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Vila Real e lareiras em maio



 Estou a escrever este post sem net. Quer dizer, estou a escrever um post, mas que só será publicado, obviamente, quando tiver net.

E porque é que não tenho net?
Porque estou em Vila Real, numa casa de campo. Podia ter net, mas não tem. E não faz mal. Em vez de me passar e de não saber o que fazer comigo- como quando tinha 13 anos-, estou a apreciar a paz que aqui se sente. Eu sei que toda a gente diz isso e eu nem sou pessoa de elogiar a paz, sossego e silêncio do campo, mas como ando cansada está-me a saber (mais que) bem.
Com a mudança de casa, compras constantes de qualquer coisa que falta sempre, uff…tem sido dose!

A casa onde estou neste preciso momento é giríssima. Estão a ver o estilo country chic? Campestre, mas planeado para o ser e muito pitoresco. Adoro este estilo. Sabem, agora que ando a decorar a casa, tornei-me subitamente muito atenta aos detalhes.

Sinto-me tão confortável e quentinha. O lume arde e a madeira crepita aqui na cozinha, apesar de estarmos já em maio. Não tenho memória de estar junto a uma lareira no mês de maio, mas este ano tem sido assim estranho e atípico.
Para o sentimento de conforto contribuem a existência de gatinhos- que eu amo- aqui no perímetro da casa, a vilazinha abrigada e cosy e o facto da mamã me ter ensinado a fazer bola de carne. É uma coisa que a minha mãe faz desde que me lembro.

Hoje a minha mãe perguntou-me se eu queria aprender e eu disse que sim, claro, mas mais para lhe fazer a vontade do que por outra coisa. Sabia que ela ia ficar satisfeita se eu mostrasse vontade de aprender algo que ela faz com tanto gosto.
Então fiz, amassei a massa com as mãos- sabe mesmo bem!- e fiz tudo o que é preciso. E não é que gostei? Já estou a pensar em fazer uma bola de carne para a semana na casa nova. Para oferecer e para ter, partida aos bocados, como aperitivo antes de um jantar com amigos. Mas não pensem que fazer uma bola à moda de Vila Real se resume apenas a misturar ingrediantes e a atirá-los para o forno dentro de uma forma. Não. A bola de Vila Real levam também uma reza. Leram bem, uma reza. E a dita é a seguinte:

Reza (no final de fazer a massa, fazer cruzes): São Vicente te acrescente/ Santa Marta te faça boa massa/ São Frutuoso te faça belo e formoso.

Para quem não sabe, o São Frutuoso é o santo padroeiro da vila de Constantim (onde estou). Tem uma história interessante e o seu nome de família era Gonçalves, também um dos meus e da minha mãe. Talvez seja por isso que ela o adoptou como seu santo padroeiro também.

Lição do dia e como diz o povo, “o saber não ocupa lugar”!


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