Os benefícios de escrever à mão (já agora, quando é que deixámos de escrever à mão?)

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Ultimamente, não tenho escrito aqui no blog com a frequência com que gostaria, é um facto. Por outro lado, tenho voltado a escrever mais sem motivo nenhum. E isto é digno de se celebrar. Vou explicar o que é isto de se escrever sem motivo nenhum e porque é que deixamos de o fazer à medida que o tempo passa.

Recentemente comecei a sentir uma vontade muito forte de escrever à mão. Não o fazia há demasiado tempo, sem ser para anotar apontamentos do dia-a-dia e listas, o que é uma pena. Quando é que deixei de escrever à mão, exactamente? Já repararam que, quando deixamos de escrever à mão durante muito tempo, quase esquecemos como é o traço da nossa caligrafia? É praticamente como nos esquecermos dos traços do rosto de alguém que não vemos há muito tempo.

Os meus diários de infância/adolescência

E assim comprei um caderno de propósito para apontar todos os laivos de inspiração que me venham à cabeça. Não podia ser um caderno qualquer, não. Passei quase uma hora a olhar para vários cadernos, a folhear os de exposição, a sentir o seu peso na mão, a firmeza da capa, a inspeccionar o interior e a decidir se queria liso ou com pontos (dotted). Sabia, pelo menos, que queria um caderno do mais sóbrio possível, sem bonecos nem cores chamativas. O interior deverá ser onde moram todas as cores e histórias e personagens. A capa não deve revelar nada.

Os benefícios de escrever à mão

Se procurarem na internet vão descobrir vários artigos que comprovam que existem inúmeros benefícios associados à escrita à mão. Não foi por isso que recomecei esta prática nem fui ler antes, mas é bom ler agora e confirmar aquilo que me faz sentir, fora as restantes vantagens. Entre alguns desses benefícios, escrever à mão:

  1. Aumenta o foco e estimula o cérebro;
  2. Acalma os nervos e ajuda a relaxar
  3. Ajuda a reter a memória e a retardar o envelhecimento do cérebro;
  4. Estimula e liberta a Criatividade.

Como a escrita põe em prática várias partes do cérebro para além da que controla a parte física da escrita, também estimula mais criatividade.

Há também aspectos subtis de escrever à mão que são mais artísticos do que escrever em si, pois a caligrafia de cada pessoa é completamente sua. À medida que vamos escrevendo e vendo a nossa própria caligrafia, também nos sentimos mais conectados com aquilo que estamos a escrever, pois desenvolvemos a nossa própria identidade de escrita.

Para além disso, escrever à mão é (eu, pelo menos, considero-o) um momento de Mindfulness, em que estamos focados no aqui e agora e, ainda que possamos estar a escrever sobre o passado, muito desta actividade centra-se no tempo presente; em nós, no nosso espaço, na caneta e na folha em branco que vai sendo preenchida.

E isso é quase mágico e nós quase que perdemos o efeito dessa magia.

Escrever à mão é recuperarmos uma parte de nós, de tempos em que a velocidade da vida não nos fazia pôr de parte aquilo que mais gostamos de fazer

Escrever à mão é também propício a deixarmos tudo lá fora. O caos do mundo, as distrações, as redes sociais, por vezes, até mesmo a música.

Arrisco a afirmar que criámos aversão aos momentos que passamos sozinhos com os nossos pensamentos, de tão perigoso que é encará-los e sentirmos algo que não é suscitado por agentes externos. Temos medo do que sentiremos se formos deixados a sós connosco mesmos e com os nossos sentimentos, em especial com as nossas tristezas e frustrações, porque agora não estamos preparados para encará-los, nem temos estado nos últimos anos. Um dia, sim, um dia, vamos tirar uma manhã ou uma tarde para nos ouvirmos. Se calhar até faremos um retiro. Um dia.

Mas esse dia nunca chega e nunca se dá o momento oportuno. Na minha opinião, fazer um retiro é incrível e algo que eu também gostaria de fazer, mas aqui a palavra-chave é “gostaria”. Não devemos chegar ao ponto de precisar e, para nós que gostamos mesmo de escrever, devemos tentar pôr a escrita em prática com mais frequência.

Journaling?

Hoje em dia fala-se muito em Journaling, referindo-se ao conceito de escrever diariamente. Eu não uso esse conceito, porque não acho que preciso de uma etiqueta para aquilo que faço, até porque a prática nem precisa de ser diária. Tem é que ser frequente. 🙂

O melhor de tudo, independentemente do nome que se lhe dá, é tirar das profundezas da nossa mente as histórias e as personagens que já lá viviam há anos e outras que vão surgindo. Antes que caiam no esquecimento.

Já agora, se gostavam de voltar a escrever à mão/iniciarem-se no Journaling, deixo-vos este vídeo! Gosto muito deste canal, já agora:

E vocês? Gostam de escrever à mão ou gostariam de voltar a fazê-lo de forma descomprometida, sem outras distrações?

3 Comments

  1. Claudia Oliveira says:

    Eu gosto de escrever à mão e gosto tanto que escrevo sempre TUDO primeiro à mão. Há quem me goze mas eu já disse isto várias vezes, inclusive no trabalho, à frente de um ecrã o meu cérebro não funciona…tenho que ter um papel e uma caneta à frente e só quando escrevo à mão é que sinto sinceramente que estou a escrever algo que sai do coração e/ou minimamente inteligente! Tirar notas no telemóvel não é para mim e até a lista de compras do supermercado eu escrevo à mão e vou riscando o que vou pondo no carrinho de compras 😉 Também demoro imenso tempo a escolher o caderno\bloco de notas (afinal vai ser o meu companheiro durante um bom período de tempo), o que tenho agora comprei na Ale-Hop e adoro-o. Um beijinho e obrigada pelo teu texto, a partir de agora vou mostrá-lo a todos os que me disserem que não acompanho a evolução ahaha 😉

  2. Andreia Moita says:

    Eu amo escrever à mão. E faço-o muito. Há muitos posts que escrevo à mão antes de os colocar no computador. A minha forma de pensar e articular um texto muda (para melhor) quando escrevo à mão. Não sei muito bem explicar isto, mas tenho uma sensação diferente no processo de escrita!

  3. Ines says:

    Sem dúvida que os bullet journals vieram devolver um pouco do que faltava no que toca a escrita à mão. Pessoalmente tenho-me ficado mais pelas listas de compras, postais e cartas e ainda alguns rabiscos no caderno de desenhos. Nunca gostei da minha caligrafia e acho que isso tem um grande impacto no que toca a querer escrever mais à mão. Para não falar que agora depois de uns parágrafos o meu pulso já só pede reforma haha

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