Páginas Salteadas | recipes

Páginas Salteadas: tempo de recordar Madrid em Marrocos

03/09/2018

Estão preparados para mais uma receita deliciosa do Páginas Salteadas? Eu estou muito entusiasmada com a receita e com o livro deste mês. Descubram quais são e experimentem replicar esta receita com o vosso toque especial!

Foi a Joana quem nos propôs este desafio: ler O Tempo Entre Costuras, um romance da escritora espanhola María Dueñas. Não lhe chamo desafio à toa: o livro é bastante longo, com mais de 600 páginas. Mas deixem-me que vos diga uma coisa: neste livro nunca há tempos mortos! Ele está tão bem escrito que nunca senti que estava a aborrecer-me; não há descrições excessivas nem diálogos forçados; tudo e fluído. O ritmo da narrativa, dos melhores que já tive o prazer de ler.

Uma breve sinopse da história

Sem querer estragar a história com spoilers a quem ainda não leu esta obra e que tem intenção de o fazer, a história centra-se em Sira Quiroga, uma rapariga madrilena que aprendeu a costurar com a mãe e que trabalhava num conhecido ateliê em Madrid como costureira até se instalar a Guerra Civil Espanhola. O livro situa-se, aliás, entre esta guerra e a Segunda Guerra Mundial.

Ainda em Madrid, Sira apaixona-se e ruma a Marrocos, onde a espera uma nova vida, mas não sem um (aparentemente) sem-fim de percalços, obstáculos, enganos, novos amigos, uma nova cultura e personagens fascinantes, como o excêntrico Félix, a desembaraçada Candelaria ou a glamorosa e fascinante Rosalinda Fox.

Pelo meio de trama personagens fictícias e personagens reais (como Juan Luis Beigbeder e Ramon Serrano Suñer) cruzam-se e interagem entre si de forma brilhante.

A receita: Patatas Bravas, um sabor de casa em terras desconhecidas

Apesar de não ter uma história de vida minimamente parecida com a de Sira, sei o que é estar longe da minha cidade e do meu país e sentir saudades da comida e das pessoas em igual medida. Às vezes, o simples acto de sentirmos o paladar de sabores conhecidos e que evocam a nossa pátria, é suficiente para amenizar as saudades. A comida tem esse poder.

Para além de ter lido o livro, estou agora a ver também a série do Netflix sobre o mesmo, e logo no segundo episódio, a Sira diz estar farta de coentros e de canela na comida, referindo-se claramente à comida marroquina.

A pensar nas saudades de comer comida da nossa terra, pensei em algo muito simples para esta receita e que tantas vezes comi em tasquinhas espanholas: batatas bravas.

É um acompanhamento que pode também ser servido como aperitivo ou petisco.

A receita

Ingredientes:

  • 5 batatas
  • 2 tomates
  • 3 dentes de alho
  • 1 cebola grande
  • 2 malaguetas pequenas
  • azeite
  • paprica
  • sal
  • açúcar
  • pimenta do reino (não tinha, usei pimenta cayene e piri-piri)
  • uma folha de louro

Preparação

As batatas:

  1. Corta as batatas na vertical, ficarão duas partes
  2. Corta-as em metade e faz cubos médios
  3. Cozinha as batatas até que não fiquem nem muito duras nem muito moles
  4. Escorre e frita com um pouco de sal (eu fritei numa frigideira grande, em azeite)

O molho:

  1. Pôe numa frigideira o azeite e aquecer; coloca o alho, deixa alourar e coloca de seguida as cebolas bem picadinhas;
  2. Acrescenta a paprica (umas 2 colheres de sobremesa) e a folha de louro;
  3. Depois, adiciona os dois tomates sem pele em pedaços pequenos, o sal (a gosto) e uma pitada de açúcar;
  4. Quando o tomate estiver mole, junta uma pitada de pimenta-do-reino;
  5. Passa a mistura pelo liquidificador e está pronto o molho!

Esta é a receita básica das Batatas Bravas, mas sintam-se à vontade de pôr o vosso cunho pessoal na receita (e em todas as que recriarem)! A vida tem mais piada assim. 🙂

Agora, aguardemos as próximas três segundas-feiras para descobrirmos o que a Andreia, a Vânia e a Joana vão cozinhar a propósito d’O Tempo Entre Costuras!

Joana Clara, Às Cavalitas do Vento
Vânia Duarte, Lolly Taste
Andreia Moita, Andreia Moita Blog

Only registered users can comment.

  1. Não sei se alguma vez te disseram, mas a Skadi e tu têm o mesmo olhar (pelo menos nesta fotografia dela).

    1. Melhor elogio de sempre, Rita! A Margarida Pestana uma vez fez esse comentário noutra foto. Oh, gosto tanto. <3 Obrigada!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *