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Sobre a minha vida espiritual: breve resumo dos meus 10 anos até agora

Vou ser muito franca convosco: tinha um rascunho para começar a escrever este post desde 2019. Aliás, percebe-se por algumas das fotografias, que ainda foram tiradas na minha ex-casa, na minha ex-vida. Apesar das muitas mudanças nos últimos tempos (incluindo de casa), uma coisa não mudou: a minha dedicação ao meu lado espiritual.

Uma das “peças” que encontro na Natureza e colecciono

Religião e Espiritualidade aos 10 anos

Tive uma educação cristã. Não que a minha família fosse muito ligada à religião, mas o início da minha educação escolar teve lugar num colégio de freiras (não interno), o que acabou por me influenciar no que diz respeito à minha inclinação religiosa da altura. Na minha opinião, este tipo de educação pode ser demasiado severo, especialmente porque até certa idade, as crianças não sabem que não devem levar tudo à letra. Resumidamente, após uma confissão, logo que fazia algo menos positivo, era inundada por um sentimento de culpa absolutamente terrível. Pesava-me a culpa de – supostamente – ter feito algo de mal e de (caso não me confessasse) já ter bilhete no Expresso para o Inferno.

Como podem imaginar, uma confissão de uma criança de 8 anos é, no mínimo, hilariante:

  • respondi mal à minha avó;
  • não fiz os trabalhos de casa;
  • chateei-me com o meu irmão.

Convém referir que, apesar de frequentar um colégio católico dos 3 aos 9 anos, sempre tive um fascínio muito intenso e acima do normal pelo paranormal (see what I did there?).

Quando saí do colégio para ir para uma escola pública, muita coisa mudou e, aos 10 anos e motivada por uma situação trágica que tirou a vida a uma criança da minha idade, decidi que já não acreditava no Deus cristão. A cabeça das crianças é assim, simples. Na altura fez-me sentido e por mais que tenha crescido e desenvolvido mentalmente, a minha crença nunca mais regressou.

Foi mais ou menos na mesma altura que comecei a cultivar aquilo que não sabia na altura que se chamava Espiritualidade.

Ainda durante os meus 10 anos, comecei a ler a saga d’ As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. Para quem não conhece, são livros que não são para crianças (de todo), mas que abordam as lendas arturianas do ponto de vista feminino. Nesses livros, aprendi que não existiam só as religiões de que tinha ouvido falar até então e que existia algo ainda mais primordial e ligado à Natureza. Foi nesta altura que fiquei a conhecer o paganismo e o culto da Deusa; o mito de Avalon e o ser humano (especialmente a Mulher) como ser selvagem (no bom sentido e no sentido mais puro da coisa) e produto da Natureza.

Fiquei fascinada e estava plantada a semente de algo.

Água que trago comigo de países que visito e onde sinto que há algo ancestral e mágico

A Wicca aos 15

Anos mais tarde, aos 15, comecei a interessar-me por Wicca. Comprei vários livros sobre o assunto, estudei muito, vi muitos filmes, ouvi muita música. Senti que tinha encontrado algo com que me identificava, finalmente. Na minha cidade, o Porto, frequentava uma loja que ainda hoje existe e onde encontrava materiais místicos, informação e livros. Nesta minha demanda pela procura da minha verdadeira espiritualidade, acabei por cimentar o meu amor pelos livros, pela Antiguidade, pela Natureza e pelo género Fantástico, no campo da ficção.

A pesquisa incessante aos 16

Durante os meus 16 anos li muitos livros sobre Inquisição, sobre as bruxas em Salem e na Europa Ocidental e sobre vários mistérios associados ao paranormal, a lendas e mitologias. Todas essas coisas povoaram o meu imaginário de uma forma muito presente e, não sei porquê nem de onde isto veio, mas algures durante esta altura também comecei a pensar e a investigar sobre vidas passadas e convenci-me de que, numa das minhas, fui uma das vítimas da inquisição.

Curiosamente, no ano passado, lancei as cartas do oráculo das Vidas Passadas da Doreen Virtue e a leitura sugeriu-me precisamente isto. Coincidência?

Cartas de oráculo da loja da Mafalda Pinto Leite
Um dos oráculos que tenho da Doreen Virtue

O período do nada

Durante todo o tempo em que estudei na faculdade e até há cerca de 5 anos, andei num limbo em que simplesmente deixei todas estas questões adormecidas, à espera de serem resgatadas e pensadas com o cuidado que merecem. Estava em processo intenso de amadurecimento e estas questões mais profundas voltaram apenas a aparecer quando já estava aberta a recebê-las novamente na minha vida.

O agora

Apesar de estar cada vez mais voltada para a minha espiritualidade, reconheço sem qualquer dificuldade que esta não está resolvida, nem sei se alguma vez estará. E isso é bom. Sinto-me espiritualmente flexível, com a mesma sede de conhecimento que tinha quando era miúda e comecei a ler As Brumas de Avalon. Felizmente, conto com mais bagagem intelectual e literária e hoje em dia conheço mais das lendas e mitologia celtas e nórdicas, que são as que mais me fascinam.

Sinto uma ligação forte `às plantas

Nos últimos anos tenho aberto a mente a coisas novas, que me vão ajudando a subir degraus nesta jornada rumo a uma inclinação espiritual, se bem que cada vez me convenço mais que esta nunca será definitiva.

Nem sei como me descrever espiritualmente; posso apenas dizer-vos que sou filha Natureza, da Floresta e do Mar, uma eterna estudiosa dos mistérios do mundo.

Há cerca de dois anos completei a introdução do Curso de Bardo da Ordem dos Bardos, Ovates e Druídas (OBOD) e, honestamente, tenho vontade de prosseguir estes estudos. É maravilhoso saber que existem coisas assim em Portugal e grande parte do que descobri neste campo em anos recentes devo à Casa do Fauno e aos workshops de Herbalismo Mágico da Isa Baptista.

Tenho perfeita consciência de que tenho interesses e passatempos (como coleccionar vários tipos de ervas para chá em frascos e colocar água que recolho em alguns países que visito em frascos pequeninos de vidro) que, em séculos há muito passados, me confeririam uma (ou muitas) acusações de bruxaria e, possivelmente, um fim pela fogueira.

Apesar de ser fascinada pelo passado, aprecio o privilégio de viver numa altura em que posso satisfazer a minha curiosidade e aprender sobre o que eu quiser, sem limites nem medo de repercussões.

E vocês, consideram-se seres espirituais? Que caminhos exploram para aprofundar a vossa espiritualidade?

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