Páginas Salteadas: tempo de recordar Madrid em Marrocos

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Estão preparados para mais uma receita deliciosa do Páginas Salteadas? Eu estou muito entusiasmada com a receita e com o livro deste mês. Descubram quais são e experimentem replicar esta receita com o vosso toque especial!

Foi a Joana quem nos propôs este desafio: ler O Tempo Entre Costuras, um romance da escritora espanhola María Dueñas. Não lhe chamo desafio à toa: o livro é bastante longo, com mais de 600 páginas. Mas deixem-me que vos diga uma coisa: neste livro nunca há tempos mortos! Ele está tão bem escrito que nunca senti que estava a aborrecer-me; não há descrições excessivas nem diálogos forçados; tudo e fluído. O ritmo da narrativa, dos melhores que já tive o prazer de ler.

Uma breve sinopse da história

Sem querer estragar a história com spoilers a quem ainda não leu esta obra e que tem intenção de o fazer, a história centra-se em Sira Quiroga, uma rapariga madrilena que aprendeu a costurar com a mãe e que trabalhava num conhecido ateliê em Madrid como costureira até se instalar a Guerra Civil Espanhola. O livro situa-se, aliás, entre esta guerra e a Segunda Guerra Mundial.

Ainda em Madrid, Sira apaixona-se e ruma a Marrocos, onde a espera uma nova vida, mas não sem um (aparentemente) sem-fim de percalços, obstáculos, enganos, novos amigos, uma nova cultura e personagens fascinantes, como o excêntrico Félix, a desembaraçada Candelaria ou a glamorosa e fascinante Rosalinda Fox.

Pelo meio de trama personagens fictícias e personagens reais (como Juan Luis Beigbeder e Ramon Serrano Suñer) cruzam-se e interagem entre si de forma brilhante.

A receita: Patatas Bravas, um sabor de casa em terras desconhecidas

Apesar de não ter uma história de vida minimamente parecida com a de Sira, sei o que é estar longe da minha cidade e do meu país e sentir saudades da comida e das pessoas em igual medida. Às vezes, o simples acto de sentirmos o paladar de sabores conhecidos e que evocam a nossa pátria, é suficiente para amenizar as saudades. A comida tem esse poder.

Para além de ter lido o livro, estou agora a ver também a série do Netflix sobre o mesmo, e logo no segundo episódio, a Sira diz estar farta de coentros e de canela na comida, referindo-se claramente à comida marroquina.

A pensar nas saudades de comer comida da nossa terra, pensei em algo muito simples para esta receita e que tantas vezes comi em tasquinhas espanholas: batatas bravas.

É um acompanhamento que pode também ser servido como aperitivo ou petisco.

A receita

Ingredientes:

  • 5 batatas
  • 2 tomates
  • 3 dentes de alho
  • 1 cebola grande
  • 2 malaguetas pequenas
  • azeite
  • paprica
  • sal
  • açúcar
  • pimenta do reino (não tinha, usei pimenta cayene e piri-piri)
  • uma folha de louro

Preparação

As batatas:

  1. Corta as batatas na vertical, ficarão duas partes
  2. Corta-as em metade e faz cubos médios
  3. Cozinha as batatas até que não fiquem nem muito duras nem muito moles
  4. Escorre e frita com um pouco de sal (eu fritei numa frigideira grande, em azeite)

O molho:

  1. Pôe numa frigideira o azeite e aquecer; coloca o alho, deixa alourar e coloca de seguida as cebolas bem picadinhas;
  2. Acrescenta a paprica (umas 2 colheres de sobremesa) e a folha de louro;
  3. Depois, adiciona os dois tomates sem pele em pedaços pequenos, o sal (a gosto) e uma pitada de açúcar;
  4. Quando o tomate estiver mole, junta uma pitada de pimenta-do-reino;
  5. Passa a mistura pelo liquidificador e está pronto o molho!

Esta é a receita básica das Batatas Bravas, mas sintam-se à vontade de pôr o vosso cunho pessoal na receita (e em todas as que recriarem)! A vida tem mais piada assim. 🙂

Agora, aguardemos as próximas três segundas-feiras para descobrirmos o que a Andreia, a Vânia e a Joana vão cozinhar a propósito d’O Tempo Entre Costuras!

Joana Clara, Às Cavalitas do Vento
Vânia Duarte, Lolly Taste
Andreia Moita, Andreia Moita Blog

2 Comments

  1. Rita da Nova says:

    Não sei se alguma vez te disseram, mas a Skadi e tu têm o mesmo olhar (pelo menos nesta fotografia dela).

    1. Catarina Alves de Sousa says:

      Melhor elogio de sempre, Rita! A Margarida Pestana uma vez fez esse comentário noutra foto. Oh, gosto tanto. <3 Obrigada!

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