Anne with an E, a magia da infância e uma série que toda a gente devia ver

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Já se passaram duas semanas desde que terminei de ver a série ‘Anne with an E’. A série está disponível no Netflix e é baseada na obra Anne of Green Gables, da escritora canadiana Lucy Maud Montgomery (L.M. Montgomery), publicado em 1908. Este post, mais que uma review, é a explicação do porquê de terem que lhe dar uma oportunidade.

Quando comecei a ver a série ninguém me tinha (ainda) falado sobre ela. Foi um daqueles casos em que a imagem me chamou a atenção enquanto fazia scroll pelo Netflix. “Anna com A”, em português, figurava uma rapariguinha de tranças ruivas e foi mesmo a fotografia que me fez clicar, pois parecia tratar-se de uma história passada noutros tempos e com ligação à natureza (tenho uma espécie de sexto sentido para descobrir estas séries). Não me enganei.

A série – como os livros – retrata uma menina órfã de 11 anos (no início da série) que é enviada por engano para Green Gables (Avonlea, Prince Edward Island, Canada) onde os irmãos Matthew e Marilla Cuthbert esperavam acolher um rapaz para os ajudar com os trabalhos da quinta. Matthew, o irmão mais novo e tímido, apercebe-se instantaneamente de que Anne não é uma criança como as outras, que é incrivelmente faladora, extrovertida e imaginativa, algo que contrasta com a sua própria personalidade, mas que o encanta. Já a irmã, Marilla, mais severa e austera, não se deixa convencer facilmente por Anne e insiste fortemente em que esta deve voltar para o orfanato.

Mas bem, o título do livro que deu origem às primeiras temporadas da série é “Anne of Green Gables”, pelo que não vos estou a dar nenhum spoiler se vos disser que, após inúmeras peripécias, Anne fica efectivamente a morar em Green Gables com os irmãos Cuthbert.

A exploração dos preconceitos da época

A autora dos livros que figuram Anne Shirley (depois Anne Shirley-Cuthbert) explora várias vezes os preconceitos típicos da altura em que estes foram escritos através de Anne. A sonhadora e criativa menina é várias vezes insultada e ridicularizada pela cor do cabelo ruivo (impensável nos dias de hoje em que é tão apreciado!), pelas suas abundantes sardas e pelo facto de ser órfã, sem qualquer dó nem piedade. Para além disso, somos presentados com flashbacks de Anne a sofrer abusos no orfanato onde viveu antes de ir morar com os Curthbert. É frequente ver Anne a mudar de estado de espírito rapidamente, de alegre e super entusiasmada (o seu estado natural) para alguém cujo coração foi partido sem estar minimamente à espera e a correr para a floresta para se refugiar entre os animais e a natureza.

Na adaptação para série televisiva feita pelo canal CBC, podemos também contar com a abordagem a outros problemas, alguns deles bem mais contemporâneos e próximos de nós, tais como a homofobia, a questão da imagem corporal e auto-estima, crueldade animal, racismo e até feminismo.

Uma experiência sensorial e imagens de sonho

Se o conteúdo é rei, a imagem não lhe fica muito atrás. A fotografia em Anne with an E é, para mim, um sonho e transporta-me para os meus cenários favoritos que envolvem sempre florestas lindíssimas, cores de Outono e animais fascinantes como veados e raposas.
A vila onde se passa a maioria da história – Avonlea – é lindíssima em todas as estações, que tão claramente vemos a passar ao longo das duas primeiras temporadas da série (as únicas até agora).

Para ver em família, sozinhos, com namorado/a, gato, cão…

Por tudo aquilo que vos descrevi, Anne with an E é uma série incrivelmente enriquecedora e educativa. Por vezes aperta-nos o coração, por outras aquece-o como uma lareira numa noite de Inverno. É maravilhosa de ver e uma excelente experiência, quer seja para vermos sozinhos, com o namorado/a ao fim do dia ou com crianças, pais, etc. Acredito mesmo que esta é uma série para todas as idades e que todos nós temos muito a aprender com as lições de Anne with an E, independentemente da nossa idade (a série também tem adultos que aprendem a ser mais tolerantes).

 

Deixo-vos o trailer da primeira temporada abaixo:

Já conheciam “Anne with an E”? Gostam tanto desta série quanto eu? 🙂

Já agora, o livro “Anne of Green Gables” dava um excelente livro para o Páginas Salteadas, não acham? Até já sei o que faria como receita!

P.S.- A terceira temporada já foi confirmada!

6 Comments

  1. Analog girl says:

    Ainda não consegui ver a segunda temporada toda, mas andei o ultimo ano doida para que saísse (infelizmente há um bebé, pouca disponibilidade, pouca vontade do companheiro, preguiça, you name it). Em criança a “Ana dos cabelos ruivos ” (a série em anime, com um dedinho – pequenino- de Miyazaki) era provavelmente o meu desenho animado preferido e fazia-me sonhar, quando soube que a Netflix tinha feito a sua versão tive de a devorar (aproveitei o final da gravidez, enquanto já estava em casa! :))
    Há uns anos li o livro (só o primeiro, tanto quanto sei existem 8 ou 9 (?)) e chorei baba e ranho – nunca me acontece isto.
    É uma história maravilhosa e há de facto qualquer coisa que me toca no íntimo, a mim e a toda a gente que se maravilhou com o desenho animado, o livro, e agora esta´série. Alias, esta versão está extraordinária. A pequena actriz principal é um portento (confesso que antes de ver andava receosa que não fosse fiel à personagem, mas é ainda melhor) e todo o look & feel está absolutamente cativante.
    E agora que sei que vamos continuar a ter temporadas, estou histérica, claro!
    Que venha a receita!

  2. Gaby says:

    Essa série é muito maravilhosa! Eu sou completamente apaixonada por ela <3

  3. Catarina says:

    Fico tão feliz por se andar a falar mais desta série 🙂
    Eu comecei-a a ver na Netflix o ano passado com a minha mãe, já que ambas adoramos o livro da Anne dos cabelos ruivos. Este ano, queríamos começar a ver a segunda temporada mas estava a minha priminha de 12 anos a passar aquela semana connosco. Explicámos mais ou menos a história e ela juntou-se a nós. Fiquei tão feliz por ela delirar ainda mais que nós com a série! É como dizes, dá para toda a família e tem imensas boas lições e exemplos de tolerância a tirar. Gostei imenso da abordagem à homofobia, racismo e feminismo que fizeram nesta temporada.
    Beijinhos!

  4. Carolayne Ramos says:

    Desconhecia, mas parece-me super interessante!! A ver se lhe dou uma oportunidade, visto que ando em busca de séries novas para ocupar o tempo! 😀
    Beijinhos,

    LYNE, IMPERIUM

  5. Rita Martins says:

    Olá.
    Adorei a 1ª temporada e aguardo ansiosa pela 2ª .
    Leva-me para memórias de infância, pois quando era pequena vi na televisão os desenhos animados da Ana dos cabelos ruivos (que eu adorava) e adaptarem para uma série é maravilhoso.
    Um beijinho,
    Rita Martins

  6. Ester says:

    Das minhas séries preferidas dos últimos tempos, quero tanto que saia logo a terceira temporada!

    http://www.visiteatsleep.com/

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