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Parti o tornozelo: e agora? – dia do acidente, pré-cirurgia e estado de espírito

Apesar de vos ter falado um pouco sobre o meu acidente neste post, achei que não iria querer mais escrever sobre este tema no blog. Achei que não seria interessante para mais ninguém e sendo uma fase menos boa para mim (e estou a ser simpática), pensei em evitar de todo a temática por aqui, uma vez que já me ocupa demasiado tempo nos dias que correm.

No entanto, desde que comecei a pesquisar na internet sobre o mesmo tipo de fractura, cirurgia e por histórias de pessoas que passaram pelo mesmo, apercebi-me de que não há nada (ou praticamente nada) escrito ou em vídeo sobre este assunto em Portugal. E – caramba – a mim faz-me falta. Enquanto estou assim, quero saber pelo que outras pessoas passaram, qual foi o tempo de recuperação delas, que médicos e fisioterapeutas recomendam, etc. 

Porque por mais vídeos e blogs estrangeiros que veja ou leia, as coisas em Portugal podem ser bem diferentes. Aqui podem utilizar-se outras técnicas e podem não se utilizar certas ferramentas, por exemplo. O melhor é ter como conhecer a realidade daquilo que se faz no nosso país.

Então, parece que isto vai mesmo acontecer. Vou fazer uma série de updates do tornozelo e da recuperação. Espero que, um dia, venha a ajudar alguém.

O dia do acidente – 11/10/2019

O meu acidente aconteceu durante um evento de teambuilding da empresa para a qual trabalho, durante um jogo de paintball. Nem cheguei a ser “baleada”. Ao tentar avançar por detrás de umas árvores, escorreguei em terra solta (num declive) e, enquanto escorregava, bati com força com o pé numa árvore. Nem caí em cima do tornozelo magoado, caí para o outro lado. Senti uma dor horrível, daquelas que nos dá vontade de vomitar de tão forte que é. Mas não vomitei nem sequer gritei. Quanto maior é a dor, menos barulho faço, já me apercebi. Neste caso, nem fiz um som.

Já tinha torcido o tornozelo muitos anos antes e achei mesmo que seria outra entorse. Então, olhei para o pé… Estava numa posição…hmmm.. diferente. Estava meio para o lado, o que me fez logo imensa impressão porque problemas com ossos e fraturas sempre que horrorizaram. Esperava nunca ter de passar por isso, mas aqui estamos nós.

E, assim, fui para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, perto do parque aventura onde estava a acontecer o teambuilding.

O meu pé e tornozelo incharam imediatamente após o acidente.

O diagnóstico

Não vou suavizar a coisa, ok? Foi tudo muito pior do que aquilo que eu tinha imaginado.

  1. Afinal não era entorse nenhuma, tinha ossos partidos;
  2. Afinal não seria só preciso usar gesso ou uma tala para endireitar, não… para além disso seria preciso uma cirurgia e parafusos!
  3. A cereja no topo do bolo: teria que me injectar diariamente com anticoagulantes até ao dia da cirurgia. 

Eu nem tenho medo de agulhas, mas jeito… não tenho. 

Foi-me diagnosticada uma fractura bimaleolar do tornozelo, fechada. O que quer que isto signifique.

O início do acompanhamento e pré-cirurgia – 14/10/2019 a 21/10/2019

Como o Hospital Beatriz Ângelo fica fora da minha área de residência, investiguei que hospitais estavam dentro dos parceiros de saúde do seguro e, assim, marquei a primeira consulta de ortopedia na CUF Descobertas, mas não sem antes pesquisar pelos ortopedistas que tinham disponíveis. 

Procurar um médico é, para mim, um processo que inclui ver referências e o próprio CV. Foi então que decidi marcar consulta com o Dr. Paulo Felicíssimo, especialista em pé e tornozelo com uma experiência impressionante.

Na primeira consulta (14/10/2019), o diagnóstico verificou-se com novo RX e TAC. Isto foi numa segunda-feira e o Dr. Paulo queria marcar a cirurgia para essa mesma quarta-feira, mas, ao retirarem a ligadura e a tala para fazer nova, viu que a minha pele não estava em condições para operar. Começavam a formar-se umas bolinhas na pele, o que poderia agravar o risco de infecção caso se operasse por cima da pele naquele estado.

Marcámos então um electrocardiograma (ECG) e análises pré-operatórias e uma nova consulta para a semana seguinte podermos ver se a pele estava melhor.

21/10/2019 – nesta consulta verificámos que as bolinhas tinham desaparecido e a cirurgia foi marcada para dia 23 de Outubro.

Estado psicológico do dia 1 à véspera da cirurgia

Vou parar a cronologia por aqui e continuá-la num próximo post, começando no dia da cirurgia. Porém, não posso terminar este post sem falar da componente psicológica, tão importante numa recuperação física.

Não vos vou mentir, passei muito mal. Por vezes ainda passo. Ter um acidente destes, em que deixamos de poder andar, é simplesmente arrasador. Sou uma pessoa independente, que gosta de andar (literalmente) e de explorar o mundo à sua volta desta forma. Faço vários planos com amigos, com o (agora) marido, tenho vários projectos e tenho família do Porto que gosto de visitar o mais frequentemente possível.

Tudo isto ficou – subitamente – em stand by

Deixei de poder andar para me deslocar de canadianas e mal, sejamos sinceros, nos primeiros tempos. Não tinha grande força de braços e isso custou-me. Claro que isto melhora, mas da dor nas palmas das mãos não me livro. Andar de canadianas e não poder fazer peso nenhum no pé é muito mau.

Recomendações do hospital: ter a perna elevada todo o dia (mesmo a dormir) e fazer gelo 5 vezes por dia.

Nas primeiras semanas não ia jantar fora nem passear ao ar livre. A perna tinha que estar elevada durante o tempo TODO, de preferência com gelo. Também, sempre a tinha para baixo, na vertical, o pé latejava e doía terrivelmente. Não dava mesmo.

Com isto, comecei também a trabalhar de casa. Não podia andar de autocarro, era (e ainda é) muito arriscado neste estado, com ossos tão instáveis.

Mudança de rotina em casa

Em casa, instalou-se também uma nova rotina: já não cozinhava, não ia buscar os pratos à cozinha, nem ajudava em praticamente nada. De pessoa super independente que até adora cozinhar, tive que me habituar à força a deixar-me ser cuidada. Não é fácil e é frustrante.

E tomar banho? 

No dia do acidente caí a sair do banho. Foi doloroso e, pior que isso, assustou-me muito. Estava claro que não ia conseguir tomar banho como antes, nem apenas apoiada num só pé. Sair da banheira era muito perigoso mesmo. 

Se alguma vez tiverem uma fractura que vos impeça de andar, arranjem um banco para banho numa loja ortopédica. Acreditem em mim, pode literalmente salvar a vossa vida. Pelo menos, vai impedir-vos de agravar a vossa lesão e, quiçá, de arranjar outra. 

Sim, posso dizer que o meu banco para banho melhorou MUITO a minha qualidade de vida enquanto estou assim. Nunca pensei dizer isto, mas é a verdade. No meio disto tudo, ajuda-me a manter a independência nestas tarefas e, acima de tudo, a desempenhá-las com segurança.

Bem, por agora já chega de “uptade do tornozelo”. 

Como disse mais acima, espero um dia poder vir a ajudar a alguém que esteja a passar pelo menos que eu. 

No próximo post desta série, vou contar-vos como foi a cirurgia, o que me fizeram e o que mudou com ela.

Agora é a aquela parte em que pergunto: já partiram o tornozelo ou é? Como foi a vossa recuperação? Demoraram muito até andar novamente?

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