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Como a minha vida profissional de resolveu (quase) sozinha

Se tudo tivesse corrido bem há exactamente um ano atrás, eu estaria provavelmente a terminar o meu turno numa gelataria perto da baixa Lisboeta.

Foi um período estranho da minha vida. Estava desempregada há muito tempo e já procurava trabalho onde quer que houvesse. Um belo dia, contra todas as expectativas, chamaram-me para uma formação e experiência de uma semana numa gelataria/pasta house que iria abrir em breve em Lisboa.
Na altura pareceu-me interessante e diferente de tudo o que tinha feito até à data. A ideia de trabalhar num sítio giro, meio pitoresco e que estava a começar do nada encantava-me e – de uma forma tipicamente “catarinesca” fiz um filme romântico na minha cabeça.

Claro que a realidade era bem diferente.

Os três donos/responsáveis queriam 5/6 raparigas para integrar a equipa. No início chamaram umas 9, mas aos poucos algumas foram ficando para trás. Lembro-me que fiquei um pouco intimidade pelo facto de TODAS elas terem experiência em restauração e eu não. Admito a hipótese de ter brilhado um pouco na entrevista. Sou muito convincente quando quero. 😉

Durante cerca de uma semana de várias horas de trabalho por dia aprendi a preparar e a cortar correctamente (e depressa!) várias frutas, vegetais e até fiambre naquelas máquinas assustadoras que parecem capazes de nos cortar os dedinhos todos numa só passagem. Aprendi a fazer gelado na máquina que – alegadamente – custava quase tanto como um apartamento, tirei cafés, cappuccinos, imperiais, vocês percebem. É tão difícil acertar com a espuma da cerveja, vocês nem imaginam!

At least I know how to make cappuccino at home with perfect foam and everything!
At least I know how to make cappuccino at home with perfect foam and everything! (Sorry about the grainy crapy photo)

Sabem que mais? É muito mais difícil do que parece! E fazer massa como fazem nos woks e esses restaurantes também. A rapidez e o multitasking à hora de almoço são obrigatórios.
No final da semana foi-nos dito que queriam pôr-nos a contrato (às que sobravam, pelo menos) e que a inauguração seria na sexta-feira (ou sábado?)
Liguei ao meu namorado e contei-lhe. Não sei o que se passou comigo nesse dia, mas ao fim da tarde estava diferente e as minhas novas colegas também tinham percebido. Subitamente todo o romantismo e entusiasmo da semana desapareceram e eu não sabia identificar a razão para tal.

by StuartWebster
by StuartWebster

Ainda hoje tenho dificuldade em perceber. Talvez porque tudo se tornou real e deixou de ser um filme romântico e pitoresco na minha cabeça. Aquele rebuliço constante, nódoas de comida na roupa, farda, horário louco sem folgas seguidas para poder ir ver a minha família ao Porto… tudo isso começou a pesar e o sonho bonito acabou.

Hoje – há exactamente um ano atrás – decidi que o sector da restauração não era para mim. Paciência. Na altura tinha outra oferta de trabalho – pela qual optei – mas também não deu certo porque a minha possível futura empregadora decidiu que lhe ficava mais baratinho colocar um estagiário. Fiquei de rastos por ter perdido tantas oportunidades mas… se não tivesse acontecido desta forma hoje nunca estaria a fazer o que estou a fazer, nem onde estou nem teria aprendido tanto.

Será realmente que a vida se resolve sozinha ou são as nossas (às vezes) más decisões que acabam por nos empurrar para o caminho certo?

5 Comments

  • Analog Girl

    Sinto sempre que a vida nos encaminha para onde queremos ir. Parece conversa d’o Segredo, mas é verdade. Eu fiquei desempregada duas vezes, e sempre tive pressentimentos e instintos muito fortes sobre onde iria a seguir. Quando vi o anúncio para o meu actual emprego pensei “ok, vou-me candidatar que este lugar é meu”. É estranho, mas sempre segui o meu instinto e sempre me trouxe a caminhos muito frutíferos. Mesmo quando estive em empregos que não gostei, sabia que tudo ia ficar bem.
    Eu acredito que sim, que a vida se resolve sozinha. 🙂

    • joan of july

      A tua história é realmente inspiradora, Joana! Gostava de ter algumas certezas às vezes, mas compreendo que é tudo um processo de aprendizagem. O que tenho – tal como tu tiveste – são esses instintos que aparecem quando olho para algo e sinto uma atracção muito forte para responder/fazer/abordar. Às vezes ainda luto para perceber se se trata de intuição ou de optimismo, mas torço sempre para que seja a primeira opção. 😉

  • Lúcia

    Ando há procura de trabalho faz um ano para a semana. A tua experiência inspira-me a não desistir e a continuar… que o caminho faz-se caminhando… e estes momentos estranhos da vida em que inútil é a palavra que assalta a nossa cabeça, talvez sirvam para nos levar a outro lugar…outro que não sonhamos ou achamos possível…
    Enfim… Um beijinho

    • joan of july

      Lúcia,

      Onde tu estás estava eu há um ano atrás. Fiquei desempregada um ano e um mês, embora tivesse a NatusPurus (o meu negociozinho dos sabonetes) para me ocupar.
      Tive muitos “quases” no meu ano de desemprego, incluindo estes que falei neste post. Nem imaginas como me senti quando me apercebi que tinha optado por um dos trabalhos a favor do outro para, no final, perder ambos. Nem consigo bem descrever o sentimento de tristeza, profunda frustração e raiva para comigo mesma.
      Mas é assim mesmo! Se não tivesse acontecido assim não estava onde estou.

      Tudo acontece por uma razão e para ti também vai acontecer. Aquilo que eu achava que era inútil, afinal não foi. Aprendi muitas lições, principalmente sobre confiança (confiei de mais na 2ª hipótese que tinha).

      Força! Um beijinho grande*

  • Ju

    Que giro, apesar de tudo deve ter sido uma experiência única 🙂 eu acho que as nossas escolhas influenciam bastante a nossa vida, mas tudo acontece por uma razão, sem dúvida * 🙂

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