o Parque Botânico do Monteiro-Mor, por isso nem pensei duas vezes.

Pelo caminho ainda me passou pela cabeça passar à frente a visita ao museu (porque achava que ia ser aborrecido) e passar directamente para o passeio pelo parque. No entanto, assim que cheguei, mudei de ideias. Já que lá estava, ia conhecer também o museu.
E ainda bem que o fiz. É mesmo verdade aquilo que as pessoas dizem sobre quando não temos grandes expectativas, o resultado é ainda melhor.
Mas não vou entrar em detalhes sobre o Museu do Traje, porque acho mesmo que ele merece um post só sobre ele. E acreditem que vão gostar. Confiem em mim. 😉

Assim que a minha visita ao museu terminou, dirigi-me logo ao Parque Botânico do Monteiro-Mor, que me parecia ser lindo pelo que vi online, mas que nem imaginava como é que poderia existir algo assim ali, naquele local, ainda por cima aparentemente tão grande. Afinal, passo imensas vezes em frente ao Museu do Traje e ao Museu do Teatro a caminho do trabalho e nunca tinha visto nenhuma evidência da existência de tanta vegetação por aqueles lados.

Mas que existe, é um facto. E não podia ter ficado mais deslumbrada. Eu sei, sou dolorosamente previsível. Mostrem uma floresta/parque/bosque a esta rapariga e ela fica feliz da vida. Especialmente se for enorme como este parque. Porquê? Porque me faz esquecer sem qualquer dificuldade que me encontro dentro de uma cidade.

Ontem então, um dia bastante frio em que parecia existir por lá um micro-clima com direito a orvalho e neblina, ainda se torna mais especial estar neste espaço. Com a banda sonora certa faz-me acreditar que estou noutro lugar, noutro tempo. E sim, recorri a várias músicas da banda sonora do The Hobbit e do Lord of the Rings. Sue me.

Se ainda não fizeram uma visita ao Parque Botânico do Monteiro-Mor, por favor não deixem de a fazer. Vai ser impossível não se surpreenderem pela sua grandeza e pela diversidade de ambientes: mata, hortas, prados, etc.
Consta que o jardim sofreu alguma destruição em 1941, após um ciclone que assolou parte da Europa Ocidental, mas parece-me ter sido perfeitamente recuperado, embora isto não passe de uma assumpção minha, visto não conhecer este espaço antes de 1941. 😛

Volto a lembrar que, se aproveitarem o primeiro domingo de qualquer mês, a entrada nos museus (nem todos, mas procurem a lista dos museus grátis ao domingo na internet) e no parque são grátis, mas mesmo que decidam ir noutro dia, vale a pena pagar os 3€ que pedem à entrada.
O Parque Botânico do Monteiro-Mor tem ligação tanto ao Museu do Traje como ao Museu do Teatro. Ou seja, podem – por exemplo – começar a vossa visita pelo Museu do Traje, visitar o jardim e subir até ao Museu do Teatro, terminando aí a visita.
Ainda não foi desta que fui ao Museu do Teatro, mas ficará para uma próxima vez, na qual aproveitarem também para voltar a este espaço encantado.

E se não acreditam em mim e/ou acham que estou a exagerar a beleza deste refúgio, vão pela palavra do Almeida Garrett, que escreveu sobre este parque no poema “No Lumiar” que faz parte da colectânea Folhas Caídas.

Deixo-vos com um bocadinho do poema.

Ali no seu Lumiar, entre as sinceras
Belezas desse parque, entre essas flores,
A qual mais bela e de mais longe vinda
Esmaltar de mil cores
Bosque, jardim, e as relvas tão mimosas,
Tão suaves ao pé — muito há cansado
De pisar alcatifas ambiciosas,
De tropeçar no perigoso estrado
Das vaidades da Terra.

12 Comments

  1. Sandra says:

    Lisboa é uma caixinha de surpresas! Tenho tantas saudades de quando aí morava. Obrigada pela partilha deste pequeno tesouro 🙂

  2. Inês Silva says:

    Ando à procura de coisas pra fazer neste fim-de-semana aí na capital e esta parece-me um plano fantástico 😀

  3. Cláudia Ganhão says:

    Também adoro este jardim, é maravilhoso!

  4. Ana S. says:

    Não conhecia o jardim, mas fiquei cheia de curiosidade! Já vai ficar na lista 🙂

  5. Marta Chan says:

    Sempre foste, que bom! Acabei por só ver um pouco do post e retomarei quando já tiver visitado, gosto do factor surpresa 🙂

  6. Helena Pereira says:

    Morei 3 anos no Lumiar e não fazia ideia da existência deste lugar! Agora quero voltar a Lisboa para o visitar!

    Lena’s Petals xx

  7. Danny says:

    que espaço tão lindo! adoro jardins e bosques no outono e com neblina, dá um ar mesmo encantado 🙂

  8. Fabia says:

    Que lindo!! Um espaço a visitar, sem dúvida!

    1. joan of july says:

      É absolutamente imperdível, acredita.

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