Chama-me pelo meu nome: a importância de não me chamarem Joana

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Eu sei, tenho um blog chamado Joan of July. Joan fica a menos uma vogal de Joana e entendo que, à primeira vista, possa parecer que lhe dei este nome por causa do meu nome próprio, mas não. E deixem-me explicar-vos porque me irrito quando me chamam Joana e o que significa isto de nos enganarmos no nome das pessoas.

Não vos consigo precisar a quantidade de vezes que já recebi mensagens no Instagram, no Facebook ou até emails em que o remetente começou com “Olá Joana”. Faz-me especial impressão quando são marcas e/ou agências de comunicação.
Sim, o meu blog chama-se Joan of July, mas o meu nome é Catarina. O meu nome – o verdadeiro – está literalmente escarrapachado em todo o lado: é a primeira coisa que vêem quando entram no meu blog e está também nas minhas redes sociais. A minha bio do Instagram foi agora actualizada para:

Senti a necessidade de incluir ali o “Não me chamo Joana”. Pode ser que atraia a vista de quem me contacta para o meu nome verdadeiro, acima dessa linha, em itálico.

Eu sei que, ao escrever este post, pareço levar a peito que me chamem Joana, mas deixem-me explicar quando é que levo a peito e quando não.

Levo a peito quando me chamam Joana quando…

Quando já me conhecem pessoalmente. Pessoas: a sério? Isto é ofensivo. Quer dizer que nem causei impacto suficiente nas vossas vidas e no nosso tempo juntos para que decorem sequer o meu nome, que nem é difícil de pronunciar nem estrangeiro nem nada, vejam lá! Neste contexto, acho mesmo uma falta de respeito tremenda não fazerem o mínimo esforço para se dirigirem a mim de forma correcta. Eu sou uma pessoa acessível e simpática, não peço muito quando me abordam, mas chamarem-me Joana quando já nos conhecemos e já nos falámos pessoalmente? Tenham paciência…

Não levo tão a peito quando me chamam Joana quando…

Nunca nos conhecemos e, se calhar, nem pela net falámos antes. Há pessoas que me abordam em privado nas redes sociais e me chamam Joana e eu, à primeira, não fico incomodada nem penso nada de especial em relação a isso. Mas corrijo com um “Catarina” e espero que fique decorado para a próxima vez que precisarem de me chamar pelo nome.

O verdadeiro problema de me chamarem Joana é…

Não tenho nada contra o nome; tenho várias amigas chamadas Joana que adoro. Até gosto do nome em si, a questão não é essa. A questão é não ser o meu, só e apenas.

Para mim, o verdadeiro problema de se enganarem no meu nome nada tem a ver com o nome em si, mas com a confirmação de que, neste mundo demasiado rápido e instantâneo, pouca gente se dá ao trabalho de ir confirmar os nomes de quem se contacta. Demora muito tempo, há pressa para enviar a mensagem ou o email, a hora de almoço está a acabar, etc. Não sei qual será a desculpa, mas sei que quem me envia uma mensagem ou um email está à espera de algo em troca: de uma resposta, de uma informação, de um conselho, um link, o que quer que seja. Ora, quando pedimos algo a alguém, devemos – no mínimo – tratá-lo pelo nome certo.

O problema maior por detrás disto é que, hoje em dia, todos visamos a recompensa imediata e olhamos cada vez mais para o nosso umbigo. Há cada vez mais a perda de respeito pelo outro, pelo seu espaço e pela sua identidade. Na nossa busca desenfreada por feedback rápido não há tempo para confirmar identidades. Será?

Recuso-me a acreditar que não há tempo para verificar o nome da pessoa que se está a contactar. Escusam de dizer que a culpa é minha por ter um blog com este nome quando o meu verdadeiro nome está em todo o lado, ok? 🙂

Já agora, que nome é esse mesmo?

Ooh na na, what’s my name?
Ooh na na, what’s my name?

– Rihanna

9 Comments

  1. Vânia Duarte says:

    “O problema maior por detrás disto é que, hoje em dia, todos visamos a recompensa imediata e olhamos cada vez mais para o nosso umbigo.” Um aplauso de pé para este post e para a tua demanda. É completamente idiota esta necessidade de viver a mil, de ter de chegar a todos e estar em todo o lado, as pessoas estão muito mais egocêntricas e a saber cada vez menos criar laços. Amei babe.

    1. Catarina Alves de Sousa says:

      Tu bem sabes o que isto me incomoda… Argh.
      Awww obrigada, querida Vânia! <3

  2. mariana silva says:

    falou e disse KICKS

    1. Catarina Alves de Sousa says:

      Kicks & Mims ftw! 😀

  3. Blogue Ela e Ele, Ele e Ela says:

    Compreendemos perfeitamente. A nós o que acontece é só se remeterem a um de nós. Sendo um casal a escrever o blogue, estando os dois a aparecer constantemente nas redes sociais, e escrevendo sempre lado a lado, usando a primeira pessoa do plural na escrita, então é muito incomodativo… É sinal que não nos deram o mínimo valor!

    1. Catarina Alves de Sousa says:

      No vosso caso é ainda mais estranho! Como é que as pessoas sabem qual dos dois efectivamente escreveu? Na vida das dúvidas, é sempre muito mais fácil dirigirmo-nos a vocês no plural. 🙂

  4. Palavra-padrão says:

    Confesso que quando vi o nome do teu blog fiquei na dúvida, mas por acaso tenho o hábito de ver o nome de quem está à frente de todos os blogs que leio, e se tiverem, consultar a página do “Sobre mim”! Aliás, faz-me muita confusão, nos blogs anónimos, quando a pessoa não tem um pseudónimo ou algo do género, que possa usar para me dirigir à pessoa ahah!
    Se a sensação de nos trocarem o nome no dia-a-dia já é desconfortável, imagino como o será quando nos lêem, entram na nossa “casa” online, e ainda assim não chegam lá! É legítima a tua revolta, e esperamos que as pessoas passem a dedicar-se mais e a perder um segundo que seja, pelo menos, a ver o nome de quem está do outro lado do ecrã!

    Beijinhos,

    Daniela!

    1. Catarina Alves de Sousa says:

      Ainda bem que compreendes, Daniela, porque é mesmo isso: entram na minha casa virtual e não se dignam a ver quem lá mora. Tu é que fazes bem: verificar o nome das pessoas antes de as abordar. Sempre se fez isto, porque é que ultimamente pouca gente se dá ao trabalho? Dá que pensar.

      Beijinhos**

  5. Carolayne Ramos says:

    Nunca me senti tão representada. As vezes em que me chamam “Carolina” só porque acham que gosto que me chamem de “Carolayne”. Nunca achei piada, desde miúda. Nem ao facto de me chamarem de “Carolina”, nem quando erram na escrita do nome. Apesar de ser estrangeiro e causar incertezas ao início, é como dizes: a partir do momento em que nos conhecem e convivem connosco, o mínimo dos mínimos é saberem como se lê, escreve e diz o nosso nome, porque lá está, é nosso e, como tal, merece um pouco de respeito! 😛

    LYNE, IMPERIUM

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