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Escócia: a beleza da ilha de Skye

A visita à ilha de Skye não foi exactamente programada. Foi falada, discutida e deixada no ar com um “se der tempo, passamos por lá”.
E deu.

Foi no mesmo dia em que fomos ao castelo de Eilean Donan, por isso como estávamos perto, pensámos que seria um desperdício não passarmos por Skye.
Não entrámos muito dentro da ilha, mas estivemos na vila de Kyleakin, onde passeámos ao sol (estava quentinho ao sol, uma mudança de temperatura muito bem-vinda), tomámos café e observámos a paisagem.

Mais uma vez, imaginei-me a passar uns tempos naquela localidade, tão longe do caos e da confusão e tão perto da vida bucólica com que dou por mim a fantasiar tantas vezes.

     

 

Nas suas águas vimos vários barquinhos de passeio e outros de pesca. Nas margens transparentes vimos alguns peixinhos e conhas lindíssimas que tenho imensa pena de não ter conseguido apanhar. Adoro trazer lembranças da natureza dos sítios que me inspiram (e trouxe, mas não da ilha de Skye).

Na outra margem viam-se perfeitamente as ruínas do Castle Moil, uma antiga fortaleza construída no séc. XV. As lendas sugerem que foi originalmente construído para uma princesa norueguesa (viking?) com o cognome de “Saucy Mary”. Dizem que os seus restos mortais se encontram na Beinn na Caillich (Gaélico para “montanha da velha”).

 

E à semelhança dos outros escoceses com quem nos cruzámos em Edimburgo e em Inverness, em Kyleakin também se revelaram pessoas extremamente amigáveis, curiosas e verdadeiras storytellers. A sério, não encontrarão melhores storytellers que os escoceses.
Tal como para mim tudo tem uma banda sonora, para os escoceses tudo tem uma história. Bastaram dois minutos a olhar e a fazer festinhas a este gatinho amarelo para que aparecesse uma senhora a contar a sua história.

A senhora não era a dona do gato, mas trabalhava para ela. Contou-nos que, umas semanas antes ele tinha fugido e entrado para dentro de um camião. Andou quilómetros e quilómetros para longe de Kyleakin, mas de alguma forma – não se sabe como – voltou a reaparecer à porta de casa da dona dias mais tarde.

E este que parece um relato inocente e tão desprovido de segundas intenções deixou-me a pensar. Pensei que tudo, literalmente tudo, até as coisas mais banais têm histórias, segredos, desejos, ímpetos incontroláveis de curiosidade e espontaneidade, e que nós nem pensamos duas vezes que o possam ter.

Julgamos as coisas, as pessoas, os locais e os animais pela sua aparente banalidade, mas ignoramos que possam ter vivido mais que nós.

E é isto que sinto que a Escócia despertou em mim; um novo respeito e admiração por tudo o que me rodeia e uma curiosidade pelos sítios por onde passaram e pelo que já viveram.

Percebem como tudo na Escócia é mais intenso? É porque, longe do caos, das correrias e dos barulhos ensurdecedores das cidades, temos a cabeça limpa para pensar naquilo que realmente importa e para nos voltarmos a ligar a nós mesmos.

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