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Hygge: mas afinal o que significa?

A maioria das línguas nórdicas contêm palavras para as quais não existe tradução em português, nem sequer em inglês. Hygge é uma dessas palavras e, desde há uns tempos, parece estar por todo o lado, mas… afinal o que é isso? Bem, é isso que vos vou explicar resumidamente neste post.

Antes de mais, a palavra hygge pronuncia-se, na verdade, como hooegga (vejam este vídeo para aprender a pronunciá-la correctamente, se assim quiserem), com o “h” aspirado e o “oo” como diriam “u” se estivessem a falar francês.
Mas não importa se pronunciarem mal; podiam até chamar-lhe meias fedorentas, que não seria por isso que ia perder o seu significado.

Outra coisa antes de começarmos efectivamente a explicação: hygge, mais do que qualquer outra coisa, é um sentimento.

Comfort, Togetherness and Safety

São três grandes – mas não únicos – pilares do hygge. Pensem numa noite gelada como as que têm estado, mas piores, talvez com muita chuva e trovoada lá fora e vocês, quentinhos em casa – se for com uma lareira ainda melhor -, rodeados pelos vossos amigos mais chegados e comida boa, com uma noite de jogos de tabuleiro pela frente.

Resumidamente, hygge é isto. Hygge é estarmos confortáveis, com as pessoas de quem mais gostamos, com comida e bebida maravilhosos a fazer algo que nos diverte e relaxa.

Hygge a sós

Não é obrigatório estarmos com amigos e/ou família para nos sentirmos hygge. Podemos bem experienciar momentos hygge completamente a sós, que foi o que me aconteceu no fim de semana passado. Às vezes basta um bom banho de imersão quentinho e cheio de bolhas de sabão, uma música relaxante, gatos, chá ou vinho quente com especiarias (como o que eu fiz pela primeira vez no domingo) e um bom livro. Que maravilha!

A origem do hygge e conceitos semelhantes pelo Mundo

Este conceito e a própria palavra já existem há muito tempo na Dinamarca, onde os Invernos são de tal forma gélidos e impiedosos, que obriga a que as pessoas optem por passar mais tempo dentro de casa e espaços fechados, pelo que acabam por formar certos rituais que as ajudam a sentir-se mais confortáveis e seguras, quando as condições meteorológicas lá fora não o são.

Este conceito não exclusivo aos dinamarqueses, sendo que existem outros muito aproximados em países como o Canadá (hominess), Holanda (gezelligheid), Noruega (koselig) e Alemanha (gemütlichkeit). Apesar de muito similares ao hygge, estes conceitos têm uma ou outra diferença. No caso do gezelligheid, por exemplo, a essência é praticamente igual à do hygge, excepto no facto de ter uma componente mais social com 57% dos holandeses a afirmar que sentem mais gezelligheid fora de casa do que dentro, ao contrário dos dinamarqueses.

Alguém me explica porque não temos uma palavra para descrever o mesmo feeling cá em Portugal? Já estava na altura de criar uma, não? “Hooegga” dá imenso trabalho a pronunciar…

Coisas tipicamente hygge – o clássico “hygge kit”

Os “diys” são hyggelig!

Não é difícil criarem um ambiente hygge com um “hygge kit” destes.

  • velas (28% dos dinamarqueses acende velas TODOS os dias e apenas 4% diz nunca acender velas);
  • luzes quentes, nunca fluorescentes;
  • comida e bebida deliciosas e quentinhas;
  • chocolate;
  • tudo o que é homemade – desde as comidas/bebidas, a brinquedos, jogos, mobília, enfim, diys!;
  • mantas;
  • livros;
  • filmes e séries;
  • peças vintage;
  • um bloco e caneta bonitos;
  • a tua playlist favorita;
  • meias e camisolas de lã;
  • lareiras,
  • caminhadas na natureza, sem Wi-Fi;
  • churrascos no verão;
  • estar na cama com a chuva a cair lá fora.

Etc., etc.

O adjectivo – Hyggelig

Quando se quiserem referir a algo que considerem ser “hygge”, o adjectivo a usar é “hyggelig”. Por exemplo: “este restaurante é super hyggelig.” Já sabem, “hoogalig”.

A não ser que – lá está – me ajudem a encontrar uma palavra em português!

Os livros sobre o fenómeno hygge

Por esta altura, já devem ter visto este livro all over the place, certo? É porque é recente e é o trabalho de Meik Wiking, o presidente do Happiness Research Institute, que não só estudou a fundo o que faz as pessoas felizes, como vive no país mais feliz do mundo e berço do hygge, a Dinamarca. Falo do The Little Book of Hygge, versão que comprei há meses atrás no Amazon porque não consegui esperar pela versão em português (quem nem sabia que ia haver). Mas agora podem comprar o livro em português – O Livro do Hygge – nas livrarias do costume. 🙂 A diferença entre o inglês e o português é que o inglês (a minha versão, pelo menos) tem capa dura.

Mas há outros livros para além deste sobre a temática do hygge. Entre eles:

  1. Hygge: The Danish Art of Happiness – Marie Tourell Søderberg
  2. How to Hygge: The Nordic Secrets to a Happy Life – Signe Johansen
  3. The Cozy Life: Rediscover the Joy of the Simple Things Through the Danish Concept of Hygge – Pia Edberg
  4. Hygge: A Celebration of Simple Pleasures. Living the Danish Way – Charlotte Abrahams
  5. The Year of Living Danishly: Uncovering the Secrets of the World’s Happiest Country – Helen Russell
  6. ScandiKitchen: Fika and Hygge: comforting cakes and bakes from Scandinavia with love – Bronte Aurell
  7. The Book of Hygge: The Danish Art of Living Well – Louisa Thomsen Brits

Para inspirar os vossos momentos hygge…

… criei uma playlist! Pois claro, como não podia deixar de ser, não é? Já sabem que crio playlists por tudo e por nada, mas esta é uma excelente desculpa, não concordam?

Um desafio

Não querendo ser repetitiva, mas sendo um bocadinho… bora lá tentar arranjar uma palavra em português para hygge? Quem me quer ajudar com uma sugestão? 😀

 

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8 Comments

  • Reply
    Inês Serôdio
    19/01/2017 at 10:34 AM

    que engraçado sair agora este livro enquanto vivo na Dinamarca. Hygge… comfortabilidade?

    tenho de ver se arranjo este livro para mim 🙂

    beijinho,
    Moi by Inês

  • Reply
    Lidia
    19/01/2017 at 11:26 AM

    Eu sempre disse “hibernar” para esses momentos quentinhos em casa: este fim-de-semana vou hibernar em casa! É dos meus programas favoritos de fim-de-semana, e até nas férias, no Natal. O importante para mim é ter tudo o que preciso em casa e não ter de sair, sequer! 🙂 E desfruto da minha casa, da minha comida, da companhia dos amigos, levo o meu tempo a fazer as coisas, leio, penso, ouço a minha música. É muito delicioso e anti-stressante! 🙂 Acho engraçado que uma coisa que sempre fiz tenha um nome. 🙂 Faz-me pensar se as pessoas não o faziam antes ou se todos fazemos, mas sem lhe darmos um nome. 🙂

  • Reply
    Maria
    19/01/2017 at 3:03 PM

    Já tive com ele na mão e irá ser a minha próxima compra. Só tenho pena que a versão portuguesa não seja de capa dura.

  • Reply
    Mariana
    22/01/2017 at 6:29 PM

    Li o livro durante este fim de semana e foi das melhores apostas que fiz – bom para começar o ano! Não é um livro de auto-ajuda, nem cheio de teorias pouco fundamentadas e, só por estes motivos, já me chamou à atenção. Apresenta-nos detalhadamente e de uma forma muito prática uma cultura e sociedade baseadas em momentos de felicidade com o que temos à mão. Muito bom mesmo!

    Já experimentaste alguma das receitas do livro? Fiquei curiosa com algumas!
    Ah e adorei a tua playlist hyggelig! 😀

  • Reply
    Cátia Henriques
    09/02/2017 at 12:11 PM

    Andava curiosa sobre isto e acho que a tua explicação me esclareceu. Quanto à definição, a mim só me lembra “Aconchego”. Gostas?
    Acho que vou comprar o livro, já adorei o conceito.
    Bjs, CH

    • Reply
      joan of july
      09/02/2017 at 12:20 PM

      Ai adoro, Cátia!! Aconchego parece-me tão bem e gosto da palavra. Acho que transmite tudo, obrigada! 😀
      Compra sim, vais gostar muito, tenha a certeza. Não sei se em português terá a mesma graça, mas eu adorei a versão em inglês. 🙂
      Beijinhos

  • Reply
    The Brunette's Tofu
    17/03/2017 at 10:16 AM

    Quero tanto esse livro! A palavra que me vem à cabeça é “aninho” de aninhar-se eheh Beijinho

    • Reply
      joan of july
      21/03/2017 at 12:39 PM

      Ohh que palavra tão fofinha, Raquel, adorei! 😀

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